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rss  Vol. XX - Nº 350         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Brexit

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Os jornalistas, sobretudo os britânicos, adoram criar palavras novas. Curtas e simples para definirem situações complexas que precisariam de grande análise.

Foi assim que quando se aventou a hipótese de a Grécia poder sair da União Europeia, eles inventaram a palavra Grexit, compressão de Greece + exit.

Agora que a Grã-Bretanha se prepara para fazer um referendo sobre a vontade de os eleitores quererem ou não que o país saia da União Europeia, eles falam de Brexit, ou seja British + exit.

Este referendo é uma das piores manobras que o partido conservador podia ter feito para poder ganhar as últimas eleições, como aliás ganhou. Pior porque, mesmo que no final os britânicos decidam ficar na Europa, as divisões que um tal exercício provoca no país são incalculáveis. Nós aqui no Quebeque, que tivemos a experiência de dois referendos, sabemos bem como eles dividiram as famílias entre si, de tal modo que ainda hoje só a palavra referendo faz fugir muita gente da discussão política. (Só os atuais candidatos à presidência do Parti Québécois é que ainda não compreenderam isto.)

Claro que se o sim ganhar e os britânicos saírem da União Europeia, as consequências vão ser terríveis, não só para os Ingleses, mas sobretudo para a própria Europa, que vai assim alimentar todos esses partidos xenófobos que pululam por todo o lado (com honrosa exceção para Portugal e Espanha) e que parecem apostados em criar as condições que levaram às terríveis guerras que ao longo dos séculos tanta miséria e sofrimento causaram naquele continente.

Não nos esqueçamos que a Europa, apesar de se considerar o berço da moderna civilização e da democracia, sempre foi um continente devastado pelas guerras, minado pelos nacionalismos, empobrecido pelas disputas territoriais. A guerra dos 100 anos, a guerra dos 30 anos, as invasões napoleónicas e, para culminar, as duas mais absurdas guerras mundiais do século passado.

A União Europeia foi criada exatamente para que nunca mais houvesse guerras entre os países europeus. Foi na origem uma iniciativa dos dois piores inimigos históricos, alemães e franceses. Começaram por fazer uma união baseada na política do carvão e do aço, depois alargaram a outros países e interesses e criaram a Comunidade Económica Europeia, e finalmente a União Europeia que conhecemos agora.

Mas parece que a memória dos povos, como a das nações, é muito curta e parece que muita gente já esqueceu a origem, a razão de ser desta União.

Em tempos de crise aparece sempre gente capaz de explorar os mais baixos instintos do povo e acicatá-los para os levar aos mais tresloucados gestos. Foi o que aconteceu com a Alemanha de Hitler e é o que pode voltar a acontecer com os novos fascistas da extrema-direita, como ia acontecendo na Áustria com o candidato Norbert Hofer do Partido Liberdade, que esteve a uma unha de ganhar a presidência daquele país.

O que pode vir a acontecer com Marine le Pen, do Front National, nas próximas eleições presidenciais francesas. É o que pode acontecer com Donald Trump nas eleições presidenciais americanas deste ano.

O que é de comum entre todos estes candidatos é o facto de proclamarem a hegemonia do estado-nação, o isolamento, a expulsão dos imigrantes, o fecho das fronteiras, o abandono de toda e qualquer responsabilidade na gestão da miséria do mundo. O tristemente célebre slogan de Salazar: Orgulhosamente Sós parece ser a divisa de todos esses partidos neofascistas.

Esperemos que o bom senso prevaleça nos britânicos quando se encontrarem a sós na boca da urna. Esperemos que as lições de história venham a ser lembradas e que a Europa de Konrad Adenauer, Jean Monnet e Alcide De Gasperi, considerados como os pais da Europa, se venha a concretizar de uma forma mais afirmativa e concludente, para que novas guerras não rebentem naquele martirizado continente.

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