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rss  Vol. XX - Nº 351         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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Campanha eleitoral americana

Hilary Clinton cada vez mais perto da vitória

Por António da Silva Cordeiro

No princípio do mês de maio, veio a público a disputa entre Donald Trump e Paul Ryan, Speaker da Câmara dos Representantes e terceiro na linha de sucessão. Se houver uma situação em que o Presidente e o Vice-Presidente fiquem incapacitados de exercer os respetivos cargos, o Speaker será automaticamente jurado na posição de Presidente, escolherá um Vice-Presidente e formará governo. Na realidade, Paul Ryan é o mais alto governante republicano eleito. Homem muito inteligente, numa entrevista na TV declarou que não estava ainda preparado para endossar Donald Trump, que fora declarado o presumível candidato Republicano às finais. Desde logo convidado a presidir à Convenção Republicana, declarou que, se Donald Trump assim o desejar, deixará esse cargo. Delicada e publicamente, dá crédito a Trump pela laboriosa vitória nas primárias. No meio desta «crise», reaparece Sarah Palin afirmando que a carreira política de Paul Ryan chegou ao fim e que ela fará tudo para que ele se demita de Speaker.

Entretanto, Donald Trump nomeia o Governador de New Jersey, Chris Christie, líder do Comité de Transição para a Casa Branca. Christie foi o primeiro dos candidatos republicanos a endossar Donald Trump, depois de deixar a campanha eleitoral.

Nota interessante: uma das organizações que se especializam na análise da verdade dos factos e afirmações, chamada «Factchecking», afirma que 70% das declarações de Trump são falsas; a Secretária Clinton foi o candidato mais verdadeiro da campanha das primárias.

No dia 10 de maio, Bernie Sanders ganhou o 19º estado na West Virginia com 51% do voto popular, contra 36% de Clinton. Sanders continua basicamente sem esperança; Hillary já tem 94% do número mágico, se se incluirem os votos dos superdelegados que Sanders disputa.

Donald Trump, no mesmo dia, com as vitórias em Nebraska e West Virginia, já chegou a 92% do número mágico de 1237. Naturalmente há que notar que agora, e até ao fim das primárias, Trump está sem oposição. Bernie Sanders está comprometido a continuar a campanha e esta vitória de West Virginia realça as dificuldades de Clinton em ganhar os votantes masculinos brancos, independentes, bem como a juventude univeristária. Ele continua a encher arenas e estádios, principalmente em universidades, mas a angariação de fundos baixou e os anúncios também são menos. Parece que está concentrado apenas nos comícios dirigidos à juventude universitária.

Os democratas não tiveram eleições no estado de Nevada porque já tinham tido o seu caucus. Todavia houve uma convenção estatal (parte da confusão das primárias americanas) que terminou em desordem e alguma violência com cadeiras a voar e ameaças (até de morte) contra a presidente do partido democrata de Nevada. Sanders denunciou a violência, mas culpou o Comité Nacional Democrata de ser demasiadamente a favor de Clinton. Tem havido declarações algo desagradáveis da parte da campanha de Sanders. Clinton tem mantido uma distância prudente e muito inteligente sobre o assunto, concentrando-se na reconciliação do partido, muito dividido nesta altura da campanha. O Comité Nacional Democrata está preocupado com as ideias e previsões que lhe chegam no que se refere a ameaças de violência por parte dos apoiantes de Sanders na Convenção em Filadélfia, no mês de julho. Parece que parte dos dirigentes da campanha de Sanders estão a forçar o Senador a decisões que não estão de acordo com o seu carácter. Adeptos de Sanders já têm licenças da Câmara Municipal de Filadélfia para fazer manifestações nas ruas próximas da Convenção. Daqui a distúrbios e a violência pouco falta. Já se estão a preparar para serem presos e para os processos legais em que se envolverão. Nada disto, no fim, prejudica Clinton, mas pode prejudicar seriamente o Partido Democrata e até os resultados das eleições em geral – as presidenciais, as eleições para o Congresso, principalmente o Senado, e as eleições locais. A liderança do partido democrata está preocupada porque não se prevê grande vontade de cooperação por parte do team Sanders na reunificação do partido para a campanha presidencial. Veja-se este comentário de um «Mayor» da Califórnia que apoia Sanders: «O Senador Sanders não está obrigado a ajudar a Secretária Clinton, se ela ganhar. Isso é uma decisão que o seu (de Sanders) team pode tomar, se tiver de se confrontar com essa escolha». Esta campanha de terra-queimada de Sanders é um presente a Trump. É um jogo perigoso. Se ele e a sua equipa continuam estes ataques contra o partido democrata, eles apenas terão sucesso em eleger Donald Trump para presidente. O facto de que Clinton está tão à frente que não permite Sanders ganhar poderá salvar este país do caos.

