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rss  Vol. XX - Nº 351         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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O LEÃO MONIZ SERENO NO PARAÍSO

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

A morte é um argumento poderoso que à vida pertence.

No momento em que saímos do ventre da mãe ganhamos luz vinda do Universo. Simultaneamente, basta abrir os olhos, e herdamos o fim dos nossos dias. Muito cedo percebemos que a vida é uma passagem na terra, num Mundo que é de todos e não pertence a ninguém. Mais maduros acreditamos que o maior prémio que a vida nos traz é a sabedoria, se reconhecermos os tempos e os momentos que existem entre o nascimento e a morte. A Bíblia sagrada revela que todo o Ser humano deve apreciar o que lhe foi dado pois, no dia da verdade, ricos e pobres entrarão pelo portão eterno e aí ficarão para sempre. Mas será que todos ressuscitarão?

A vida é tudo e nada… nascer e morrer são mistérios envolvidos na essência do verbo que dá vida a qualquer mortal. Discutir este assunto, indo mais longe, seria doloroso e não lhe daríamos a devida importância, sobretudo neste período de convalescença, depois de uma longa hospitalização.

LEAO Moniz IMG_3700.JPG
Mais uma amigo que se foi. Um amigo bom, daqueles com quem dá gosto lidar. Era um grande sportinguista e disso dava a saber a quem o quisesse ouvir. As Ordens militares também eram com ele.

Nesta hora, o melhor é dar a conhecer aos nossos leitores como foi difícil perder o leão mais majestoso e fiel ao seu clube sportinguista. José Moniz nasceu na ilha de S. Miguel, casou na Terceira e fechou serenamente os olhos aos 75 anos de idade. Veio a finalizar os seus dias com a bela terceirense que escolheu, a qual lhe deu quatro filhos maravilhosos, três raparigas e um rapaz: Elisabeth, Cidália, Suzy e Richard. Este braçado de filhos, por seu turno, brindara seus pais com os rebentos que em seus lares a cegonha depositou, como flores lindas. A Elisabeth preferiu dedicar-se (de corpo e alma) aos pais, antes de pensar num bem-amado. Estamos certos de que, lá do Céu, seu paizinho solicitará a Jesus: «leva o melhor companheiro à minha amada filha»!

Está na hora de dizer adeus ao José Moniz. Todavia, quero felicitar Ângela Moniz, seus filhos, sobrinhos e amigos, sobretudo os que não quiseram medir tempos nem minutos para acudirem ao centro de cuidados paliativos do Hospital Marie Clarac, a fim de consolar a família e dar apoio ao doente, em estado final. Foi a partir do citado Hospital, onde também estive internada, no departamento de ortopedia, que me foi dado conhecer a situação dolorosa desta família amiga. Há tanto tempo internado, foi mais um caso pouco falado… Bem me parece que a cultura portuguesa aponta para que, de boca a orelha, se fale muito dalgum escândalo ocorrido aqui, pelo Mundo, ou de ajuntamentos festivos ou religiosos. Que pena, são os que mais sofrem que perdem os ditos amigos… isto, quando as lágrimas correm até formarem um rio de pensamentos e sofrimentos. Obrigada à D. Zélia por me ter informado do estado do leão.

Zé capitão entrou na nuvem eterna belo e sereno: olhos nos olhos com a sua Ângela Vieira Nunes Moniz. Por muito difícil que seja controlar a dor e o equilíbrio, no momento em que perdeu o seu bem-amado, a esposa do capitão reuniu coragem, forças e energias para falar de amor, com ternura e dedicação, ao seu homem do coração, rodeada dos filhos, de alguns familiares e amigos. Eu também aí estava, em pijama, triste como a noite do dia 21 de maio que acabou por levar o leão, da comunidade portuguesa de Montreal.

Nascemos pequeninos, inocentes, crescemos como árvores; deixamos ramos na terra e partimos sem saber o porquê da «negra» morte…

José Moniz:

Morreu grande capitão…

Com verde amor e glória

todos lhe deram razão

até ao dia da vitória.

Quando abraçou Jesus,

para o Céu foi o leão

naquela nuvem de luz

apagou-se o coração…

Promessa cumprida, alma iluminada! No último sopro de vida de José Moniz, no meio da família, prometi àquela alma, prestes a deixar a Terra, que lhe faria uma oração em forma de poesia. Aqui fica então, a título póstumo, esta minha singela homenagem para o leão mais aguerrido e amigo, como sportinguista, que conheci por terras do Canadá.

Como nota de conclusão: sinceras condolências, por parte do Lusopresse e da LusaQ TV., coragem a toda a família: À Cidália e Enzo seu marido e filhos: Vanessa e Anthony. À Suzy e meninas: Jasmine, Anna Bella, Angela e Victoria. Ao Richard, sua esposa Sandra e filhos, Joshua e Noah, à Elizabeth. À viúva Ângela e a todos, o nosso abraço consolador.

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