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rss  Vol. XX - Nº 350         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Uma insígnia

Para o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina

«Se no fundo da atual prosperidade do sul do Brasil está a

inicial ação tenaz e decidida dos casais açorianos que consolidaram

o domínio português, desbravaram e cultivaram a terra e formaram

os primeiros núcleos populacionais, sobre ela eleva-se o árduo trabalho

das gerações que se lhe seguiam e maior honra não podemos ter

do que sabe-los, em maioria, descendentes de açorianos.»

Luiz da Silva Ribeiro,1948

Presidente do I.H. da Ilha Terceira

Por Lélia Pereira Nunes

Na segunda-feira, 16 de maio, no arquipélago dos Açores celebrou-se o Dia da Região Autónoma dos Açores. Não é por acaso que a data escolhida é, precisamente, a segunda-feira do Espírito Santo, a principal festividade de todas as Ilhas e a maior referência identitária do povo açoriano e de sua presença em qualquer parte do mundo. Onde quer que viva um açoriano no mundo, haverá, com certeza, a Festa em louvor ao Espírito Santo. Se a secular tradição religiosa é o elemento basilar na formação da identidade cultural da gente açoriana, o dia da festa oficial da Região Autónoma dos Açores é expressão máxima da autonomia e da açorianidade.

As comemorações oficiais do Dia da Região Autónoma dos Açores de 2016 decorrem no Concelho de Vila Franca do Campo, na Ilha de São Miguel, com a realização de Sessão Solene onde serão homenageados com Insígnias Honoríficas vinte e seis cidadãos e doze instituições. Vozes convergentes na difusão dos Açores estejam onde estiverem e que mantém viva as tradições e a cultura açoriana. São portadores de uma história que continuará vibrando por todas as gerações com grande dignidade.

Entre os distinguidos com a honrosa outorga está o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, sediado em Florianópolis. É inegável o seu mérito! Nasceu a 7 de setembro de 1896 com o propósito de marcar a identidade catarinense, o espírito do «catarinensismo». A maior preocupação era ver unificada e globalizada a História de Santa Catarina, haja vista a expansão territorial aos «bocadinhos» e bem delineada no tempo e no espaço e uma ocupação humana caracterizada por um mosaico étnico de muitas cores e vozes. Desde os primórdios de sua criação são visíveis os laços com os Açores, berço de nossos antepassados, nossa matriz histórica, cultural e familiar. Tal é verdade que, dentre os historiadores da «geração do Instituto» destacam-se o seu fundador José Boiteux (1865-1934), Lucas Alexandre Boiteux (1880-1966) e Walter Fernando Piazza (1925-2016), todos com raízes açorianas plantadas na freguesia da Agualva, Ilha Terceira. Seus ancestrais, Manuel Jacques e Catarina de São José estavam entre os casaesaçoreanos na grande diáspora açórico-madeirense do século XVIII.

Ao longo da história centenária, o IHGSC orgulha-se de ser a mais antiga instituição científica do Estado, com 120 anos de efetiva atuação, dando visibilidade à criação, aproximando geografias e a transnacionalidade cultural e histórica, de forma persistente.

Não surpreende nossas pontes alçadas entre as margens por sua profícua e reconhecida obra pontuada por inúmeras publicações, pesquisas científicas, e a salvaguarda do patrimônio histórico e cultural, constituindo um corpus documental de grande relevância na imensa tarefa de enriquecer este capital simbólico e no reforço das identidades regionais.O conhecimento dos Açores e de Santa Catarina fortalecem os elos dessa ponte gigante que, de algum modo, sempre uniu as duas margens do Atlântico e por ela circulam vozes açorianas numa história de encontros e convergências de afetos.

Finalizo, referenciando eventos que impulsionaram as relações entre Santa Catarina e Açores, capitaneadas pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. Refiro-me ao I Congresso de História Catarinense, realizado em outubro de 1948, comemorativo dos 200 anos da chegada dos açorianos a Santa Catarina no dia 6 de janeiro de 1748. Ao reunir historiadores de todo Brasil e de Portugal, como uma lufada do vento Sul, sacudiu os estudiosos lusitanos, despertando-os para o fenômeno da grande corrente migratória do século XVIII destinada ao povoamento do Sul do Brasil e que parecia esquecida ou perdida nas brumas da memória coletiva açoriana. Aliás, tema principal do Congresso que teve no trabalho «Os Açorianos», do historiador Osvaldo Rodrigues Cabral, o definitivo desvendar de uma história quase que desconhecida tanto pelos brasileiros, quanto pelos portugueses. O facto é que os nossos antepassados cortaram os laços com suas Ilhas. Não escreviam cartas por não saberem escrever. Por isso, é de vital importância deixar registrado para as futuras gerações o que significaram as andanças sem retorno e a saudade nunca suavizada, nem por carta ou por visitas, dos açorianos nas terras do Sul do Brasil ou na terra dos esquecidos. Ação que o IHGSC realiza com propriedade, dedicação absoluta e competência de seus membros. Outro grande passo foi a visita do Professor Doutor António Machado Pires, então Reitor da Universidade dos Açores, em março de 1984, marcando profundamente as relações socioculturais entre Santa Catarina e Açores, inaugurando uma nova era de intercâmbios, fomentando a pesquisa, o estudo, a busca das raízes açorianas nas duas margens atlânticas. Na porta escancarada por Machado Pires outros adentraram escrevendo muitas páginas da nossa história geminada. De lá e de cá, professores, investigadores das nossas Universidades e autoridades regionais fizeram dessa travessia o seu caminho do mar, interligando realidades históricas e culturais, aproximando vozes açorianas do arquipélago das vozes, aqui nascidas, que têm na história, na geografia, nas tradições do seu povo e no mar circundante o seu B.I., a convicção de sua irmandade.

Uma insígnia para o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina é o indelével reconhecimento dos açorianos por sua obstinada trajetória de 120 anos no desempenho de seu papel como guardião da memória catarinense e um orgulho para seus confrades presididos pelo geógrafo, Prof. Doutor Augusto Cesar Zeferino.

Açores e Santa Catarina caminham de mãos dadas, ultrapassando limites geográficos e temporais, apenas seguindo os sinais ancestrais com suas histórias, seus mundos e suas mundividências, pois, afinal, partilham de uma mesma matriz civilizatória.

Viva!

(Sócia emérita do IHGSC)

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