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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Em Sainte-Thérèse...

«Se há hoje uma associação, isso deve-se ao futebol»

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Quem o diz, com verdade comprovada por muitos, é Luís Martins, o maior cabouqueiro da Comunidade Portuguesa da Baixa Laurentides.

Chegou ao Quebeque, mais precisamente a Sainte-Thérèse, em janeiro de 1965. Tinha 18 anos e muitos sonhos no horizonte. Esse rapaz da época era (é) Luís Martins, natural de Santa Cruz, na Lagoa. Veio para a família. Casou cá poucos anos depois, também com uma jovem (Maria Varão) natural do Rosário, igualmente oriunda de Lagoa. Aquela que deveria ser sua esposa já vivia com os pais em Ste-Thérèse. Tiveram dois filhos, o rapaz, Nelson – hoje homem, claro – vive na região das Laurentides. Quanto à rapariga, Elsie, tem a cidade de Londres por residência, visto que trabalha para a BBC. Já agora, num acrescento, e para quem não saiba, a Elsie Martins antes de chegar àquela famosa rádio de ressonância mundial, foi animadora no canal Music-Plus, em Montreal.

Voltando ao Luís, pai da Elsie.

Amante de futebol, modalidade rainha em Portugal, mas sem nunca ter jogado futebol federado, Luís Martins tem necessidade de fazer qualquer coisa para divertimento seu e dos seus novos amigos. Nessa altura, verão de 1965, a comunidade portuguesa de Ste-Thérèse era pujante, com a contínua chegada de emigrantes. Daí a formar-se uma equipa de futebol foi um pequeno passo. Primeiro jogavam uns contra os outros, nos baldios da cidade, mas depois foram aventando hipóteses até chegarem ao aluguer de um local. Neste aspeto teve influência decisiva Angelino Cabral, outro lagoense, ao receber o recém-criado grupo de futebol, ora nas traseiras da sua mercearia, ora na sua garagem.

STE BRAVOS campeoes DSC_0566.JPG

De grupo ad hoc, a equipa foi-se organizando, ao ponto de pouco depois já ter um treinador, António Raposo, já falecido, e uma direção formada por José Fonseca, Manuel Santos, Manuel Paulo, José Cebola – citado noutro texto deste jornal Especial – Henrique Catarino e, claro, o jovem Luís Martins, que por jogar, mesmo se mexia os cordelinhos, tinha deixado a presidência do time para António Paulo, que não jogava...

Depois de fartos dos jogos amigáveis, em 1967, os Bravos, nome que tem também a sua história, ingressaram numa liga em Laval para, em 1969, passarem para a Liga Nacional, composta por equipas de localidades situadas fora da cidade de Montreal. E quando tudo parecia funcionar, eis que a liga desaparece por falência... mais uma dor de cabeça para a direção do jovem grupo de atletas.

Mas um ano depois (1970) as coisas entram de novo no bom caminho, com a adesão à 2ª. Divisão da Ligue Metropolitain, de certa forma uma extensão da Nacional, mas agora em moldes muito mais sólidos. Nesta liga, os Bravos passaram a defrontar sobretudo equipas com ascendência nas comunidades britânicas, viajando para Dorval, West Island, Pointe- Claire, Pierrefonds, etc. E deram-se bem os Bravos nesta liga, onde dois anos mais tarde foram coroados campeões. Subiram por isso de divisão em 1973; «contrataram» um novo treinador na pessoa de Guilherme Fragoso – também referido noutro artigo desta edição do LusoPresse – que acabava de colocar pé no Quebeque. Este novo impulso dos Bravos teve a sua génese na presidência, agora oficial, de Luís Martins, escolhido presidente já no dealbar de 1970.

De 1973 a 1975, os Bravos foram marcando cada vez mais uma presença futebolística com alguma segurança. Foi nessa altura que apareceu a compra das instalações em que hoje está instalada a Associação Portuguesa. Mas essa compra teve as suas peripécias, com «zaragatas» à mistura, mas que não foram suficientemente nefastas para que os portugueses de Ste-Thérèse tivessem o seu local de reunião, de ponto de encontro.

Foi, outra vez, o Luís Martins a tomar a dianteira. Um local que passa ao fogo muito perto da Mercearia de Angelino Cabral, o tal local onde se reuniam os Bravos antes e depois dos jogos, uma oferta de venda que aparece... De compra, em concreto, só podia aparecer um grupo motivado, pois os obstáculos eram muitos, a começar pelo preço elevado que era pedido.

Reunidas todas as forças vivas à volta da equipa de futebol, e com o Luís Martins como presidente, o negócio só tinha que dar certo. Como deu. Para isso, os dirigentes tiveram que avançar com dinheiro do próprio bolso, para custear a primeira entrega e que, ao mesmo tempo, desse para caucionar o empréstimo a pedir -– exigido! – pela entidade bancária envolvida na transação. Alguns ainda assustaram com as suas maledicências. Mas a crença de gente motivada resultou na compra do almejado prédio.

1974, ano de fundação

O grupo de fundadores foi composto de Luís Martins, Imitério Soares, Adriano Pereira, já falecido, Manuel Paulo, José Cebola, Fernando Lúcio, António Raposo, também já falecido, Gil Cabral, Manuel Matos, José Gonçalves, José Fonseca e René Epinard, o único não português. Foram estes homens que adiantaram 100 dólares cada um para caucionar um empréstimo de mais 50 mil... Naquela altura uma verba muito avultada!

Depois vieram as discussões sobre o nome e o lugar do futebol no interior do novo organismo. A escolha de cargos na direção também teve o seu momento de fricção. Imitério Soares chefiou a primeira direção até 1976. O seu vice foi José Cebola. Nesse período apareceram, segundo Luís Martins, algumas desavenças entre açorianos e continentais. Essa situação manteve-se até à tomada de posse de Luís Martins como novo presidente, em 1977. Uma das principals razões do conflito estava centrada no futebol... Tudo se recompôs com a direção de Luís Martins, na altura com 30 anos e julgado pelos seus opositores como muito novo para dirigir os destinos da novel Associação Portuguesa.

Especial
Quem o diz, com verdade comprovada por muitos, é Luís Martins, o maior cabouqueiro da Comunidade Portuguesa da Baixa Laurentides.
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