logo
rss  Vol. XX - Nº 352         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

A Caixa Geral de Despojos

Qual o banco que se segue?

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Esta a pergunta mais preocupante que todos os portugueses fazem a si próprios, perante o cenário de desembolsarmos – nós contribuintes – mais uns milhares de milhões de euros para acudir, agora, à Caixa Geral de Depósitos.

Este é o país dos banqueiros felizes.

O único onde podem falir os respetivos bancos, gerir de forma desastrosa, apresentar os piores resultados, liderar os negócios mais obscuros, levar para casa caixas de robalos... e ninguém vai preso!

Os bancos portugueses têm, ainda, esta característica extraordinária, que é distribuir dividendos e prémios pelos seus gestores quando dão lucro, mas quando dão prejuízo, como vem acontecendo nos últimos anos, não há problema nenhum: os contribuintes estão aqui para pagar.

É neste escândalo que temos vivido nos últimos anos.

Já pagámos mais de 2 500 milhões pela ladroagem vergonhosa que foi o caso BPN, já desembolsamos mais de 2 100 milhões pelo caso politicamente rasteiro que foi o Banif, já enfiámos 3 900 milhões neste terror chamado BES, há bancos que receberam a ajuda do Estado e ainda não devolveram o empréstimo e, como se não bastasse, vem agora o governo pedir-nos mais este sacrifício de 4 mil milhões para a Caixa Geral de Depósitos.

É preciso muita lata.

Andaram a brincar com o dinheiro público durante estes anos todos, para agora nos virem pedir mais ajuda e sem nenhuma explicação plausível.

Aliás, todos sabemos porquê.

A resposta está na gestão política e partidária que foi feita da Caixa, através do PS, PSD e CDS, cujos nomeados estoiraram com uma gestão baseada nas amizades e compadrios em negócios falidos.

Nos últimos cinco anos a Caixa perdeu cerca de 2 mil milhões e alcançou este feito notável de 6 mil milhões em imparidades.

Tem concedido, ao longo da sua atividade, 70 mil milhões em crédito, 12% do qual encontra-se em risco.

Fala-se agora que poderá ainda registar entre 500 a mil milhões de mais imparidades, porque tem um stock de crédito à habitação elevadíssimo e uma forte exposição às indústrias de construção civil.

Foi um tal fartar ao longo destes últimos anos, com gestores a aplicarem avultadas verbas em produtos financeiros tóxicos, a montarem operações desastrosas em Espanha e Brasil e a envolverem-se em negócios que qualquer leigo sabia que resultaria num desastre.

Foi o caso do regabofe de 2012, com cerca de 400 milhões de prejuízos, depois da compra do BPN, compra de campos de ténis, hospitais, resorts de luxo e outras prebendas para os amigos dos partidos.

O esbulho continuou com a urbanização turística de Vale de Lobos, no Algarve, onde perdeu mais de 500 milhões, num negócio em que mais nenhum banco se quis envolver, não esquecendo o lindo episódio do financiamento aos amigos de Sócrates para adquirirem o BCP, comprando ações a 40 euros, para pouco tempo depois valerem 11 cêntimos!

Como é que um banco público, que gere ou geria os dinheiros do Estado, apresenta prejuízos?

Que gestores são estes, capazes de provocarem imparidades e provisões de 1,2 mil milhões de euros num só ano?

Se a gestão nos governos do PS foram um autêntico desastre, o PSD não tem razões para sorrir, pois foi no governo de Passos Coelho que também se registaram negócios escandalosos, como aquele da OPA à Cimpor.

À frente da Caixa Geral de Depósitos têm estado os amigos dos governos, tornando-se num braço financeiro das amizades partidárias e sem qualquer rebuço em angariar nesses meios os chamados «clientes sistémicos».

Perante um cenário de horror, como é este, o que faz o atual governo?

Pede mais dinheiro aos contribuintes para injetar na «nova gestão» e faz aumentar os salários dos «novos gestores» para os níveis equiparados ao restante mercado.

Ou seja, austeridade para os contribuintes, continuação do regabofe na gestão pública.

Quando é que isto vai parar?

Crónica
Esta a pergunta mais preocupante que todos os portugueses fazem a si próprios, perante o cenário de desembolsarmos – nós contribuintes – mais uns milhares de milhões de euros para acudir, agora, à Caixa Geral de Depósitos.
A Caixa Geral de Despojos.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020