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rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - sábado, 22 de Fevereiro de 2020
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Liberdade de imprensa e direito à informação

Claude Robillard:

«A liberdade de imprensa não é o privilégio de 4000 jornalistas do Quebeque»

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

Numa breve alocução quando do lançamento do seu livro, Claude Robillard desenvolveu uma ideia fundamental servindo-se de uma anedota que muito o tinha impressionado. No fim duma entrevista que o veterano da FPJQ acabava de fazer com uma pessoa de grande calibre da elite intelectual, um universitário que conhece bem os média, este último perguntou-lhe: «Mas por que é que faz tudo isto sobre a liberdade de imprensa? Parece-me que é um pouco corporativista, um pouco privilégio dos jornalistas, que pouco diz respeito ao conjunto dos cidadãos. Por que não publicar antes sobre o direito à informação?»

Claude Robillard, grande oficiante de Federação profissional dos jornalistas do Quebeque durante um quarto de século, acaba de lançar, com a presença de 80 amigos e camaradas, uma obra cuja importância é fundamental. Um manual de referência indispensável que «faz um inventário do lugar da liberdade de imprensa no Quebeque, e que a enquadra» e oferece preciosos utensílios a todos os que praticam o jornalismo. Também para «realçar o prestígio da liberdade de imprensa» junto de pessoas (por vezes conservadoras) como os presidentes de câmaras e os juízes.

De grande luta

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O autor do livro, Claude Robillard, veterano da FPJQ, em companhia de Jean Paré, outro pilar bem conhecido do jornalismo no Quebeque
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

O título diz tudo e responde bem à objeção do universitário acima citado: «A liberdade de imprensa, a liberdade de todos». A contracapa do livro publicado pela Québec Amérique insiste: «A liberdade de imprensa não é o privilégio do pequeno grupo dos 4000 jornalistas do Quebeque. Conquistada com grande luta, sempre frágil, é uma liberdade fundamental de cada cidadão. Ela é indispensável à vida democrática». O autor acrescenta que na sua leitura de julgamentos dos tribunais, «é muito mais questão de liberdade de expressão do que de liberdade de imprensa».

A primeira parte das 223 páginas, intitulada «Uma liberdade essencial a todas as liberdades», fala de história, de proteção das fontes, de difamação, do direito à imagem, das leis e do direito do público à informação. A segunda parte, «No terreno», aborda assuntos tais como as pressões políticas sobre Rádio Canadá, a cobertura de acontecimentos políticos, as ações policiais, e a lei que impede de ter acesso à informação.

Foto sem autorização?

O direito à imagem? Fotógrafo (talentoso) nos seus tempos livres, Claude Robillard explica que a foto da capa (anónimo, do Museu McCord, cerca de 1905) mostrando um jovem ardina não seria possível hoje – sem autorização – depois do julgamento Aubry. Todos os «fotógrafos de rua» ficam agora de pé atrás a seguir a este embargo que vai contra a foto dita humanista à Robert Doisneau ou à Henri Cartier-Bresson. Este julgamento de 1998 «parece muito contestável» para o veterano dos média (de que podemos admirar numerosas imagens em Flickr).

Secretário-Geral da «Fédé» de 1989 a 2014 (organização que conta mais de mil membros), Claude participou em todos os grandes debates sobre a informação e o jornalismo no Quebeque. Também ensinou a deontologia jornalística na Uqam em Montreal. Praticou o jornalismo e a profissão de documentalista na imprensa, na rádio e na televisão. Resumindo, a pessoa indicada para tratar deste assunto cuja história merece páginas e páginas.

«Estamos um pouco sozinhos quando defendemos a liberdade de imprensa, há relativamente pouca gente que nos apoie», comentava o sorridente reformado com um grande chapéu estival. Já não é o caso agora graças à esta publicação – útil aos artesãos da imprensa étnica. Publicado na Québec Amérique, o livro vende-se pelo preço de 26,95$. Para saber mais pormenores: quebec-amerique.com

Destaque
Numa breve alocução quando do lançamento do seu livro, Claude Robillard desenvolveu uma ideia fundamental servindo-se de uma anedota que muito o tinha impressionado. No fim duma entrevista que o veterano da FPJQ acabava de fazer com uma pessoa de grande calibre da elite intelectual, um universitário que conhece bem os média, este último perguntou-lhe: «Mas por que é que faz tudo isto sobre a liberdade de imprensa? Parece-me que é um pouco corporativista, um pouco privilégio dos jornalistas, que pouco diz respeito ao conjunto dos cidadãos. Por que não publicar antes sobre o direito à informação?»
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