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A terceira morte política do CDS de S. Miguel

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A Comissão Regional do CDS acaba de cometer – mais uma vez – um erro crasso de estratégia eleitoral.

Ao rejeitar a proposta do CDS de S. Miguel, para que Nuno Barata liderasse a lista de candidatos por esta ilha, Artur Lima decreta a morte política do seu partido no maior círculo eleitoral dos Açores.

É a terceira vez que os dirigentes regionais o fazem, depois do afastamento de Paulo Gusmão e, novamente, de Nuno Barata.

Em 2005, o então deputado e Vice-Presidente do CDS-PP nos Açores, Paulo Gusmão, bateu com a porta, alegando «desencanto» com as estruturas regional e nacional do partido e acusando Alvarino Pinheiro, então líder regional dos centristas, de ter «medo que houvesse uma renovação» nos órgãos do partido, no Congresso Regional, que se realizaria pouco depois.

Em fevereiro de 2008, repete-se o filme, mas desta vez com protagonistas diferentes.

Nuno Barata demite-se dos cargos de Presidente do Conselho Regional e de Vice-Presidente da Comissão Política do CDS-PP dos Açores, acusando Artur Lima, Paulo Portas e restantes direções do partido de não permitirem «aos seus dirigentes o livre pensamento e a livre expressão».

Oito anos depois, é Artur Lima que não quer Nuno Barata, o mesmo que tinha ganho a presidência da Comissão Política do CDS de S. Miguel há poucos meses, renovando o órgão micaelense e traçando uma estratégia de intervenção pública que todos julgavam ter como objetivo o regresso ao parlamento regional.

Em qualquer ilha, em qualquer concelho ou em qualquer freguesia, são as estruturas locais que conhecem melhor o terreno e que sabem qual a reação e a tendência do eleitorado face aos seus dirigentes e candidatos.

É um conceito básico em qualquer força política.

A Direção Regional do CDS acha que não e que deve indicar, do alto do seu pedestal, quem lhe seja mais fiel, mesmo que seja um ilustre desconhecido a três meses das eleições.

É um erro clamoroso que o PSD de S. Miguel agradece – e, já agora, também Paulo Gusmão, que se candidata pelo PPM.

Mesmo que os dirigentes regionais aleguem que a Comissão Política de S. Miguel tenha faltado ao compromisso de arranjar um independente para encabeçar a lista, não se justifica tal reação por parte de Artur Lima, porquanto ele sabe que os independentes convidados – desde Patrão Neves a Jorge Rita – deram negas e alguns alegaram que não estariam interessados em colaborar com o próprio... Artur Lima.

Vai ser penosa a campanha da cabeça de lista escolhida pela direção regional – que, paradoxalmente, não é independente –, porquanto tem apenas pouco mais de noventa dias para se dar a conhecer, não ter o apoio das estruturas em S. Miguel e com a agravante de atravessarmos o Verão, em que ninguém quer saber de política.

A única justificação para este amuo do CDS regional parece ser a mesma de 2008: receio da irreverência de Nuno Barata, que pensa pela sua cabeça e, eventualmente, de um assalto ao poder dentro do partido.

Mas, então, se é assim, porque o convidaram a concorrer à Comissão Política de S. Miguel e a renovar o órgão?

Naturalmente que Artur Lima terá a sua eleição garantida pela ilha Terceira, porque fez todo o seu mandato baseado no eleitorado do seu círculo.

Não me parece é que o CDS consiga, em outubro próximo, um resultado semelhante ao que obteve há quatro anos, sobretudo com este problema em S. Miguel.

O que significa que os membros do CDS de S. Miguel serão os mais atentos na noite eleitoral, à espera de pedirem a cabeça do líder.

E assim se faz política nesta santa terra.

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