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rss  Vol. XX - Nº 352         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
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Campanha eleitoral americana

Algumas notas antes do fim das eleições primárias americanas.

Por António da Silva Cordeiro

O maior interesse daqui por diante estará nas primárias Democratas, uma vez que Donald Trump já não tem competidores e está declarado o pressuposto candidato Republicano.

No dia 25 de maio houve manifestações violentas entre manifestantes pró e contra Trump num comício Republicano na Califórnia, especificamente em San Diego. Cenas desagradáveis de juventude em desacordo com o bom comportamento cívico e que resultaram em algumas prisões.

Ao mesmo tempo, Donald Trump fez declarações muito fortes contra a Governadora do Estado de New México, Suzana Martinez, naturalmente uma latina, republicana que ainda não apoia Trump. Ele exigia-lhe submissão e mostrou desconfiança nela, demonstrando mais uma vez que não respeita ninguém com opinião oposta, ou mesmo diferente da dele. Martinez, além do mais, é presentemente a presidente da Associação dos Governadores Republicanos. Nesta eleição, ele precisa mais dela do que ela dele.

Nesta mesma data saiu a público o relatório do Inspetor Geral do Departamento de Estado sobre o famoso problema dos e.mails da Secretária de Estado, Hillary Clinton. As conclusões não são nada agradáveis para a candidata Democrata. O relatório parece provar que Clinton quebrou as regras do Departamento de Estado. Note-se que se trata de regras de procedimentos burocráticos, não de leis. Portanto, não se trata de crimes. Clinton já se arrependeu da escolha que fez, e que aliás foi decidida por outros Secretários anteriores sem objeção nenhuma por parte de ninguém, nem do Congresso, nem do Senado, nem de nenhum dos outros comités que já a interrogaram e investigaram. Ela assumiu a responsabilidade da escolha feita (hoje não faria a mesma coisa), prometeu colaborar inteiramente nesta e em todas as outras investigações sobre este e outros assuntos realizadas por vários comités do Congresso, por uma comissão independente nomeada pelo próprio Departamento de Estado. Duas destas investigações ainda decorrem: uma do FBI e outra do último comité, este um comité especial (muito político) do Congresso. Em todos os relatórios já terminados e publicados nunca foi encontrado o mínimo comportamento ou ação criminosa. De notar que Clinton nunca recebeu no seu server privado nem enviou da mesmo qualquer mensagem classificada como «secreta». Algumas destas mensagens foram, posteriormente, classificadas como secretas, já depois de Hillary Clinton ter resignado do cargo de Secretária de Estado. Se ela infringiu as regras do Departamento, porque nunca foi avisada e obrigada a corrigir a práctica?

Donald Trump é nomeado o presumível candidato republicano a 26 de maio. A agência Associated Press entrevistou os delegados Republicanos chamados «livres» porque podem votar em quem desejam. Contando estes delegados que declararam à A.P. terem escolhido Donald Trump, ele ultrapassou o número mágico de 1237 para ser assim declarado o candidato presumível, até ser oficialmente votado na Convenção Republicana como o candidato do partido.

É interessante que estes delegados «livres» Republicanos são o equivalente aos super-delegados Democratas. Este sistema Democrata é muito criticado pelos Republicanos e até por alguns Democratas, mas eles fazem o mesmo e por isso está tudo equilibrado.

Anunciou-se um possível debate televisivo a ter lugar na Califórnia entre Donald Trump e Bernie Sanders. Os dois concordaram e começaram a trabalhar na organização do debate, mas Trump, que não acreditava na aceitação do desafio por parte de Sanders, desistiu no dia seguinte e cancelou o debate porque, segundo ele, não seria razoável que o candidato dum partido em primeiro lugar, entrasse num debate com o segundo classificado do partido oposto. Assim acabou o que se esperava seria um óptimo show.

Donald Trump anunciou (para estarrecimento dos Republicanos) que a sua estratégia eleitoral para a presidência será concentrar-se apenas em 10 a 15 estados roxos (purple), que são os estados em que há uma mistura de vermelho e azul (red – Republicanos, blue – Democratas). Isto, para muitos Republicanos (e não só), cai fora do tradicional, do razoável e do possível. É também indicativo da falta de organização técnica eleitoral por parte da campanha Republicana, agora totalmente dirigida por Trump e sua equipa. Há deveras grande preocupação entre as hostes Republicanas.

