logo
rss  Vol. XX - Nº 349         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Campanha eleitoral americana

Cada vez mais se desenha o confronto Clinton - Trump

Por António da Silva Cordeiro

Na quarta Super Terça-feira, a 26 de abril, houve Eleições Primárias importantes em cinco estados da costa leste: Delaware, Maryland, Pensilvânia, Connecticut e Rhode Island. Resultados finais: Trump 5, Clinton 4, Sanders 1.

Grande vitória para Donald Trump que, com o ímpeto natural de tal vitória, tem quase garantida a eleição na primeira votação da Convenção Republicana. Mesmo que, segundo os peritos na contagem de delegados, ele chegasse à Convenção sem ter atingido o número mágico de 1237, haveria distúrbios violentos em Cleveland, Ohio, onde ela se realizará, se ele não fosse eleito à primeira votação.

Houve um acordo entre Ted Cruz e John Kasich para dividirem entre si os estados e que cada um concorresse sozinho contra Trump a fim de o impedir de chegar ao número mágico e garantir uma «convenção contestada». Junte-se a isto o fracasso do movimento republicano «Trump, nunca» que também falhou depois de gastar milhões de dólares. Esta tentativa dos dois sobreviventes republicanos nem pelo próprio Ted Cruz foi respeitada. Os peritos em estatísticas e previsões de números de delegados do Partido Republicano pensam que, se Trump não chegar ao número mágico, vai chegar à Convenção com um deficit de apenas 30 a 50 delegados.

Para muita gente, excepto os advogados do Comité Nacional Republicano e os que se opõem a Donald Trump, seria impensável que a Convenção não votasse nele e não o escolhesse à primeira votação como o candidato republicano à Presidência.

Depois das. Primárias desses cinco estados da costa leste, a campanha passou para o estado de Indiana, a 3 de maio, seguindo-se, durante o mês, vários estados pouco importantes, acabando, já em junho, com New Jersey e Califórnia, estados com número grande de delegados. Tudo pode acontecer mas, em termos realistas, Donald Trump será o candidato republicano à Casa Branca.

Do lado democrata, tudo se passou também com muito entusiasmo e animação. Pelo avanço que Hillary Clinton conseguiu no princípio da campanha, Bernie Sanders já está sem possibilidades matemáticas de chegar vitorioso à convenção democrata em Filadélfia. Dos cinco estados em disputa, dois foram mais renhidos: Connecticut e Rhode Island. Sanders ganhou em Rhode Island porque é um estado pequeno com uma elevada percentagem de jovens universitários que são apaixonados pelo Senador de Vermont. No estado de Connecticut ganhou Hillary Clinton, mas também a disputa foi intensa, graças a duas universidades muito grandes: Yale University e University of Connecticut.

Depois dos resultados destes cinco estados, Bernie Sanders anunciou que regressava a casa para descansar e repensar a campanha. Na manhã seguinte, sabe-se que foram dispensados cerca de 300 trabalhadores da campanha de Sanders. Esperava-se que o Senador suspendesse a campanha, o que não aconteceu. Reforçou-a, aliás, embora limitando o número de cooperadores pagos e anunciou que se concentraria exclusivamente na última eleição – a Califórnia. Neste repensar a campanha, Sanders baixou o antagonismo pessoal contra Hillary Clinton e concentrou-se mais nas decisões políticas do passado dela e das suas ligações com a Wall Street.

No campo republicano Ted Cruz a descer cada vez mais e cada vez com menos hipóteses de conseguir uma «convenção contestada» tentou um truque quase malabarista antes das Primárias do Indiana. Basicamente sem precedentes históricos, decidiu anunciar que, se for vencedor, Carly Fiorina será a pessoa escolhida para o cargo de Vice-Presidente. Nesta apresentação ao público de Fiorina, Ted Cruz atacou Trump, e os dois, Fiorina e Cruz, atacaram os media por darem a vitória a Trump muito prematuramente. Apresentando a sua opção para vice-presidente ainda antes da Primária de Indiana (uma eleição de vida ou de morte), Ted Cruz abriu ainda mais as divisões no Partido Republicano. Se o establishment republicano não gosta de Trump, também não morre de amores por Ted Cruz. Escolher Carly Fiorina pode ser problema para Trump devido aos ataques sistemáticos dele contra as mulheres em geral. Basta ver o que já começou a dizer sobre Hillary Clinton ainda antes de obter a nomeação republicana. A história das relações de Trump e Fiorina é muito acidentada e ele desdenha-a e tem feito comentários muito ofensivos para qualquer mulher. Por isso é visto desfavoravelmente pela maioria das mulheres nas sondagens sobre a eleição geral. A escolha de Ted Cruz foi um ato desesperado de improvisação; é o equivalente político do estudante que puxa de uma arma de fogo para evitar um exame para o qual não está preparado. Poucos resultados positivos sairão desta decisão do Senador do Texas, pois ele tem uma diferença negativa de cerca de 400 delegados que não conseguirá debelar.ilary Clinton deu um choque silary Clinton eo Senador Sande3rs muito diferente dos encontros anterio

Foi evidente aque o ambviente e o tom do debAte indicou que estamos F, Delaware, Delaware

A única esperança de Ted Cruz é desafiar Trump numa convenção contestada que, no presente, não se antevê possível.

