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rss  Vol. XX - Nº 350         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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Encontro dos Média da Diáspora Açoriana

São Jorge, terra do bom queijo e das boas conservas

Anália Narciso

Por Anália Narciso

A nossa entrada nos Açores deu-se pela ilha Terceira, em voo procedente da cidade americana de Bóston, onde também existe uma alargada e forte comunidade de açorianos. Da Terceira seguimos para o Faial, onde passámos a tarde de quinta-feira (21 de abril, dia de anos do Norberto, por isso com direito a bolo de aniversário e os respetivos «Parabéns a você» da praxe por parte da organização do Encontro e seus participantes) e os dias de sexta e sábado. No domingo e quase todo o dia de segunda-feira, que foi feriado por mor do 25 de Abril, estivemos no Pico. Em ambas as ilhas, como já deixámos transparecer no nosso artigo da edição 349 deste jornal, adorámos tudo o que vimos. Realmente, só temos coisas boas a dizer daquelas duas ilhas, cada uma com as suas próprias características. Do Faial, ainda hoje, privilegiamos a lindeza da sua pequena cidade, o sítio do Capelo com o seu magnífico Centro de Interpretação, que só por si valeu um prémio de prestígio internacional. Já no Pico, tão majestoso, a nossa preferência recaiu nos seus inacreditáveis currais, coisa única no mundo.

São Jorge medonho!

O artigo de hoje visa falar da nossa passagem pela ilha de São Jorge, a terceira e última visitada pelo grupo de jornalistas.

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Queijo de São Jorge, uma marca internacional!
Foto Norberto Aguiar - LusoPresse

Tudo começou na Vila das Velas, pela tardinha, depois de uma viagem de cerca de duas horas de barco, procedente da Vila da Madalena, no Pico. Antes das transferências para o Hotel Ilha de São Jorge e Alojamentos Cantinho das Buganvílias, os convivas foram direitinhos para o restaurante «Açor», onde foi servido um jantar-volante com muito boa e farta comida. Em frente, a Matriz das Velas, construída em 1825. Bruno Oliveira, que nos disseram ser um dos bons cantadores de São Jorge e dos Açores, esperava o grupo, pois ali vinham alguns seus conhecidos.

Terminado o repasto, parte do grupo dirigiu-se ao cine local para assistir às festas dedicadas ao 25 de Abril. Ali chegados, os forasteiros foram confrontados com o teatro completamente cheio. Não cabia, é caso para se dizer, nem mais uma agulha... A única coisa que se pôde fazer foi ficar-se pelo hall da instituição apenas ouvindo o que dentro da sala se passava. Outros ficaram-se pela rua adjacente, conversando.

Estava-se nisso quando apareceram os autocarros para levar os jornalistas para os seus aposentos. Mais perto os que ficaram no hotel, um pouco mais longe os que foram para os Alojamentos, um género de blocos de apartamentos rasteiros, isto é, de apenas um piso no rés-do-chão, todos distanciados uns dos outros, mas de grande qualidade. Foi aqui, no bloco central, digamos assim, que se organizou a sessão de encerramento do Encontro. Mas já lá vamos.

Oportunidade de negócios

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Ilha do Pico - São imensos os currais na ilha Montanha. É daqui que sai o Verdelho, um dos melhores vinhos de Portugal.
Foto Norberto Aguiar - LusoPresse

Logo pela manhã, a nossa primeira paragem foi na União Cooperativa de Lacticínios de São Jorge (UCRL), em Velas. Aqui, e depois de um controlo assaz rigoroso, entrámos nos meandros da produção do célebre queijo de São Jorge. Vimos, com algumas exceções definidas pela engenheira jorgense que nos acompanhou, como se produz o queijo, desde que o leite entra na fábrica até à sua cura e respetivo embalamento a caminho do mercado. Soubemos dos prémios que o queijo de São Jorge ganha anualmente e também ficámos mais ou menos ao corrente das dificuldades que por vezes este produto encontra para chegar aos Estados Unidos e Canadá. Exigências, em muitos casos, que os produtores açorianos contam sejam debeladas quando estiver a funcionar o Acordo de Comércio Livre entre a União Europeia, o Canadá e os Estados Unidos. Entretanto, já assinado, mas ainda não implementado.

Antes do almoço, houve tempo para a palestra «Oportunidades de Investimento nos Açores», da responsabilidade de Arnaldo Machado, presidente do Conselho de Administração da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores». Desta sessão, o que se pode retirar como conclusão é de que investir nos Açores pode ser rentável, sobretudo a julgar pelas muitas medidas de apoio ao investimento, quer facilitando o investidor nas suas diligências burocráticas, quer nos estímulos fiscais muito generosos, «os melhores do país», como assegurou Arnaldo Machado.

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Fábrica de atum

Porque Arnaldo Machado havia passado há pouco mais de um ano por Montreal, integrado na comitiva do presidente Vasco Cordeiro, onde com pompa e circunstância se veio falar de investimentos nos Açores, e com promessa de retribuição da visita, agora ao Arquipélago da parte de financeiros ligados ao Movimento Desjardins, entre outros, Norberto Aguiar levantou esta questão, da qual foi apresentada uma resposta de certa forma não conclusiva...

A sessão terminou com o almoço na Pousada da Juventude de São Jorge.

