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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Agosto de 2019
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Gilles Charron, apaixonado de história e quase museólogo

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

O ex-jornalista Gilles Charron representa uma boa parte da memória de Sainte-Thérèse. Um investigador incontornável para compreender as bases históricas e mesmo o perfil contemporâneo da cidade. Encontramo-nos com ele no Museu regional Joseph Filion onde estão conservados inestimáveis arquivos, donde uma parte numa casa forte. É o quartel-general da Sociedade de História e de Genealogia das Mille-Îles. Investigador, autor, promotor e animador, o septuagenário merece todos estes títulos no seu trabalho de conservador. Com o telemóvel na mão, muito tecno, com uma página Facebook também, o erudito do passado mete-se à nossa disposição por um bom momento (e também para nos guiar até aos seus amigos Élie Fallu e José Cebola).

Depois de ter folheado na biblioteca da cidade publicações assinadas por Gilles Charron, hesitamos entre uma entrevista e uma visita da antiga forja transformada em museu. «Temos três andares de antiguidades nesta casa de pedra, informa-me o nosso anfitrião que nos apresenta o seu alter ego André Thériault (outro apaixonado do passado, fotógrafo nos seus tempos livres, chave USB suspensa ao pescoço), enquanto duas damas fazem uma escolha num dom de pins.

O que vimos nesta caverna de Ali Baba dá-nos vertigens. Os açorianos minimamente ligados ao património (eles são legião) têm lá um excelente modelo a imitar. Porque não fazer a caça sistemática a todos os artefactos ainda existentes em vista de os expor? Mesmo no Quebeque, este pequeno museu merece ser mais conhecido. «A casa da forja de Joseph Filion data dos anos 1860, com uma autêntica forja, o velho fole e mais de 500 utensílios de forja, de marcenaria e de sapateiro», explica a publicação Le Citoyen.

Piano, marchés aux puces e fotos

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André Thèriault (gauche) et Gilles Charron (droite) devant les rayons.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

«Não sou museólogo», explica o pesquisador de tesouros, mas ele instalou manequins vestidos de fatos da época a fim de adicionar estilo aos velhos objetos. O clero de antes da Revolução Tranquila, com os seus padres e as suas religiosas de hábito recuperam o seu lugar de honra. A sala John Tapp (1896-1958) revela um anticonformista fazendo pensar num cowboy com o seu revólver, fundador de um zoo que por pouco se tornava o grande zoo da província (e tirava a Granby a ideia de abrir um). Gilles Charron mostra-me uma velha caixa de ovos que comprou recentemente por 10 dólares. «Vou muitas vezes aos marchés aux puces de Montreal». Ele próprio se improvisa manequim diante dum velho piano Lesage. Quem sabe que nos encontramos na cidade dos pianos, visto que já houve quatro fabricantes na «cidade das artes». Ao descer a estreita escada de madeira, vejo que as paredes estão cobertas de magníficas fotos de sérios diplomados antigos – como se estivéssemos no Museu McCord.

Enquanto lhe descrevia museus com a mesma vocação etnológica em São Miguel (porque não geminações?), mostro-lhe a minha medalha comemorativa do 500º aniversário da fundação de Água de Pau. «Cinco séculos de história, enche bem um museu», concordamos facilmente. O autor Gilles Charron examinou as origens das ruas da sua cidade. Boa maneira de descobrir a presença anglófona que vem do século XIX. Por exemplo, Thomas-Kimpton, Greenwood, Birchwood et Sherbrooke. Muitas vezes nomes de famílias que acabaram com o tempo por «adotar um caráter francês». No caso de Hemlock, a Sociedade Saint-Jean Baptiste da época protestou contra a escolha deste nome inglês. Resumindo, a par de poucas exceções, a cidade é essencialmente francófona.

A estátua miraculosa da Virgem

Gilles Charron leva-me em seguida ao lugar mais importante do património religioso. A igreja Sainte-Thérèse-d´Avila possui «o campanário mais alto do Quebeque». As cruzes do cimo seriam a obra do ferreiro Joseph Filion. Menos de ano e meio após a sua construção em 1887, o custo da construção foi rapidamente amortecido pelos fiéis num grande ímpeto de generosidade, sublinha-me o meu cicerone. Um elemento de comparação com os açorianos? A estátua milagrosa da Virgem bem à vista num altar. Esta estátua de cartão prensado foi retirada intacta dum incêndio que destruiu a antiga igreja em 1885. Não me posso impedir de pensar na imensa procissão de Nossa Senhora dos Anjos em Água de Pau. Igualmente, a pequena igreja de Monte Santo onde apareceu a Virgem Maria, uma outra história que fascinará os turistas.

Antes de deixar o monumento central da paróquia fundada em 1789, trocamos algumas palavras sobre Richard Grenier e sobretudo Daniel Laliberté, harmonista do construtor de órgãos Laliberté-Payment. A sua equipa está a reparar o venerável instrumento situado no coro. Os tubos do órgão Eusèbe Brodeur (nome do fundador da firma) estão lindamente gravados. Foi ocasião de saber que a célebre sociedade Joseph Casavant, agora internacionalmente conhecida, já esteve aberta numa rua de Sainte-Thérèse. Outro sinal concreto do importante passado artístico da cidade.

 

Especial
O ex-jornalista Gilles Charron representa uma boa parte da memória de Sainte-Thérèse. Um investigador incontornável para compreender as bases históricas e mesmo o perfil contemporâneo da cidade. Encontramo-nos com ele no Museu regional Joseph Filion onde estão conservados inestimáveis arquivos, donde uma parte numa casa forte. É o quartel-general da Sociedade de História e de Genealogia das Mille-Îles. Investigador, autor, promotor e animador, o septuagenário merece todos estes títulos no seu trabalho de conservador.
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