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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Os 10 anos da presidência de Luís Martins

Um período fausto!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Em 1977, um novo ciclo estabeleceu-se na vida da Associação sob a presidência de Luís Martins, que ainda penou para reaver a liderança do organismo. Um prazo de três meses foi preciso para provar que a capacidade da nova equipa estava lá... Antes, porém, Luís Martins já tinha demonstrado que maturidade diretiva era coisa que não lhe faltava. E isto provou-o, em 1976, quando levou a equipa dos Bravos aos Açores, uma iniciativa pioneira para a época. Para isso reuniu-se com uma boa equipa, a começar no treinador* que foi buscar a Montreal e alguns jogadores**, dos melhores da comunidade, vindos também de Montreal, e terminando nos apoios comerciais, que foram muitos e dos bons. Resultado, em cinco jogos disputados em São Miguel, os Bravos, contra todas as previsões, ganharam dois (Operário, 1-0; Marítimo, 2-1) e perderam os restantes (Santa Clara, 0-1; Benfica Águia, 1-2; União Sportiva, 0-3), assim mesmo não desmerecendo, tão equilibradas foram as contendas, se excetuarmos o jogo com os «Verdes» de Ponta Delgada... Deixaram cartaz em S. Miguel e deram a conhecer, pela primeira vez, uma parte de Sainte-Thérèse nos Açores.

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Luís Martins, quando falava para o nosso jornal diante da associação que tanto prazer lhe deu a fundar.
Foto  - LusoPresse

Entretanto, os Bravos continuavam a ser a «menina dos olhos» dos portugueses da cidade teresiana. Pelo que fizeram na digressão às ilhas e pelo facto de terem ganho o Campeonato da Primeira Divisão da Liga Metropolitana em 1976 e a respetiva Taça em 1975, sempre sob a batuta de Fernando Anselmo. Claro que o plantel nessa altura passou a contar com jogadores que nada tinham a ver com aqueles de anos anteriores. Norberto Eleutério, Rasga-Mar (pai do hoquista Mike Ribeiro), Miraldo, Freitas, Artur, Manuel Gouveia, que tinha vindo dos Açores para jogar no clube, e outros davam à equipa um poderio difícil de igualar na liga em que estavam inseridos os Bravos.

Criadas novas componentes

Agora não era só a equipa de futebol que funcionava bem. Também a parte recreativa/social/musical ganhava força no interior da Associação, com festas de 15 em 15 dias, com muita gente a assistir, que vinha de tudo onde era sítio. O passa-palavra funcionava à maravilha. Neste período tudo funcionava e o Luís mais a sua equipa partiam sempre para mais iniciativas, como a criação das Festas das Misses, das Festas de Nossa Senhora dos Anjos, numa tradição do que se passa na freguesia de Água de Pau, no concelho de Lagoa; as Festas do Divino Espírito Santo, que ao contrário daquelas ainda hoje fazem parte da vida social da Associação, e até da própria cidade. Neste aspeto, Maria dos Anjos, sua irmã, desempenhou um papel determinante, assim como o seu marido, o malogrado Adriano Pereira, grande cantor e animador daqueles saudosos momentos.

De facto, até hoje, nunca mais houve um período tão fausto de iniciativas, positivas, na Associação Portuguesa de Ste-Thérèse. Umas vezes por incompetência dos seus dirigentes, outras pela conjuntura por que estão a passar os organismos de índole portuguesa.

Depois de algumas saídas e entradas, Luís Martins ainda exerceu outros cargos na história deste organismo que acaba de comemorar 42 anos. Em todos eles, diz, «Dei sempre o meu melhor de maneira a honrar a missão que me era confiada. Infelizmente nem todos agem assim. Isso desgosta-me e ajudou-me a afastar dum organismo que me diz muito. Ainda cheguei a recrutar jovens para tomarem conta disto (Associação). Mas não deu certo. E a continuar como está a Associação não tem futuro. Prevejo mais ou menos a médio prazo que deixará de haver gente que queira vir para aqui trabalhar – a entrevista foi feita nas instalações da Associação...

Sem desporto no seu interior, que podia atrair pais, mães e outros familiares, dando assim vida a um organismo onde «só lá vão os velhos», dito que circula, a Associação tem de tentar fórmulas que possam arrastar mais gente para as suas atividades, que não podem ficar por pouco mais do que as Festas anuais de São Pedro.

Acabou o futebol

Os Bravos acabaram há 10 anos. E a sua última grande conquista foi no já longínquo ano de 1990, quando ganharam a Taça do Quebeque, que por sua vez deu direito a participar no Campeonato de Futebol Amador do Canadá. «Nesse ano tivemos a última boa equipa dos Bravos. Era treinador Faustino Pereira, que regressou a Portugal».

Dos jovens, que chegaram a ser parte importante no desporto da Associação em representação da própria cidade, já nada há também. Essa componente, agora, está sob os auspícios do Departamento de Desporto da Câmara Municipal e onde a presença de portugueses ou lusodescendentes é pouco mais do que inexistente. Vimos e ouvimos isso quando em 2015 se comemoraram os 50 anos dos Bravos.

Quando se pergunta ao Luís Martins se o futebol poderia voltar um dia à Associação, ele abana a cabeça e diz que isso não será mais possível. «Só se houvesse um milagre e eu não acredito em milagres, mesmo se sou crente».

* Fomos nós, como o Luís pode testemunhar, que convencemos Fernando Anselmo, então a viver em Montreal, a ir treinar os Bravos.

** Alguns dos melhores jogadores que ingressaram sensivelmente na mesma altura nos Bravos, também tiveram a nossa influência.

Especial
Em 1977, um novo ciclo estabeleceu-se na vida da Associação sob a presidência de Luís Martins, que ainda penou para reaver a liderança do organismo. Um prazo de três meses foi preciso para provar que a capacidade da nova equipa estava lá... Antes, porém, Luís Martins já tinha demonstrado que maturidade diretiva era coisa que não lhe faltava. E isto provou-o, em 1976, quando levou a equipa dos Bravos aos Açores, uma iniciativa pioneira para a época.
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