A divisão no Partido Republicano também continua viva: Trump, Ryan e os «Trump Never», embora estes últimos estejam a deixar de se preocupar com Trump e a concentrar-se nas eleições para o Senado e a Câmara dos Representantes, continuam a não estar unidos. O Presidente do Comité Nacional Republicano, Reince Priebus, organizou um encontro de Trump e Paul Ryan, apenas três pessoas. As diferenças políticas entre os dois continuam a ser grandes e é vã a esperança de que Ryan consiga mudar Trump; ele poderá conseguir concordar convenientemente em muitos pontos de discórdia para posteriormente se desdizer como é usual. O que mais une o Partido Republicano é o ódio a Hillary Clinton. Por isso, os democratas têm que se unir e ter cautela porque Trump pode ganhar a eleição presidencial.

Nessa mesma ocasião, Trump teve reuniões com a liderançada Câmara dos Representantes e com o líder da maioria republicana do Senado. Foram frequentes as sugestões de que ele mude e modere o tom das suas declarações, principalmente no que se refere à imigração. Muitos endossos dos Representantes são contrabalançados por Representates e Senadores em posições difíceis nestas eleições a quererem a liberdade de não ter que alinhar 100% com Donald Trump. Importante e preocupante para o Partido Republicano é que a oposição a Trump continua muito forte entre os tradicionais doadores políticos e os intelectuais conservadores que apoiam Paul Ryan.

Interessante a perpicaz observação do colunista de The Washington Post, E. J. Dione, que disse recentemente que «culpar o Presidente Obama pelo aparecimento de Donald Trump é popular e frequente entre os líderes republicannos. Eles não querem assumir a responsabilidade das escolhas feitas pelos seus próprios eleitores, ou da sua cumplicidade ao tolerarem e até encorajarem o extremismo representado por Trump. Também não querem confrontar o facto de que muitos dos votos a favor de Trump foram dirigidos a eles.»

Poucas Primárias até agora foram tão renhidas como as de Kentucky e Oregon, no passado dia 17 de maio. A eleição em Kentucky foi basicamente um empate, 27|27 delegados para Hillary e para Sanders, embora Clinton tenha tido mais votos e, portanto, tenha conseguido a vitória. Triunfo importante para Clinton psicologicamente e do ponto de vista tático. Ela consegue ganhar, ainda que Sanders teimosamente continue na corrida sem qualquer hipótese de sucesso. A divisão partidária é, aparentemente, mais séria no Partido Democrata do que no Republicano. Nos democratas, o problema, mais agudo e pouco falado, é o possível afastamento da campanha eleitoral de alguns sindicatos e ativistas ambientalistas (os «verdes», na Europa). Eles farão falta tanto na doação de fundos como nas atividades no terreno. Este facto pode ter muita importância nas economias e na angariação de fundos para a eleição presidencial. Não há dúvida que os fundos democratas procedem das pequenas contribuições individuais, de muitos milionários e bilionários relacionados com a Wall Street e, muito importante, das milionárias contribuições dos sindicatos que são, tradiconalmente, democratas.

Whiting, New Jersey

Política
No princípio do mês de maio, veio a público a disputa entre Donald Trump e Paul Ryan, Speaker da Câmara dos Representantes e terceiro na linha de sucessão. Se houver uma situação em que o Presidente e o Vice-Presidente fiquem incapacitados de exercer os respetivos cargos, o Speaker será automaticamente jurado na posição de Presidente, escolherá um Vice-Presidente e formará governo. Na realidade, Paul Ryan é o mais alto governante republicano eleito.
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