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rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Em Ponta Delgada

Grandiosas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres

Anália Narciso

Por Anália Narciso

Ponta Delgada, São Miguel – A última vez que assistimos às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, São Miguel (Açores) foi no já longínquo ano de 1983 do século passado. Tínhamos regressado à terra depois de sete anos a viver no Quebeque. Chegámos ao Canadá solteira, em 1975, e regressámos, para ficar, em dezembro de 1982, já casada e mãe de três filhas.

Desta vez a história conta-se de outra maneira.

Convidada para representar o LusoPresse no Encontro de órgãos de Informação da Diáspora, levado a efeito nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, como se sabe, ali tão pertinho da ilha irmã S. Miguel, e com o Encontro a terminar a 27 de abril, logo pensámos – o Norberto acompanhou-me em representação da LusaQ TV – que devíamos dar um pulo a São Miguel para ver a família – dois irmãos, sobrinhos, primas... – e ao mesmo tempo assistir às Festas do Senhor Santo Cristo, questão de ver como ainda eram... A decisão não podia ter sido melhor.

Cristo andor DSC_3221.JPG
Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Ponta Delgada: Os peregrinos atingem números impressionantes!
Foto  - LusoPresse

Enquanto os colegas de outros Média seguiam o destino de casa, nós – evidentemente, eu e o Norberto – seguimos de São Jorge para Ponta Delgada, onde ficaríamos por mais oito dias. Escusado será dizer que programámos a nossa vida em função das festas, coisa que a família compreendeu e até colaborou.

Impressionante

Depois do que vimos das festas em 1983 – regressámos definitivamente ao Canadá em julho do mesmo ano – o que muitos nos diziam era que as festas na terra estavam a esmorecer... Que os mais novos já não ligavam a essas coisas. Outras vozes, essas vindas com maior insistência dos Açores, eram que nós na diáspora é que estávamos a alimentar essas festas religiosas no estrangeiro, por não termos evoluído.... Aliás, ainda hoje há gente a dizer que os emigrantes são uma cambada de ignorantes e atrasados. Como devem calcular, não vou por aí. Deixo isso para os mais experientes nesta matéria...

Passo agora a dar a minha opinião sobre o que vi das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres 33 anos depois!

Um mar de gente

Cristo bispo DSC_3216.JPG
Dom António Braga, por ter atingido o limite de idade, resignou ao seu pontificado. Para o seu lugar veio Dom João Lavrador.
Foto  - LusoPresse

A primeira constatação foi que chegado o momento toda a gente fala e sente as festas. Não vimos, mas temos a sensação que todas, ou quase todas, as freguesias da ilha ficam despidas de gente tão grande é a multidão que, principalmente no domingo, acorre a Ponta Delgada. Não são, como informaram, os dois mil emigrantes de passagem que fazem a diferença. Nem tão pouco os turistas em trânsito... O grosso daquela massa humana é forçosamente micaelense. Se ainda são crentes? A julgar pela imensidão das promessas que participaram na procissão acreditamos que sim. E olhem que também vimos muita juventude no desfile...

Outra surpresa foi constatar que a procissão ainda dura muitas horas! No local onde estávamos, esquina das ruas Comandante Jaime de Sousa, Marquês da Praia e Monforte e Conselheiro Dr. Luís Bettencourt de Medeiros e Câmara, sem exagerar, esperámos cerca de seis horas para que a procissão passasse...

Cristo anjos DSC_3211.JPG

Vimos muitos homens de opas, curiosamente perfilados em duas filas por lateral, coisa nova para nós. Muitas bandas de música, com a particularidade da presença de uma vinda da Califórnia (Lusitânia Band of the North Bay). Os políticos como de costume, com a novidade da presença do primeiro-ministro António Costa, coisa nova comparada com o meu tempo.... Muitos padres, a contrastar com poucos seminaristas. A presença de dois bispos, o resignatário Dom António Braga e o seu substituto João Lavrador. A presença dos escuteiros, habituada que cheguei a estar com a presença, se não estou em erro, da Mocidade Portuguesa... Os bombeiros, os anjinhos, as várias irmandades e corporações; poucos clubes de futebol. Assinalámos apenas a presença do Marítimo.... Houve outras ausências certamente. Apesar de tudo, a procissão foi muito bonita. Não sei, ainda hoje, se estava à espera do que vi ou algo diferente...

Cristo igreja DSC_3250.JPG

Imponente, como sempre, estava a imagem do Senhor Santo Cristo, levada em ombros por homens robustos. Já nem tinha bem a ideia de como era.... Do arraial, sempre muito concorrido no meu tempo, deu-me a sensação de acabar precocemente. À meia-noite acabaram-se as apresentações filarmónicas. Pouca gente ficou então no Campo de São Francisco. Muitos acabaram por escolher as barracas de comes e bebes na entrada para a Doca... Ou visitar as exposições paredes-meias com as Portas do Mar, que nem sonhadas no meu tempo. Na Avenida Infante Dom Henrique, várias esplanadas modernas, com diferentes ofertas. Muito movimento de veículos para uma cidade de ruas estreitas.... Outra surpresa, a duração das festas por toda uma semana. Ao tempo, na melhor das hipóteses, tínhamos sábado e domingo, já sexta e segunda não mereciam rótulo de dias de festa. Agora «sai» toda uma semana, com tolerância de ponto e tudo!

Em resumo, valeu a pena ter dado o salto a São Miguel para retomar o contacto com as festas maiores da ilha. E de certeza que não vamos esperar mais 33 anos para assistirmos às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Prometido!

Açores
Ponta Delgada, São Miguel – A última vez que assistimos às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, São Miguel (Açores) foi no já longínquo ano de 1983 do século passado. Tínhamos regressado à terra depois de sete anos a viver no Quebeque. Chegámos ao Canadá solteira, em 1975, e regressámos, para ficar, em dezembro de 1982, já casada e mãe de três filhas.
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