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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Vive em Ste-Thérèse...

Fragoso, o lateral dos grandes «lançamentos em queda»

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Nasceu no Porto dos Carneiros, na freguesia do Rosário, na cidade de Lagoa, de uma relação extraconjugal (de mãe viúva) e vive em Ste-Thérèse desde 17 de junho de 1973 – dia em que realizámos esta entrevista, por mera coincidência, claro. Estamos a falar de Guilherme Costa - Fragoso; Costa, por parte da mãe, e Fragoso, por banda do pai. De resto, toda a gente, em Lagoa e na ilha, como já irão ver, só o conhecem por Guilherme Fragoso, pela abastança do pai e, sobretudo, pela sua ligação como futebolista ao clube da terra, o Operário Desportivo.

Guilherme Fragoso, antes de rumar ao Quebeque e se instalar com a mulher e três filhos (Guilherme Luís, Jorge e Emanuel, há um quarto, o Filipe, mas este já de nacionalidade canadiana) em Ste-Thérèse era um homem realizado. Primeiro através do desporto, ao fazer parte durante 11 anos do Clube Operário Desportivo que, naquela altura, tempo do fascismo em Portugal, onde as oportunidades eram escassas, o desporto era praticamente o único trampolim para se subir socialmente; e, depois, por trabalhar na Fábrica do Álcool, como condutor, cujo emprego era seguro e onde se ganhava mais do que «cá fora».

– Se fosse hoje, com certeza que não teria deixado a minha terra, diz-nos Guilherme Fragoso, nome pelo qual sempre o conhecemos desde rapaz. «Mas naquela altura havia a ilusão do Canadá e na ilha as coisas eram difíceis, apesar de tudo. Com três filhos para sustentar e dar estudos, se eles quisessem ter um melhor futuro, não tinha a certeza de que conseguiria... No essencial foi isso que me fez emigrar. E como tinha cá, em Ste-Thérèse, um cunhado (Gil Cabral), tudo se tornou mais fácil», atalha o homem de 80 anos que me dá esta entrevista sentado numa cadeira na sala grande da Associação Portuguesa, praticamente o único local de lazer que frequenta na cidade.

De resto, é também na Associação que se diverte a jogar às damas, nomeadamente com Eugénio de Melo, um conterrâneo de Lagoa – lugar de Atalhada – que também foi seu colega nas fileiras do Clube Operário Desportivo nos anos 50 e 60.

E por falarmos na Associação Portuguesa, é importante dizer que Guilherme Fragoso também tem a sua quota parte de mérito na fundação daquele organismo quando desempenhou o cargo de treinador dos Bravos – foi esta equipa que deu origem à fundação da Associação – numa altura em que tudo era rudimentar, em termos de organização, mas também na qualidade dos jogadores que a integravam, por não terem, na sua maior parte, grande qualidade técnica. «Tinham muita vontade, força física; o contacto com a bola é que era difícil, por falta de técnica... Mas isso não impediu que fizéssemos coisas interessantes, apesar, como já disse, de haver poucos valores. Treinei o grupo durante dois anos. Por fim já tínhamos instalações». Recorde-se que a Associação Portuguesa foi criada em 1974.

Depois de um tempo de repouso, Guilherme Fragoso voltou ao contacto com o futebol. Isso aconteceria por nosso intermédio quando o convidámos para integrar o Grupo de Árbitros da Liga de Futebol Comercial Portuguesa, na qual éramos, simultaneamente, presidente dos dois organismos.

É preciso dizer que Guilherme Fragoso, depois de 12 anos como futebolista, onze no Operário e um nos «Verdes», também de Lagoa, enveredou pela carreira de árbitro de futebol na Associação de Futebol de Ponta Delgada, entidade máxima desta modalidade desportiva na ilha de S. Miguel. Aqui, tornou-se um dos bons árbitros açorianos, tendo dirigido grandes jogos, como célebres União Micaelense x Santa Clara, duas das melhores equipas de futebol da época. Para quem se lembra, basta falar em nomes como Repas, Silveira Vicente, Norberto, Melão, Furnas, nos Pretos de Ponta Delgada, e de Artur, Augusto Moniz, Narciso, Costa Pedro, Pico-Rosa, nos Vermelhos... Neste domínio, Guilherme Fragoso ainda hoje sente profundo desgosto por nunca lho terem indicado para dirigir um jogo em que participasse o Operário.

– Cheguei a perguntar aos meus superiores o porquê desse facto... Eles nunca me deram uma razão válida, embora, sabia eu, que era por eu ter sido atleta do Operário... Mas nunca deu para compreender, isto quando outros colegas de Ponta Delgada apitavam as equipas da sua cor clubística preferida.

No seu currículo futebolístico, Guilherme Fragoso lembra-se de ter ganho um Campeonato de São Miguel e de ter participado, sem ganhar, no Campeonato Açoriano. Mas isso aconteceu numa época em que o Lusitânia, da Terceira, era «dono e senhor» do futebol ilhéu, onde pontificavam jogadores como o Airosa, Teófilo, Vicente, Couto, entre outros...

«Não ganhei muitos troféus, mas deleitei-me a jogar futebol. E fui companheiro de grandes atletas, como José Eleutério – o melhor de todos no Operário! –, Noá, José Americano, Baganha e, o melhor de todos, João Maciel, o guarda-redes que fez frente a equipas como o Braga e que não singrou no Porto apenas pela sua cabeça. O jogador mais difícil de marcar? Sem dúvida o Calisto do Santa Clara».

Para terminar, o pai de três bons jogadores de futebol – Jorge, que foi apontado ao Belenenses em certa altura do seu percurso futebolístico e não foi para o Operário por opção, Emanuel, e Filipe – considerou-se um jogador razoável, útil à sua equipa, mesmo se começou a jogar futebol com 20 anos, já tarde, mesmo naquela altura, para quem quer ter ambições.

Da nossa parte, que ainda o chegámos a conhecer como jogador da primeira equipa do Clube Operário Desportivo, Guilherme Fragoso era mais famoso nos campos de futebol pelos seus longos lançamentos de linha lateral em queda – quase um chuto para muitos... – do que pela sua habilidade técnica, visto as suas qualidades primarem mais pela pujança e gabarito físicos.

Entrevista
Nasceu no Porto dos Carneiros, na freguesia do Rosário, na cidade de Lagoa, de uma relação extraconjugal (de mãe viúva) e vive em Ste-Thérèse desde 17 de junho de 1973 – dia em que realizámos esta entrevista, por mera coincidência, claro. Estamos a falar de Guilherme Costa - Fragoso; Costa, por parte da mãe, e Fragoso, por banda do pai. De resto, toda a gente, em Lagoa e na ilha, como já irão ver, só o conhecem por Guilherme Fragoso, pela abastança do pai e, sobretudo, pela sua ligação como futebolista ao clube da terra, o Operário Desportivo.
Guilherme Fragoso.doc
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