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rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 06 de Julho de 2020
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La Grande Envolée du Commandant Piché

Carlos de Jesus

Reportagem de Carlos de Jesus

LusoPresse – Há cerca de 15 anos, um Airbus A330 que fazia a ligação aérea entre Toronto e Lisboa com 306 pessoas a bordo, devido a uma avaria mecânica, no meio do Atlântico, em plena noite, ficou sem combustível, sem motores, sem corrente eléctrica, sem meios de comunicar com terra. A última gota de energia que restava foi para comunicar por rádio que iam tentar chegar à ilha Terceira, nos Açores, e que estivessem a postos para uma aterragem de emergência.

Mas, como alcançar uma pista a 20 minutos de distância, num avião sem motores, sem luz, sem comunicações, carregado com mais de três centenas de pessoas, com malas e bagagens? Planando. Planando como ele já tinha feito, noutras circunstâncias, sem motores e às escuras, quando Robert Piché, o comandante do Airbus A330, era um piloto do mato. Mas foi essa experiência que lhe deu a energia, a coragem, quase raiva, de se atacar aos comandos mecânicos que lhe restavam para levar o avião a planar até à pista mais próxima. A história da aviação está cheia de exemplos de que ninguém se salva quando um avião tenta pousar na água a uma tal velocidade. Portanto, para Piché a única alternativa possível era chegar a terra firme, custe o que custasse.

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Foi assim que o avião do voo Air Transat 236 conseguiu aterrar no aeroporto das Lages com 293 passageiros e 13 tripulantes. Todos se salvaram, embora alguns ficassem ligeiramente feridos durante a operação de saída de emergência.

Este feito de armas fez do comandante Piché um herói instantâneo. Tanto no Canadá como em Portugal. Infelizmente, como sempre acontece quando alguém tira a cabeça fora do rebanho, logo aparece um para lhe fazer baixar o cabelo... E foi assim que um jornalista se pôs a vasculhar a vida do comandante Piché e descobriu que ele já tinha estado preso nos Estados Unidos por ter feito voos de noite, sem luzes e sem motores, para transportar substâncias ilícitas para os carteis mafiosos americanos. Como vem bem descrito no livro sobre a vida dele e no filme que foi feito depois, o comandante Robert Piché, num período negro da sua vida tinha-se visto obrigado a trabalhar para o crime organizado a fim de poder resgatar a sua familiar posta em causa por abuso de drogas. Depois da prisão americana foi reabilitado, caso raro na história dos serviços prisionais americanos, e contratado pela Air Transat.

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Em 2015, o LusoPresse esteve representado, no voo do Comandante Robert Piché, por uma equipa de jovens (Nuno Cansado e Karene Aguiar). Este ano, quem tomou parte na viagem foram o nosso diretor Carlos de Jesus e o nosso chefe adjunto da redação Jules Nadeau.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

Finalmente, não fora esta folha de serviços as 306 pessoas a bordo não teriam sobrevivido para contar esta história extraordinária. Provavelmente também, se não fora a revelação do passado conturbado de Robert Piché, talvez ele não se tivesse envolvido na criação da fundação que vem em apoio a pessoas com problemas de dependência.

Para financiar esta fundação, Robert Piché levou a efeito o ano passado um voo à volta do rio São Lourenço, até à cidade de Québec, com cerca de 300 passageiros a 500 dólares por pessoa, sob o título de «La grande envolée du Commandant Piché». Este ano, ano da celebração dos 15 anos da aterragem forçada do voo AT236 nos Açores, repetiu-se a mesma iniciativa na passada quinta-feira, dia 5 de maio.

Tal como o ano passado representantes da comunidade portuguesa estiveram intimamente ligados ao evento, como foi o caso de Helena Loureiro, dos restaurantes Portus 360 e Helena, que teve a seu cargo o beberete servido no fim daquele voo, e do importador de vinhos Emanuel Cabral, distribuidor de vinhos «Cabral» e que forneceu todos os vinhos servidos a bordo e durante o cocktail em terra. Sublinhe-se que os acepipes confecionados pela equipa de Helena Loureiro, foram todos inspirados da cozinha portuguesa, embora com algumas variantes surpreendentes que deliciaram os convivas. No final foi sorteada uma viagem de dez dias a Portugal com o patrocínio de «Turismo Portugal».

Para concluir o evento, o Cônsul-Geral de Portugal em Montreal, Dr. José Guedes de Sousa, pronunciou um discurso em francês onde lembrou, a traços largos, a epopeia do comandante Piché e a estreita colaboração que se estabeleceu entre a fundação Robert Piché e a comunidade portuguesa de Montreal.

«Quando cheguei a Montreal, fiquei a saber que em 2003 o Presidente da República Portuguesa tinha distinguido o Comandante Robert Piché com a Ordem do Mérito da República Portuguesa. E, por esse facto, alegro-me por constatar que o meu país reconheceu oficialmente a coragem e o sangue frio deste piloto que salvou centenas de vidas.»

«A prova deste elo que liga a Fundação Robert Piché e Portugal, está na presença portuguesa no seio do seu conselho de administração – continuou o Senhor Cônsul-Geral, mencionando o nome de Manuel Videira, e a contribuição de diversos representantes da nossa comunidade para o sucesso deste evento caritativo».

Destaque
LusoPresse – Há cerca de 15 anos, um Airbus A330 que fazia a ligação aérea entre Toronto e Lisboa com 306 pessoas a bordo, devido a uma avaria mecânica, no meio do Atlântico, em plena noite, ficou sem combustível, sem motores, sem corrente eléctrica, sem meios de comunicar com terra. A última gota de energia que restava foi para comunicar por rádio que iam tentar chegar à ilha Terceira, nos Açores, e que estivessem a postos para uma aterragem de emergência.
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