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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Freguesia de Nossa Senhora do Rosário

«Faltam estruturas hoteleiras para um maior desenvolvimento»

Norberto Aguiar

Entrevista conduzida por Norberto Aguiar

Gilberto Borges está à frente da maior freguesia do concelho, que é Nossa Senhora do Rosário. Ela tem um pouco mais de cinco mil pessoas, num espaço geográfico de cerca de 6,5 quilómetros quadrados. A sul tem o mar, a norte a freguesia de Cabouco. Fica a poente da sua freguesia-irmã, Santa Cruz, com quem partilha o aglomerado de cidade – elevada a esse estatuto em 2013, era presidente o engenheiro João Ponte –, enquanto fica a nascente da freguesia do Livramento, esta já fazendo parte do município de Ponta Delgada.

Tendo substituído Durval Faria, que mais atrás no tempo havia tomado o lugar de Jorge França, Gilberto Borges está reformado, mas ligado à Junta como presidente a meio-tempo. «Passo parte do meio dia-a-dia aqui, na sede da Junta», começaria por nos dizer o homem que também tem no desporto um passatempo de todos instantes. Chegou a dar uns toques nos juniores da equipa de futebol do Operário do seu tempo. Mas foi como treinador de basquetebol, também no Clube Operário Desportivo, que deu o seu melhor, isto para além de a dado momento do seu percurso também ter sido dirigente desportivo. Tudo isto para dizer que não admira que Gilberto Borges seja, hoje, o dirigente máximo de Lagoa a nível político.

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Gilberto Borges, presidente da Junta de Freguesia do Rosário.
Foto  - LusoPresse

«Antes de chegar a presidente passei por todos os cargos políticos desta freguesia. Cheguei a ser o seu presidente da Assembleia... São já seis anos nesta vida, que é stressante, mas ao mesmo tempo apaixonante. Embora renitente, decidi aceitar o convite do meu antecessor e aqui estou. Concorri como independente pelo Partido Socialista», informa-nos Gilberto Borges sentado à sua secretária, no edifício de dois andares da Rua Doutor Botelho, a dois passos do centro económico, social, e cultural da freguesia.

«Sabes, não é fácil estar à frente duma freguesia destas, onde há uma série de problemas, a começar pela pobreza que existe, muita dela escondida. E a crise por que passamos só veio agravar a situação. Há muita falta de emprego. Todos os empregadores, principalmente os da construção civil, reduziram o seu pessoal ou fecharam portas. Essas medidas vieram naturalmente complicar a vida de quem precisa de trabalhar para satisfazer as suas necessidades. A Junta, a Câmara e mesmo o Governo Regional têm implementado algumas medidas de apoio. Mas, de momento, não chega. Há que criar mais postos de trabalho. Como e para quando? Fala-se que a crise vai passar. Estamos à espera que isso aconteça. Não se esqueçam que também somos uma freguesia de pescadores, que também têm os seus problemas, principalmente no inverno, quando há mau tempo e eles não vão ao mar. Há mesmo pescadores a mudar de vida, optando por outras profissões... O resultado disto tudo é muita gente remetida ao Rendimento Mínimo de Inserção Social. Mas isso não pode continuar indefinidamente... Essas pessoas precisam de trabalho. Para remediar, isto como medida transitória, convidamos esses beneficiários para trabalhos ligeiros da Junta, por períodos diários de quatro horas e um dia obrigatório de formação para os mantermos ativos e com a maior das dignidades. Assim, quando aparecer uma oportunidade de trabalho efetivo, eles estarão melhor preparados. Eles ou elas, claro».

Agora virando a nossa atenção mais para os grandes projetos da freguesia.

«O que falta à freguesia do Rosário e por conseguinte à Lagoa, são mais e melhores infraestruturas hoteleiras. Neste momento não temos sequer um hotel na cidade. Temos uma Pousada (da Juventude) – pertence à Câmara e é a única nos Açores que não é propriedade do Governo dos Açores, soubemo-lo durante a nossa recente digressão ao arquipélago a convite de Paulo Teves, diretor regional das Comunidades – com 50 camas, uma residencial (Arcanjo, 33), um aldeamento turístico (Nossa Senhora da Estrela, 94) e um Resort (Paladares da Quinta, 30). No total são 207 camas. É muito pouco para podermos reter os turistas na cidade de maneira a que o comércio, os restaurantes e afins possam beneficiar de dinheiro novo. No resto temos bons restaurantes – Traineira, Borda d'Água, Cruzeiro, Paladares da Quinta, José do Rego, O Alambique, Rabaça, Q' é Nosso, Porto dos Carneiros, O Carlos, Félix... Um complexo de piscinas de mar que é o melhor dos Açores – tem piscina aquecida e ginásio –, igrejas lindíssimas, permanentemente abertas ao público, a reputada Cerâmica Vieira, com todo o seu historial de mais de 100 anos, o Centro Vulcanológico, o Expolab, e para quem gosta de desporto há o campo João Gualberto, e ainda os campos de ténis no lugar de Atalhada. Há também outras ofertas desportivas ou de cariz cultural», relata-nos Gilberto Borges, nosso conhecido desde a nossa pré-adolescência.