Muito mais convencional foi a posição de Bernie Sanders: mudou para uma persistência calma e não uma confrontação agressiva com Clinton. Normalmente os candidatos fazem isso em vez de suspenderem a campanha, a fim de avançarem uma agenda específica, ou por respeito para com os seus apoiantes. Poucos candidatos democratas geraram tanto apoio e entusiasmo entre a juventude. Os líderes democratas e a própria Secretária de Estado tentam tratar bem esta juventude porque irão necessitar do seu voto na final. Sanders pode ganhar, em maio, algumas Primárias menos importantes e pode chegar à Califórnia e, ganhando essa Primária, humilhar Clinton e forçá-la a gastar muito dinheiro para evitar a humilhação. Será o processo de chamar a atenção do establishment democrata nas proximidades da Convenção. Ao contrário de Trump, Clinton e os oficiais democratas têm tentado tratar Sanders bem e estão a sugerir ao de leve que ambos os candidatos comecem a trabalhar na união do partido para a eleição geral.

No dia 27 de abril, Donald Trump fez um discurso que recebeu muita atenção dos Média americanos e não só. Porquê? Deslocou-se a Washington para clarificar as suas posições nesse campo. Até aqui a sua posição sobre o papel da América no mundo tem sido exprimida em tweets, entrevistas e comícios que não têm sido bem-recebidos nos Estados Unidos nem no resto do mundo. O discurso revelou a mão de novos assessores, mas não eliminou a redação final de Trump e foi lido usando um teleponto (ele, Trump, que tem ridicularizado Obama e Clinton por usarem esta tecnologia). Acabou por revelar desconhecimento da complexidade do mundo, falta de entendimento do equilíbrio ou exercício do poder, ou mesmo uma cuidada leitura da história. Ao ouvir Trump descrever a sua visão das relações estrangeiras, imagina-se um grupo de nações sentadas à volta duma mesa, com ele à cabeça da mesma (como uma cena de The Aprentice), a exigirem mais dinheiro, mais tropas e mudanças de política em troca da proteção, negócio e amizade da América. E se ele não obtém o que deseja? «A negociar, temos que querer poder sair», disse ele. Esta visão unilateral é boa para a TV, mas estamos num mundo real em que as outras nações também têm as suas agendas. Ele «trabalhará muito de perto com os nossos aliados do mundo islâmico, mundo este que está todo confrontado com a violência do Islamismo radical.» Como conseguirá cooperação na sua guerra contra o Estado Islâmico enquanto nega a entrada dos Muçulmanos neste país e força os que vivem aqui a registarem-se? Trump repetidamente afirma evidentes mentiras, frequentemente baseadas em falsas premissas. Não existe evidência de que o Estado Islâmico faz milhões de dólares por semana vendendo óleo líbio. O acordo nuclear entre os EUA e outros países com o Irão não o tornou uma «grande potência» e Trump continua a dizer que o Irão viola as condições do pacto. Ele não exprimiu, neste discurso, a menor vontade de aprender ou corrigir os seus erros. Para quem afirma estar preparado para liderar o mundo livre isto é indesculpável. Ted Cruz classificou-o de «mentiroso patológico». Alguém disse que o grande problema é que Trump acredita profundamente nas suas mentiras.

As Primárias de Indiana foram muito importantes para os dois partidos. Donald Trump ganhou confortavelmente e tornou-se o nomeado virtual do Partido Republicano. O Senador Ted Cruz suspendeu a sua campanha e prometeu manter-se ativo no movimento conservador. Não mencionou o Partido Republicano nem o Partido Democrata. Não se prevê que endosse Donald Trump ou que o apoie e colabore na campanha presidencial. Trump agradeceu usando um tom muito calmo (chamam a isto ser presidencial!) e moderado. Mencionou, sem ofender, pelo menos duas vezes o Senador Cruz e prometeu fazer a América grande novamente. Trump não conseguiu esconder o choque da notícia da desistência de Ted Cruz. No dia seguinte, o Governador John Kasich anunciou que também suspendia a sua campanha e assim Donald Trump tem todas as condições para ser o candidato republicano à Casa Branca.

No lado democrata, Bernie Sanders recuperou duma série de derrotas e ganhou bem. Hillary Clinton optou por não contestar Indiana porque as sondagens indicavam que teria dificuldades em ganhar. Não gastou tempo nem dinheiro neste estado. O resultado final reduziu minimamente a diferença no número de delegados entre os dois. Sanders continua a lutar e tem planos firmes de chegar até à Convenção. Tentará imprimir a sua «marca» política e ideológica na «plataforma» democrata. Clinton começa a concentrar-se na campanha presidencial e em Donald Trump. Vai ser uma campanha extremamente ativa e excitante entre as duas figuras mais polarizantes da América nestes dias.

Whiting, New Jersey

Internacional
Na quarta Super Terça-feira, a 26 de abril, houve Eleições Primárias importantes em cinco estados da costa leste: Delaware, Maryland, Pensilvânia, Connecticut e Rhode Island. Resultados finais: Trump 5, Clinton 4, Sanders 1.
Campanha Eleitoral Americana 6.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020