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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Agosto de 2019
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Deputado e presidente da câmara:

Élie Fallu, foi testemunha e promotor da integração.

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

Élie Fallu recebe-nos no moderno 7º andar da sua casa com vista para as Laurentides. Do sétimo cheio de sol, nós distinguimos ao longe o estádio olímpico. O nosso anfitrião dispôs sobre a mesa meia dúzia de porcelanas de que tem muito orgulho. A recordação de quatro ou cinco viagens a Portugal. Depois de ter sido deputado do Parti Québécois (1976-85), Élie Fallu foi presidente da câmara de Sainte-Thérèse durante 19 anos (1987-2005). O doutor em história foi testemunha da vivência dos Portugueses na sua cidade. Também, artesão direto da sua integração.

«Em 1963, rua Lonergan, era vizinho do primeiro português imigrado em Sainte-Thérèse: facilmente reconhecível porque era o único a ter transformado o seu terreno (riso) numa horta. Depois, a imigração dos Açores começou de modo massivo no fim dos anos 1960. A Associação Portuguesa de Santa Teresa (APST) data de 1974. Os membros alugaram, depois compraram o local». Novo deputado, Élie Fallu participou em seguida às primeiras etapas da sua implementação (animação, financiamento, incluindo a autorização da venda de bebidas alcoólicas) o que criou sólidos laços de amizade.

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Elie Fallu, o homem por quem passou a geminação entre as duas cidades.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

«Um grupo como este que vem para aqui em grande número, às centenas, não é sem significado. Que não se colaram uns aos outros num mesmo bairro. Foram para todo o lado, a Boisbriand, sobretudo a Sainte-Thérèse e também a Blainville por razões de disponibilidade de habitação. O grupo de imigrantes o mais numeroso aqui. Porquê aqui? Tenho a impressão que foi um cacho humano. Vem um e os outros seguem. Os parentes. Eles trabalhavam no Dion, a fundição, o asfalto, a fundição e o betão», continua o reformado aparentemente em grande forma.

Exclusão e promoção

«Não tenho medo de o dizer, era a realidade da época, imigrantes com problemas de exclusão quase total porque havia muito pouco contacto com o conjunto da sociedade. A dificuldade de só acharem pequenos empregos. A maior parte não tinha feito senão um pouco da escola primária. Era preciso fazer com que os jovens conhecessem uma promoção social», recorda-se o homem de 84 anos – que nasceu filho de camponês na Gaspésie.

«Eles desembaraçaram-se por intermédio da associação. Fizeram-se adotar pela paróquia do Coração Imaculado de Maria. Em seguida, foi a ascensão social. O primeiro conselheiro municipal foi eleito em Blainville cerca de 1976-77 e o segundo, Luís da Costa em Sainte-Thérèse quando eu era o presidente. Igualmente, estudos superiores. Um primeiro conseguiu chegar à universidade do tempo em que eu era deputado: recuperamo-lo para um gabinete do governo do Quebeque. Era um grande orgulho para eles: a inclusão», especifica o professor que foi por um curto tempo ministro da Imigração (1985).

«Era preciso dar-lhes uma ajuda por que viviam fechados entre si. Apesar da associação não ser um local de isolamento. Eram muito acolhedores, convidavam-nos para as suas cerimónias religiosas, as procissões na vila. A geminação de 1994 foi uma escolha natural e espontânea, pois cerca de metade vinham de São Miguel. Mais particularmente de Lagoa. Donde, uma relação serrada, encadeia o teresiano. Pensava-se no aspeto cultural, mas havia todos os outros, como o desporto. Foram eles que nos trouxeram o futebol. Já em 1974, as primeiras equipas semiprofissionais. Foram os primeiros atletas que ensinaram às nossas crianças. Uma das minhas filhas fez durante muito tempo parte do primeiro clube feminino: o seu treinador Armando Melo é agora conselheiro municipal».

Francês e português

«A lei sobre as línguas do Quebeque permitiu a sua integração linguística. Houve durante muito tempo no CLSC uma empregada de origem portuguesa para fazer a ligação entre os idosos e os serviços públicos. Uma vontade de agir em concerto. Era o mesmo por todo o lado. A ajuda direta à comunicação: ir até fazer com que os avós fossem incitados a ensinar o português aos netos porque havia a quebra de uma geração. É uma riqueza uma língua: não se evacua uma cultura assim.

O contexto do pacto de amizade de 1994? Catorze municipalidades das Laurentides foram geminadas com municipalidades francesas. Sainte-Thérèse é-o com Annecy desde 1987 (sem que haja nenhum núcleo de imigração do Hexágono no nosso lado). Annecy foi assim um modelo de funcionamento. Aliás, Sainte-Thérèse é a única do Quebeque geminada a uma cidade de Portugal. «Só duas, pois custa caro uma geminação, não se pode fazer muito», avisa M. Fallu.

«Lagoa era excecional, ia naturalmente. Era uma espécie de reconhecimento dum grupo humano que escolheu imigrar para aqui, mas que ao mesmo tempo, digamo-lo entre aspas, tinha dificuldades. É uma verdade histórica, eles eram muito pobres, pouco instruídos. Era ao mesmo tempo uma homenagem que lhe rendíamos e sobretudo uma vontade de integração.

«O não-dito é importante aqui. Quando uma sociedade é rica, instruída, com um seminário desde há 200 anos, uma facilidade intelectual, bibliotecas, níveis de escolaridade elevados… E lá tu tens uma comunidade que tem falta de recursos intelectuais, que tem pouco enquadramento. Só pequenos trabalhos. Sem liderança que se possa recuperar. Mas lusófonos, donde alguns conhecem o francês. Eles estavam longe da anglicizarão. Tínhamos vantagem em estar perto deles, em apoiá-los, a ajudá-los, eu diria mesmo, a amá-los (risos). Era preciso ver a atual composição aqui da sociedade portuguesa… a mixagem francófona e lusófona. Houve uma mistura importante.

«Estou muito feliz. É um belo sucesso de integração e de acolhimento», conclui o octogenário de cabelos brancos.

Especial
Élie Fallu recebe-nos no moderno 7º andar da sua casa com vista para as Laurentides. Do sétimo cheio de sol, nós distinguimos ao longe o estádio olímpico. O nosso anfitrião dispôs sobre a mesa meia dúzia de porcelanas de que tem muito orgulho. A recordação de quatro ou cinco viagens a Portugal. Depois de ter sido deputado do Parti Québécois (1976-85), Élie Fallu foi presidente da câmara de Sainte-Thérèse durante 19 anos (1987-2005). O doutor em história foi testemunha da vivência dos Portugueses na sua cidade. Também, artesão direto da sua integração.
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