As melhores conservas

Foi outra bela visita que fizemos à Fábrica de Santa Catarina – Indústria Conserveira S. A., uma unidade industrial das mais famosas do país no domínio da conserva de atum. De resto, os prémios têm sido recorrentes. Como nos foi dito pelo administrador que nos acompanhou, os produtos da Fábrica de Santa Catarina ganharam, principalmente nestes últimos quatro anos, os títulos de «O Melhor dos Melhores».

Para que isso seja possível, as conservas de Santa Catarina são preparadas apenas com atum de superior qualidade desde a captura do peixe à preparação em ateliê, onde as mulheres lavam o peixe com água e cozem-no em salmoura, fazendo depois a limpeza manual, com a separação das diferentes partes do atum até ao seu enlatamento final. Um processo extremamente minucioso e que resulta num sabor de qualidade única.

Pelo bom momento que atravessa, Santa Catarina – Indústria Conserveira S.A. prepara-se para se abrir ao investimento privado num próximo futuro.

Museu Francisco Lacerda

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Plantação de café

A etapa seguinte da nossa visita na Vila da Calheta foi ao Museu Francisco Lacerda, «um jorgense europeu», como é definido pelos seus conterrâneos.

Oriundo de uma família influente da ilha, Francisco Lacerda foi um músico de gabarito, tendo seguido para o Porto em 1888, supostamente para cursar medicina. Viveu depois em Lisboa, onde conclui o Curso Geral de Piano. Chega a viver em Paris, onde foi chefe de orquestra e integra a comissão que representa Portugal na Exposição Universal de 1900. Dedicou-se à música tradicional, sua recolha e composição. Francisco Lacerda nasceu a 11 de maio de 1869 em Ribeira Seca (concelho de Calheta) e faleceu em 1934, em Lisboa.

Plantação de café

Já havia a plantação do Chá em São Miguel, única na Europa, e que tão bem relatou nestas páginas o Jules Nadeau no ano passado. Agora temos a plantação de café, segundo se diz, também única na Europa... foi essa plantação de café que fomos ver à Fajã dos Vimes, nesta ilha de São Jorge tão bela, mas ao mesmo tempo tão medonha! E medonha pelas suas escarpadas estradas, em plano inclinado e estreitas quanto baste, de tirar o fôlego ao mais pintado...

Na verdade, a descida para a Fajã dos Vimes é temerária e só um condutor de grande experiência e sangue frio pode-nos levar a bom porto. Naquela descida, ou subida, claro, uma falha mecânica, ou humana, e estamos todos mortos.

Contudo, uma vez chegados à localidade, com pouquíssimas casas, onde só vivem 69 pessoas, tudo é belo, a começar pela presença do mar, ali a dois passos, e tranquilidade da paisagem que «força» os seus habitantes a viver sem ponta de stresse. Abordados os locais sobre o dia-a-dia na Fajã dos Vimes, o sorriso alarga-se e a resposta é que «temos tudo o que precisamos e vivemos ao nosso ritmo». E logo a outra pergunta nossa, «quando nos falta alguma coisa vamos à vila e apetrechamo-nos do necessário». De toda a maneira, quem vive naquele local longínquo e de difícil acesso tem carro, o que facilita de certa forma as coisas. Há ainda um café, por sinal do dono da plantação cafezeira, uma ermida... já o campo de futebol está abandonado.

Quanto à história do café, um jorgense que emigra para o Brasil e que manda um pé da referida planta para a terra... O resto vai passando de família em família.

Bela sessão de encerramento

Oficialmente o Encontro dos Órgãos de Comunicação Social da Diáspora – Projetos Atuais e Futuros terminou nos Alojamentos Cantinho das Buganvílias, em Velas, com jantar e balanço das atividades. Houve discurso do diretor regional das Comunidades, Dr. Paulo Teves, que aproveitou para agradecer a presença e colaboração de todos, ao mesmo tempo que se disse feliz pelo êxito do Encontro.

Entretanto, na mesma ocasião, alguns elementos da Diáspora também intervieram para elogiar o acontecimento, com uma ou outra sugestão para o futuro, caso haja seguimento a esta reunião.

A soirée, muito divertida e amigável, terminou com a entrega de diplomas de participação ao som do musical «Os Severinos».

Regresso

Enquanto alguns ficavam para partir na quinta-feira, outro grupo, no qual me incluía e logicamente o Norberto também, deixava São Jorge na SATA, com destino a São Miguel, mas com paragem na Terceira.

Em São Miguel ficámos uma semana, daí a nossa reportagem sobre as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres reportada na nossa última edição.

O caminho de regresso a casa voltou a ser por Bóston.

Diáspora
A nossa entrada nos Açores deu-se pela ilha Terceira, em voo procedente da cidade americana de Bóston, onde também existe uma alargada e forte comunidade de açorianos. Da Terceira seguimos para o Faial, onde passámos a tarde de quinta-feira (21 de abril, dia de anos do Norberto, por isso com direito a bolo de aniversário e os respetivos «Parabéns a você» da praxe por parte da organização do Encontro e seus participantes) e os dias de sexta e sábado. No domingo e quase todo o dia de segunda-feira, que foi feriado por mor do 25 de Abril, estivemos no Pico. .
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