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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Ribeira Chã:

«Para crescer precisamos de mais habitação»

Norberto Aguiar

Entrevista de Norberto Aguiar

Tem apenas 366 pessoas num espaço geográfico de 2,52 quilómetros quadrados. Tornou-se freguesia a 18 de maio de 1966 por impulso do padre João Flores, natural da Fajã dos Vimes, na ilha de São Jorge. De resto, se a Ribeira Chã se tornou freguesia naquela altura e é o que é hoje, muito deve àquele malogrado padre, um dos mais ativos sacerdotes da ilha no nosso tempo de jovem adulto.

O padre João Flores chegou à Ribeira Chã em 1956 e logo dinamizou o curato de Nossa Senhora da Ajuda. Primeiro construiu, com a ajuda da população, que chegou a dar dinheiro do seu parco salário, uma igreja nova (passou a ser dedicada a São José), pois até então apenas ali havia uma ermida. Depois criou vários museus etnográficos, dando à Ribeira Chã ares de freguesia cultural. E sempre com a preciosa colaboração dos residentes e emigrantes, o padre Flores foi sempre elevando o nome da freguesia, a mais pequena de São Miguel – mas mesmo assim com quase as mesmas pessoas de toda a ilha do Corvo, cerca de quatro centenas – até ao seu falecimento.

É esta freguesia que tem por atual presidente a professora primária – tem formação em Educação Infantil – Vitória Francisca, jovem (29 anos) nascida na Bermuda e que chegou à Ribeira Chã com a tenra idade de 9 anos.

Dizendo-se amante da coisa política, Vitória Francisco diz-nos que apesar de inexperiente tem tido muito apoio dos seus colaboradores, grande parte transitou da equipa de Albertina Oliveira que chefiou a freguesia durante 16 anos e é agora a presidente da Assembleia Municipal.

«Comecei como independente. Em 2013 aderi ao Partido Socialista. Mas a minha formação cívica começou pela igreja ao fazer parte do grupo coral; fui catequista, fiz parte dos grupos de jovens. Sempre gostei de me implicar».

Ribeira Cha presidente .JPG

«Acho que tenho vindo a fazer um bom trabalho, com a ajuda de toda a equipa. Estamos cá para ajudar na melhoria das condições de vida da nossa população. Os nossos principais problemas? A falta de habitação, pois precisamos de loteamentos, que não os há e quando os há, alguns pertencem a emigrantes que não os querem vender ou são muito caros. A falta de uma escola, a que havia fechou por uma má decisão do governo. Ainda não digerimos essa história das nossas crianças terem de ir para Água de Pau para se escolarizarem. Vamos continuar a lutar para que a escola volte a ser uma realidade na Ribeira Chã».

Estava embalada, a jovem presidente. E não era para menos, pois tratava-se de reais problemas vividos no quotidiano pela sua população... Mas disse mais Vitória Francisco.

«Para que a nossa juventude não abandone a freguesia, que hoje está a pouco mais de 15 minutos de Ponta Delgada, tem a sede do concelho (de Lagoa) a poente e Vila Franca a nascente a escassos minutos; tem a Praia de Água d'Alto praticamente a seus pés, dizia, para que a nossa juventude fique cá é preciso projetos de retenção e estes passam forçosamente por haver mais e melhor habitação», reforça a decidida presidente.

No aspeto cultural já falámos nos museus etnográficos, quase todos virados para o plano da agricultura, não fosse a Ribeira Chã um aglomerado essencialmente rural. E quanto a animação cultural e artística tanto do gosto dos mais novos?

«A freguesia tem, para além de ser um presépio vivo, como deve ter visto – vimos sim, senhora –, muita animação festiva. Desde as nossas célebres noites de fado, concursos diversos, como o da Malassada; e temos várias provas desportivas durante o ano. O polidesportivo e a sua equipa de futsal estão sempre muito ativos. Há espetáculos musicais. Temos o concorrido Dia do Idoso. Há teatro, a começar pelas crianças. Os nossos emigrantes também colaboram, principalmente no mês julho, quando a freguesia está em plena ebulição. Chegam a estar na freguesia 500 a 600 emigrantes ao mesmo tempo, o que dá animação e colorido à Ribeira Chã. E contamos com muito apoio do povo».

A entrevista, feita na sede da Junta, estava a terminar quando ainda tivemos tempo para mais isto: – É minha convicção, apesar de alguns problemas, que a Ribeira Chã vai continuar a crescer, pois criaremos condições para reter a nossa juventude, que é o futuro da nossa comunidade.

Com uma mercearia e um snack bar, um polidesportivo, uma igreja nova, vários museus, ruas todas asfaltadas e a autoestrada ali à mão de semear, não temos dúvidas que a Ribeira Chã tem todas as condições para continuar na senda do progresso.

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Tem apenas 366 pessoas num espaço geográfico de 2,52 quilómetros quadrados. Tornou-se freguesia a 18 de maio de 1966 por impulso do padre João Flores, natural da Fajã dos Vimes, na ilha de São Jorge. De resto, se a Ribeira Chã se tornou freguesia naquela altura e é o que é hoje, muito deve àquele malogrado padre, um dos mais ativos sacerdotes da ilha no nosso tempo de jovem adulto.
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