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rss  Vol. XX - Nº 347         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
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Leite e peixe? Vão à banca!

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Há duas notícias importantes das últimas semanas que passaram «escondidas» do público.

O Gabinete de Comunicação do governo, que é tão lesto a anunciar as novidades da governação, «esqueceu-se» de as colocar na agenda.

A primeira tem a ver com os dados divulgados a semana passada pelo INE sobre o procedimento dos défices excessivos.

Quem vasculhe os dados fica a saber que os Açores continuam a somar défices para o conjunto, o que não é coisa pouca para quem está, permanentemente, a vangloriar-se do equilíbrio das contas.

Foram 115,6 milhões em 2013, passou para 142,7 milhões em 2014 e baixou, à semelhança do país, para 55,4 milhões em 2015.

Louve-se o esforço do ano passado, mas não deixa de ser interessante que, nos últimos três anos, tenhamos uma média de 104,6 milhões por ano, qualquer coisa como 2,8% do PIB anual.

O défice da administração regional reflecte bem a percepção que assola cada cidadão açoriano, segundo a qual o governo estará a gastar em áreas onde não se devia meter, como o caso escandaloso da «nacionalização» da Sinaga, retirando ao orçamento recursos que deveriam ser aplicados em situações de emergência grave, nas áreas reprodutivas da nossa economia, como as pescas e a agropecuária.

Para estes dois setores essenciais da atividade económica regional, o governo tem anunciado linhas de crédito, quando é sabido que os pescadores e lavradores já estão atolados até ao pescoço com dívidas e penhoras à porta.

Para um governo que se ofendeu – e muito bem – pelo facto de Passos Coelho o ter mandado à banca quando solicitou apoio para as intempéries, convenhamos que não fica bem na fotografia...

Mas se não há dinheiro e imaginação para acudir às áreas reprodutivas desta terra, as que criam riqueza e emprego, o mesmo já não se poderá dizer para contratos, programa com empresas públicas falidas, avales e cartas de conforto a dar com um pau.

Há que manter a «rede das dependências» bem alimentada, com um «alforge de subsídios» que resulte no habitual farnel eleitoral, a que todos os governos nos habituam.

É aqui que entra a outra história, datada de 15 de fevereiro passado e estampada no Jornal Oficial, por despacho nº 273/2016, assinado pelo Secretário Regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses.

Trata-se de uma lista de mais de 200 subsídios!

Há para todos os gostos e feitios, que ultrapassam, no seu conjunto, o meio milhão de euros.

Há de tudo na derrama, até um de 49 mil euros para uma empresa do Reino Unido fazer um filme sobre Gungunhana.

Há também uns milhares para o Continente, para a realização de exposições de fotografia e afins, sendo o grosso dos donativos destinado a lançamentos de livros, criação de exposições, teatros, bailinhos, medalhas, estudos, projetos de investigação, festivais de música, encontros, workshops, filarmónicas, Casas do Povo, cineclubes, orquestras, coros, sociedades de recreio, chamarritas, simpósios, jazz, um acordeão, trajes, violas da terra, reedições, etc.

Nenhum cidadão porá em causa, certamente, este rol de apoios em nome de uma «sociedade que tem demonstrado o seu espírito de iniciativa e a sua capacidade criadora».

Mas causa impressão que outro rol de dinheiro e imaginação não se desenrole assertivamente pelas atividades reprodutoras da economia regional, quase todas de pantanas.

Portanto, caro leitor, apreensivo porque um dia acordará e não tem à mesa leite e peixe?

Não se preocupe.

Haverá alguém que lhe encherá a barriga com subsídios e avales...

Crónica
Há duas notícias importantes das últimas semanas que passaram «escondidas» do público.
Querem leite e peixe.doc
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