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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - domingo, 17 de Novembro de 2019
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Em Santa Cruz

«Desemprego e falta de habitação social, os nossos flagelos»

Norberto Aguiar

Entrevista de Norberto Aguiar

Poucos sabem que nasci em Santa Cruz, na rotunda da Canada Larga – não sei se ainda se chama assim... – no dito Cabo da Vila. A minha bisavó materna, que adorava minha querida mãe, morava a 50 metros, na inclinada descida para o centro da freguesia, isto de quem vinha do lado de Água de Pau.

Santa Cruz é uma localidade de pouco mais de 4 mil pessoas – em número é a terceira do concelho, atrás do Rosário, a maior, e de Água de Pau. Mas, bem vistas as coisas, é nesta freguesia que está –– estava porque já secou há muito – a lagoa que lhe deu nome. Fica à beira-mar, nos baixos terrenos diante da Igreja Matriz de Santa Cruz. Outra particularidade é que é em Santa Cruz que está o poder político do concelho, como seja a Câmara Municipal. Outros pontos importantes, como o Convento dos Frades, agora uma imponente biblioteca e sítio de grandes promoções culturais, a Casa da Cultura Carlos César – sim, sim, esse mesmo, o do até há quatro anos presidente do Governo dos Açores – ficam situados nesta freguesia que não se safa do estereotipo de «freguesia dormitório» do Rosário, a mais industrial, comercial, e cosmopolita do concelho.

Veio do Canadá para assumir a Junta

Junta freguseia ST Cruz.JPG

Nasceu em Terrace (Colômbia Britânica) – cidade que conheço por lá ter passado a caminho de Kitimat integrado na comitiva de Carlos César numa digressão que fez, em 2003, de costa a costa do Canadá – e com 20 anos regressou a Santa Cruz, terra dos pais. Adriana Rebelo – não sei se é da família, pois minha mãe era Rebelo por parte de sua mãe, e que já disse que era dali, do Cabo da Vila – ao chegar aos Açores confrontou-se com o problema da língua, muito embora falasse o português que os pais lhe tinham ensinado... Pouco para a nova realidade. Mas ela já tinha passado pela ilha antes. Isto de certa forma ajudou. Depois, os amigos e o trabalho acabaram por fazer o resto. E hoje, Adriana Rebelo não só é uma empresária de sucesso no ramo do imobiliário, como é presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz. Substituiu um dinossauro (António Augusto) da política local e vai a caminho do fim do seu primeiro mandato. E pelo andar das coisas é possível que em 2017 ela se apresente de novo como candidata, muito embora não deixe parecer isso ao jornalista.

«Em Santa Cruz temos alguns problemas, como penso acontece em todo o lado. E os mais recorrentes são o desemprego e a falta de habitação social. Isso causa desconforto aos que têm necessidade, e a nós, que somos contactados para resolvermos os problemas. Há falta de dinheiro para pagar a eletricidade e a água. Há ações de despejo.... Felizmente que vamos arranjando saída para alguns pedidos. Mas há outros com que nada podemos fazer, como os bancos reaverem as casas por falta de pagamento. Uma desgraça. Já temos trabalhado com a Câmara e com o governo regional para acudir na habitação social, única saída para os mais pobres. É isto que nos moraliza para continuarmos o nosso trabalho», diz-nos Adriana Rebelo com algum brilho nos olhos.

«A nossa função de presidente é quase como que a de uma pessoa que tem de ter conhecimentos de assistente social de maneira a perceber os dramas da freguesia. E tudo temos que fazer para evitar isso», reforça a política mãe de família.

Pondo de lado essas duas grandes problemáticas, que fazem parte das suas maiores preocupações diárias, Adriana Rebelo mostra-se contente com o estado geral da freguesia, a qual tem boas infraestruturas, tanto no plano cultural como no desportivo. No plano cultural já falámos na Casa da Cultura Carlos César, no Convento dos Frades; a freguesia também está bem servida de grupos musicais e no desporto tem campeões nacionais na patinagem artística. De resto, no seu polidesportivo já se assistiu à disputa de campeonatos nacionais e finais de Taças de Portugal.

Cartaz festivo importante é a realização todos os anos das Festas de Santo António, das melhores que se realizam na ilha. Este ano comemoraram-se os 25 anos.

Depois de ter nascido no Canadá, ter servido de intérprete em jovem a quem precisava na zona de Terrace, eis que Adriana Rebelo regressa aos Açores para ser presidente da Junta de Freguesia da terra dos pais. «Um orgulho para eles», assume com firmeza.

Mas Adriana Rebelo também singrou na primeira profissão que abraçou, sendo hoje uma empresária de sucesso.

Curiosamente, Adriana tem um irmão a viver na região de Montreal, depois de também ele ter passado por um largo período de vivência em São Miguel.

Especial
Poucos sabem que nasci em Santa Cruz, na rotunda da Canada Larga – não sei se ainda se chama assim... – no dito Cabo da Vila. A minha bisavó materna, que adorava minha querida mãe, morava a 50 metros, na inclinada descida para o centro da freguesia, isto de quem vinha do lado de Água de Pau.
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