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rss  Vol. XX - Nº 353         Montreal, QC, Canadá - sábado, 24 de Agosto de 2019
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Armando Melo:

Futebol, política, e honra maior, <<cidadão sainte-thérèse="" de="">>

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

Por si só, Armando Melo representa muito bem o vivido e o futuro da comunidade portuguesa, exatamente como o progresso do futebol no Quebeque. O açoriano de Atalhada chegou no seu novo país com a idade de 9 nos e depressa se integrou na maioria francófona da escola de Sainte-Thérèse. Um aluno trabalhador com boas notas e que lia muito.

Apaixonado pelo desporto, continuou a ter um papel de primeiro plano no ensino do futebol e da sua promoção. Uma espécie de Sr. Futebol português das Laurentides. O local da Associação Portuguesa de Sainte-Thérèse expõe a sua fotografia de 1990: de uniforme vermelho e azul doa Braves de Sainte-Thérèse, campeões da Taça do Quebeque. Vimo-lo entusiasta e resplandecente em 2011 quando da visita muito mediatizada da vedeta da bola Pauleta ao Quebeque, a grande vedeta do arquipélago.

Imigrante e depressa casado

Fiel às suas origens, Armando Melo casou-se com uma jovem de Santa Cruz, Filomena Fonseca. Aos 26 anos, o jovem papá já tinha quatro filhos. Agora, três netos. O ano passado, cruzamos o casal por puro acaso nas ruas de Água de Pau no dia de uma grande festa religiosa. O casal pode assim falar com conhecimento de turismo na sua ilha de origem.

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Armando Melo, <<Cidadão de Ste-Thérèse>>, recebe o piploma das mãos da presidente Sylvie Surprenent.

Atributo mais significativo, em 2013 Armando Melo foi eleito conselheiro municipal de Sainte-Thérèse. Um compromisso social na sua cidade de adoção. Nas publicações oficiais, o pequeno português de 1974 age como representante das autoridades nas diferentes manifestações e pelas boas causas. Há cinco anos, foi escolhido cidadão honorário.

Encontramo-nos com ele no Deux, nome de um dos restaurantes populares da rua Turgeon. Descontraído, no meio de muitos convidados, o conselheiro do distrito de Blanchard veste uma simples camisa desportiva e mostra o seu sorriso habitual. «Foi agradável encontrarmo-nos nas festas de Água de Pau». Temos mesmo conhecidos comuns na freguesia de Atalhada (onde estive durante duas semanas). Falando de turismo, facilmente acreditamos nos pontos fortes de São Miguel. «Fui a Havaí e por muito mais barato tinha tido muito mais lá», afirma o futebolista. É muito difícil comparar as enormes porções (sic) dos restaurantes portugueses e o preço imbatível do vinho com a gastronomia quebequense, mas estamos de acordo que Sainte-Thérèse tem tudo o que é preciso para agradar aos visitantes.

Bons restaurantes

Numa primeira sondagem, simples opinião pessoal, Armando Melo dá-me a sua lista dos bons restaurantes da cidade das Laurentides. Uma meia dúzia de boas moradas: uma escolha fácil de verificar. A começar pela rua Turgeon, depressa achamos a excelente cozinha italiana assim como super hamburgos estilo caseiro. Dirigindo-se para o outro lado, o turista apercebe-se da variedade que é oferecida. Sem esquecer um restaurante libanês, um chinês e um sushi.

«O que nos falta verdadeiramente aqui é um restaurante português! Já falei a um proprietário no Bairro português de Montreal», suspira o desportivo entre dois golos de café. Esta lacuna é realmente surpreendente numa cidade tão aberta ao país de Camões. Levando um pouco mais longe a nossa volta pelas boas coisas a provar, encontramos mesmo assim três proprietários de origem portuguesa. (Texto separado: Casanova, Marcelino, Furtado).

Turismo cultural

As comunidades culturais? Armando Melo começa por insistir sobre o lado muito francófono e muito católico da cidade. «Muitas igrejas aqui, donde Santa Teresa de Ávila, Sagrado Coração e Coração Imaculado de Maria. Um fator importante de integração. Sobretudo para os Portugueses», sublinha Armando. Naturalmente, os seus compatriotas depressa contribuíram para enriquecer a vida religiosa com as suas procissões de São Pedro e do Espírito Santo. As famílias italianas? Ele calcula uma dúzia. No tempo em que era estudante, quatro ou cinco famílias vietnamitas enviaram os filhos para a sua escola.

Continuando com o turismo, o jovem quinquagenário (que mais parece ter 40), conclui insistindo nos atrativos culturais da sua cidade. «A cidade tem uma vocação de cultura», insiste. Nem Sainte Thérèse nem a Lagoa têm grandes hotéis para alojar os turistas, mas aqui come-se bem e são sobretudo os espetáculos, os festivais, os concertos e outras manifestações artísticas que justificam uma estadia do lado do Quebeque. Agora tanto no varão como no inverno. «E continua a mudar. A rua Turgeon mudou completamente, exceto a livraria Bertrand que lá continua». De facto, um pouco mais longe, em face da padaria Marcelino, está em construção uma nova sala de espetáculos. Abertura prevista para setembro. «As pessoas apropriam-se o centro da cidade a que chamamos le Village. Não é preciso ir a Terrebonne para o cultural», acrescenta feliz o avô no meio do seu feudo.

Especial
Por si só, Armando Melo representa muito bem o vivido e o futuro da comunidade portuguesa, exatamente como o progresso do futebol no Quebeque. O açoriano de Atalhada chegou no seu novo país com a idade de 9 nos e depressa se integrou na maioria francófona da escola de Sainte-Thérèse. Um aluno trabalhador com boas notas e que lia muito.
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