Mas, em termos de projetos, Gilberto Borges ainda tinha mais para nos «dar» ...

«Ainda relativamente à atração turística, com projeto já previsto, está a construção do Passeio Marítimo entre o Portinho de São Pedro e o lugar de Atalhada, uma obra que pela sua dimensão e espetacularidade só vem beneficiar a nossa zona da Orla Marítima, uma das mais bonitas dos Açores e que certamente muito vai agradar aos residentes da ilha, dos Açores e dos turistas que nos possam visitar. A ampliação do Porto dos Carneiros, que virá oferecer melhores condições de trabalho para os nossos pescadores, a começar por um melhor atracamento dos seus barcos entre saídas e entradas, é outra medida de grande alcance para a freguesia e para a Lagoa na sua total dimensão. São dois projetos que implicam avultados investimentos. Daí que estejam dependentes dos apoios do novo quadro comunitário».

Em termos mais imediatos, Gilberto Borges centrou o seu discurso na reconstrução e manutenção de habitações degradadas, outro dos grandes problemas da localidade. «Sabes, há casas onde moram dois e três casais com filhos. Temos de pôr cobro a isso. E todos têm de colaborar. Curiosamente, até os emigrantes que têm casas fechadas e que as podem pôr à disposição da comunidade, alugando-as. Ou, porque não? investindo na sua freguesia. E eu acho que neste momento até se está num bom período para se investir no conjunto que forma a Lagoa».

Sem se deter, o presidente rosarense continuaria dizendo que «investimento, sim, mas sem descaraterizar a freguesia». Para depois insistir que «a nossa prioridade está totalmente voltada para a parte social da nossa população. Habitação e criação de emprego continuarão forçosamente a fazer parte das nossas preocupações diárias, já que os eleitores do Rosário nos elegeram para que tivéssemos em consideração o seu bem-estar».

Nesta demorada conversa ficamos com a sensação de que entre todas as preocupações de Gilberto Borges há uma boa dose de otimismo sobre o que pensa do futuro da freguesia do Rosário e suas gentes. Vejam se não temos razão.

– A construção do Tecnoparque foi o melhor que aconteceu para a freguesia. Lá está o Nanogan, complexo onde estão instaladas muitas empresas ligadas ao Saber, onde há bons empregos e excelentes salários. E, a breve trecho, vai ali ser construído um importante hospital privado (São Lucas), com uma unidade de medicina nuclear. Tudo isso vai se transformar em mais criação de emprego, consequentemente com benefícios para toda a comunidade. E esta crise que se vive não ficará cá para sempre.

A entrevista, de certa forma alongada, termina aqui. Porém, ainda deixamos nestas páginas mais alguns considerandos importantes, extraídos do nosso bate-papo com Gilberto Borges.

– São 21 instituições que a freguesia apoia anualmente. Começa no Clube Operário Desportivo, o maior baluarte desportivo de todo o concelho, prossegue com os clubes de Judo, Ténis, Náutico, Pesca Desportiva, Atalhada Futebol Clube; e termina nos organismos (vários) de cariz social ligados, nomeadamente, aos jovens, aos idosos, às igrejas, etc... Musicalmente estão na linha da frente «O Grujola», Orfeão N. S. do Rosário, e a centenária Filarmónica Lira do Rosário.

– Esse apoio, no valor de 10 porcento do orçamento anual da Junta, é efetivo porque «achamos que tem um papel determinante nos apoios social, cultural e desportivo junto da comunidade que servem».

– «Não. Apesar do seu crescimento, a Atalhada não está na lista para ser elevada à condição de freguesia».

– «As Socas estão previstas para desenvolver no próximo Plano Diretor Municipal. É que a freguesia começa a ter falta de espaço.

– «Temos intenção de reativar o Mercado, uma boa recordação do passado».

Especial
Entrevista conduzida por Norberto Aguiar
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