Há vários meses (creio que cinco ou seis) Trump, muito zangado com uma moderadora da Fox News que ia participar num debate republicano, decidiu não participar no debate e organizar um comício para angariar fundos para veteranos. Segundo ele, os veteranos são muito maltratados pelos governos Democratas. Anunciou, depois do comício, que tinha conseguido juntar cerca de 6 milhões de dólares para distribuir por várias organizações de veteranos. Tempos depois, alguém da imprensa perguntou-lhe o que acontecera ao dinheiro, quem e quanto recebera cada organização. Só uma semana depois ele apresentou uma lista das organizações e quanto receberam. Não informou quando tinham sido distribuídas essas doações, mas a imprensa conseguiu saber, contatando as organizações listadas, que os donativos tinham chegado havia apenas uma semana. Se tal tivesse acontecido com Sanders ou com Clinton, isto seria um grande arraial...

Na véspera da Super-Terça-Feira número 5, a 7 de junho, a Assotiated Press e a NBC, depois duma recontagem dos super-delegados Democratas, declararam que Clinton já ultrapassara o número mágico de 2383 e, consequentemente, já era o presumível candidato do partido Democrata. Houve muitos políticos e analistas, assim como membros da media, que protestaram por causa desta antecedência porque poderia afetar a acorrência às urnas das eleições do dia seguinte.

Na recente última Super-Terça-Feira em que votaram os estados de New Jersey, New México, South Dakota, North Dakota, Montana e Califórnia, Clinton venceu quatro e Sanders dois, sendo No. Dakota um caucus, que é a especialidade dele.

Com a estação das primárias a chegar ao fim, Hillary Clinton faz história como a primeira mulher dum grande partido político a ser nomeada candidata presidencial. O seu nome no boletim de voto em novembro será mais um marco milenar na história dos direitos das mulheres, que são direitos humanos. Foi a maior noite da sua extraordinária caminhada de vida desde advogada, esposa, primeira dama, senadora, secretária de estado e, agora, a primeira mulher a ser nomeada como candidata por um dos grandes partidos americanos. Ponto muito importante nestas primárias foi a acorrência às urnas principalmente da faixa etária dos 18 aos 33, jovens atraídos e fascinados por Bernie Sanders. Hillary Clinton terá agora um trabalho difícil porque muitos destes jovens não confiam nela ou crêem que ela representa uma Washington desconectada das suas lutas. Entre os que apoiaram Sanders, alguns sentir-se-ão frustrados e com a impressão de que os líderes do partido conspiraram para os privar da sua escolha. Clinton terá que, diferentemente de 2008, enfrentar esse problema e tentar conquistá-los para os convencer a votar e não ficarem em casa. Historicamente a acorrência baixa favorece os Republicanos. Esta juventude espera transparência, respostas e participação direta. No discurso de aceitação da vitória ela, lembrando que o direito do voto das mulheres já tem quase cem anos, disse que «todos devemos tanto aos que vieram antes de nós e hoje pertence a todos vós».

Nestes discursos de aceitação e de concessão costumava haver uma certa cortesia. Desta vez, Sanders ignorou o triumfo de Clinton dando-lhe apenas crédito «pelas suas vitórias desta noite» enquanto ela o cumulou de muitos louvores no comício em Brooklyn.

O Presidente Obama receberá Bernie Sanders na próxima quinta-feira, a pedido do Senador. Na terça-feira, o Presidente telefonou aos dois candidatos congratulando-os por «terem levado a cabo campanhas inspiradoras».

Quanto a Trump, ele procurava concentrar-se na eleição geral, mas esteve muito ocupado com os problemas por ele próprio criados pela sua crítica ao juiz federal, Gonzalo Curiel, de ascendência mexicana, e que preside ao caso de fraude levantado contra Trump por alunos da falhada Trump University. Os comentários dele foram tão racistas que o Speaker da Câmara dos Representantes e outros congressistas, senadores e governadores o criticaram severamente. Um senador chegou ao ponto de retirar o seu apoio a Trump.

No discurso, cuidadosamente lido num teleponto, Trump atacou Hillary Clinton e prometeu um novo discurso para a próxima semana exclusivamene dedicado a falar de «tudo o que tem acontecido com os Clintons». Apelou para os apoiantes de Sanders que «foram deixados no frio por um fraudulento sistema».

Sanders ainda não desistiu porque falta a última primária em Washington D.C., na próxima terça-feira.

Whiting, New Jersey.

Crónica
O maior interesse daqui por diante estará nas primárias Democratas, uma vez que Donald Trump já não tem competidores e está declarado o pressuposto candidato Republicano.
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