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rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 07 de Abril de 2020
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Notas Bárbaras (de um quase diário)

Ernest Moniz – o poder e o saber

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

Acabo de chegar da conferência do Secretário da Energia (cargo equivalente ao de ministro em Portugal) Ernest Moniz, o luso-americano mais poderoso e famoso dos EUA. Falou sobre «The Iran Deal, Non-Proliferation and Global Nuclear Security», assuntos em que está inteiramente em casa, pois foi o grande arquiteto do extraordinário acordo conseguido com o Irão, para além de outros êxitos alcançados no posto que ocupa desde 2013, graças ao seu calibre como cientista (foi professor no MIT) e às suas magníficas qualidades de negociador/diplomata. Ajudou-o, segundo ele, o facto de o ministro iraniano ter sido também formado no MIT, se bem que não tenha sido seu aluno. Mas o gabarito de Ernest Moniz vem sendo mais do que reconhecido. Já a atribuição do seu cargo foi unanimemente aceite no Senado, onde costuma haver luta renhida para se ratificar qualquer nomeação do Executivo (em Portugal o Primeiro-Ministro é livre de selecionar quem bem entender, mas aqui o Senado tem de aprovar): a votação foi 97-0 (os três que faltam para os 100 da Casa não se abstiveram; simplesmente não estavam presentes).

O Washington Post há tempos afirmava que Moniz tem provado ser a melhor escolha de Obama para um ministério.

Vê-lo e ouvi-lo discorrer com extraordinária calma e ponderação, citando factos e dados científicos atrás um do outro sem sequer olhar para o papel, foi um espetáculo delicioso de se reter.

Um grupo de entre os mais prestigiosos cientistas americanos (incluindo o Nobel da Física Leon Cooper, da Brown) escreveu a Obama a elogiar o enorme triunfo que foi o acordo JCPOA (acrónimo para o acordo nuclear com o Irão).

Uma nota de petite-histoire: quando no período de perguntas e respostas um aluno inquiriu sobre a composição da equipa científica que o acompanhava, respondeu que tinha os sete principais laboratórios de Energia Nuclear dos EUA em contacto direto com ele e, porque as negociações decorreram na Suíça e em Viena, favorecia-o a vantagem de cinco horas (Costa Leste) e oito (Califórnia) de avanço sobre os iranianos: assim, toda a documentação levada para as reuniões havia já sido partilhada com os laboratórios dos EUA e analisada ao mínimo pormenor. Quando Moniz chegava à mesa das negociações, já podia aproveitar do imenso trabalho realizado durante a tarde e noite pelas equipas de apoio nos EUA.

Ernest Moniz nasceu em Fall River, neto de micaelenses. Numa das respostas a uma pergunta (todas foram feitas por alunos, pois essa é uma das estipuladas regras das Ogden Lectures), referiu o trabalho de purificação das águas dos rios, que beneficiaram indiretamente o seu Taunton, o rio que passa em Fall River e onde ele adorava pescar quando jovem.

Felizmente o Ernest em jovem não fez caso das vozes que naquele tempo circulavam garantindo que, com um apelido português, ninguém chegaria a lado nenhum.

PS – Sempre ouvi dizer que Ernest Moniz é neto de micaelenses emigrados para Fall River. Porque uma coisa é ouvir-se dizer e outra saber-se ao certo, procurei investigar. A primeira tentação foi a Internet e, naturalmente, a Wikipedia. Aí, encontrei o seguinte dado: nascido em Fall River, Massachusetts, em 1944, filho (em vez de neto afinal) de emigrantes de S. Miguel: Georgina Pavão Moniz e Ernesto Perry Moniz. O facto, porém, de o nome do pai aparecer como Ernest Perry levantou-me sérias dúvidas sobre se não seria já luso-americano, isto é, nascido nos Estados Unidos. É óbvio que poderia ter adquirido um nome americano ao naturalizar-se (Perry é a americanização de Pereira), mas havia que averiguar.

Pormenores destes podem parecer insignificantes, todavia não são. Por isso decidi indagar diretamente, contactando a mulher de Ernest, a Professora Naomi Moniz, minha colega de profissão durante décadas. Brasileira, paulista de ascendência japonesa (nisei), doutorou-se em Harvard e lecionou toda a vida no Departamento de Português da Georgetown University, em Washington, DC. Confirmou serem fundamentadas as minhas suspeitas. Segundo ela, os avós (e não os pais, como vem dito na Wikipedia) eram açorianos. Mas há ali outra informação incorreta: micaelenses são os avós paternos (Pavão e Moniz); os avós maternos são das Flores. E, portanto, os pais já nasceram nos EUA.

Mini-lição: cuidado com a Internet e com a Wikipedia.

Crónica
Acabo de chegar da conferência do Secretário da Energia (cargo equivalente ao de ministro em Portugal) Ernest Moniz, o luso-americano mais poderoso e famoso dos EUA. Falou sobre «The Iran Deal, Non-Proliferation and Global Nuclear Security», assuntos em que está inteiramente em casa, pois foi o grande arquiteto do extraordinário acordo conseguido com o Irão, para além de outros êxitos alcançados no posto que ocupa desde 2013, graças ao seu calibre como cientista (foi professor no MIT) e às suas magníficas qualidades de negociador/diplomata. Ajudou-o, segundo ele, o facto de o ministro iraniano ter sido também formado no MIT, se bem que não tenha sido seu aluno. Mas o gabarito de Ernest Moniz vem sendo mais do que reconhecido. Já a atribuição do seu cargo foi unanimemente aceite no Senado, onde costuma haver luta renhida para se ratificar qualquer nomeação do Executivo (em Portugal o Primeiro-Ministro é livre de selecionar quem bem entender, mas aqui o Senado tem de aprovar): a votação foi 97-0 (os três que faltam para os 100 da Casa não se abstiveram; simplesmente não estavam presentes).
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