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rss  Vol. XX - Nº 348         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 12 de Abril de 2021
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Notas bárbaras (quase diário)

Onésimo Teotónio Almeida

Por Onésimo Teotónio Almeida

A Manuela Bairos, Cônsul de Portugal em Nova Iorque, que colaborou com o Professor José Mariano Gago em iniciativas transatlânticas de grande envergadura quando ele era Ministro da Ciência e Tecnologia e ela Cônsul de Portugal em Boston, Massachussets, pediu-me que lhe cedesse uma história que há tempos eu lhe contara. Era para ser publicada no portal criado em homenagem do visionário homem da ciência no primeiro aniversário da sua morte, e eu não poderia recusar-me a fazê-lo, participando assim numa homenagem pública a um saudoso amigo. Lá seguiu a nota, que fica também reproduzida aqui.

12 de abril de 2014

O José Mariano Gago esteve três dias por aqui. Estava interessado em conhecer a universidade por dentro, particularmente nalgumas áreas para ele mais diretas, e organizei-lhe um plano. Palestrou no Program in Science and Technology Studies, almoçámos com professores de ciências e jantámos com alunos. Levei-o a uma conversa na TV, tomámos muitos cafés (ele toma quatro de manhã e quatro à tarde) e, na quinta-feira, fomos num passeio de seis horas até Newport, que deu para abundante falatar.

Dá de facto gosto entabular conversa com ele. Contudo, não é para lhe tecer uma apologia que aqui venho. Não deixo, porém, de registar que, depois de duas passagens pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, não tenho qualquer notícia de ele estar agora a usufruir das avenças do proverbial tacho que se segue a uma jubilação ministerial. O que merece registo.

Falou muito das alterações no país no domínio do acesso à pós-graduação que, graças às bolsas do Ministério da Ciência através da FCT, tinham permitido a gente sem nenhum passado universitário fazer brilhantes carreiras na investigação. Como exemplos, contou-me com justificado regozijo ter há tempos em Lisboa por mero acaso viajado no carro de um taxista que o reconhecera e lhe falara entusiasmado da sua filha, em tempos bolseira da FCT, mas agora nos EUA integrada num centro de investigação de uma excelente universidade da Costa Leste. Tudo isso, segundo o taxista, impossível de acontecer antes da entrada do seu cliente-passageiro para o Ministério e por isso lhe estava profundamente grato.

Deixei-lhe contar a história que com a justificada satisfação narrava, e acrescentei: Olha que quase aposto vais conhecê-la logo ao jantar e depois ao serão em minha casa.

Inibiam-me algumas dúvidas, mas tinha quase a certeza. Chegada, porém, a altura, eu sem querer ser direto a fazer a pergunta. Mas nem foi preciso porque, a propósito de já não sei quê, logo a filha do taxista, agora na Brown a fazer investigação num pós-doc em ciências cognitivas, puxou da conversa e pôs-se a falar com orgulho do pai, taxista em Lisboa, que até deixara tudo para ir à sua festa de doutoramento em Nova Iorque.

O José Mariano Gago dobrou o sorriso de contente. Alguma coisa tangível resultara do seu empenho na transformação de Portugal. E estava alia o vivo, num casualíssimo momento permitido por este small world, piccolo mondo do universo lusófono.

Crónica
A Manuela Bairos, Cônsul de Portugal em Nova Iorque, que colaborou com o Professor José Mariano Gago em iniciativas transatlânticas de grande envergadura quando ele era Ministro da Ciência e Tecnologia e ela Cônsul de Portugal em Boston, Massachussets, pediu-me que lhe cedesse uma história que há tempos eu lhe contara. Era para ser publicada no portal criado em homenagem do visionário homem da ciência no primeiro aniversário da sua morte, e eu não poderia recusar-me a fazê-lo, participando assim numa homenagem pública a um saudoso amigo. Lá seguiu a nota, que fica também reproduzida aqui.
Nota Barbara - Mariano Gago.doc
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