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rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 30 de Março de 2020
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Editorial

Alea jacta est

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

«Les jeux sont faits, rien ne va plus» – é com esta fórmula que os croupiês do casino dão a saber que não se aceitam mais apostas. O resultado do jogo agora depende da casa onde a bola da roleta vai parar. E nesta roleta, a sorte só pode cair em Donald Trump ou em Hillary Clinton.

Os mais experientes especialistas da política americana, comentadores, jornalistas e observadores falharam redondamente nas suas apostas. Ninguém acreditava que um pavão, vedeta da telerrealidade, conhecido pelos seus negócios imobiliários, de misses universo e casinos, que coleciona casamentos e divórcios com a mesma facilidade com que coleciona empresas e falências, criador de falsas universidades e de companhias de aviação que não levantam voo, que tem mais ar dum gerente de circo que dum partido político, ninguém, mas ninguém foi capaz de prognosticar que ele ia ser o candidato do Partido Republicano, do Great Old Party (GOP), do partido de Abraham Lincoln, nas próximas eleições presidenciais. E, no entanto, o improvável aconteceu.

Mas nem é só por causa da imagem que o homem representa que todos nós cá fora nos surpreendemos. É, sobretudo, da falta de substância, da falta de coerência, da falta de um plano político, duma equipa sólida, e também da completa ausência de experiência política, tanto interna como externa. Nunca exerceu um cargo político, nem sequer de presidente de junta de freguesia… Mas, para ele, o jogo político é um negócio. É um circo, um bluff. Dirigir o país é como dirigir uma empresa de casinos ou de show televisivo. E disso ele percebe. Rodeia-se de «yes men» e quando não gosta da cara dum, despede-o de imediato. «You’re Fired!»

É assim que ele entende governar a primeira potência comercial e nuclear do mundo. É assim que ele vai construir um muro entre os EUA e o México, com dinheiro dos mexicanos, diz ele, retendo as remessas que os imigrantes mexicanos enviam para as famílias. É assim que ele vai marcar os muçulmanos com um chip eletrónico para os poder controlar nas suas andanças. É assim que ele vai fechar as fronteiras aos refugiados, cortar as relações comerciais com a China, lançar uma bomba atómica nos países que se ataquem aos interesses americanos, matar a família dos camicases… e por aí fora.

A lista das declarações absurdas que ele tem feito nesta campanha é tão longa que seria fastidioso enumerá-la. E, no entanto, apesar da sua crassa ignorância tanto em termos de política interna como externa, apesar da oposição clara e feroz das próprias instancias nacionais do Partido Republicano, da falta de apoio de antigos presidentes republicanos, nada disso o impediu de ganhar o voto dos Angry White Male (homem branco enraivecido) para representar os republicanos no próximo dia 8 de novembro.

A popularidade de Donald Trump só se pode explicar pela revolta das classes trabalhadoras brancas que pensam que os negros têm mais direitos do que eles, que nunca aceitaram ser representados e muito menos governados pour un negro. Que pensam que a promessa de trazer de volta os empregos que desapareceram devido ao Outsourcing (empregos enviados para o México e para a China) lhes vai dar um novo trabalho mais bem pago. Que a expulsão dos imigrantes vai criar mais postos de trabalho (que na realidade ninguém quer), que a abolição do seguro de doença de Obama (o Obamacare) vai fazer baixar os descontos que pagam para o Estado, que Donald Trump não está vendido à Wall Street porque tem fortuna própria. Tudo isto faz crer a esta fatia considerável da população americana que tradicionalmente nem sequer votava, que vai voltar à mó de cima quando Trump estiver na Casa Branca.

E, pelo andar das coisas, apesar de tudo parecer que os americanos que foram capazes de eleger um negro, nunca iriam escolher um bobo para os governar, apesar disso, muitos dos céticos já nem sequer apostam na Hillary Clinton e resignam-se a ver uma personagem de vaudeville a chefiar a maior potencia militar e nuclear do mundo!

«Les jeux sont faits, alea jacta est»

Editorial
«Les jeux sont faits, rien ne va plus» – é com esta fórmula que os croupiês do casino dão a saber que não se aceitam mais apostas. O resultado do jogo agora depende da casa onde a bola da roleta vai parar. E nesta roleta, a sorte só pode cair em Donald Trump ou em Hillary Clinton.
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