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rss  Vol. XX - Nº 347         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 01 de Abril de 2020
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Editorial

Celebrar a Mulher

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Por ocasião da celebração do Dia da Mulher, que este jornal levou a efeito no passado sábado para homenagear 16 compatriotas que se têm distinguido pelo seu contributo à comunidade, vem a propósito falarmos da condição feminina dos nossos dias.

Há quem esteja convencido que as mulheres já conseguiram de facto, pelo menos nas nossas sociedades ocidentais, a mesma igualdade de tratamento que os homens. Ora isto não só é uma aparência como na verdade ainda há muito caminho a percorrer. Aliás, as conquistas feministas são mesmo de fresca data na história da humanidade. Não passam senão duma camada muito ligeira de verniz com que por vezes nos queremos dar boa consciência.

Se repararmos bem há menos de um século que as mulheres adquiriram os mesmos direitos cívicos que os homens. Aqui, no Quebeque, foi só há 75 anos que as mulheres puderam adquirir o direito de votar e de serem eleitas, como veio lembrar, na semana passada, o funeral da primeira mulher deputada do Quebeque Marie-Claire Kirkland-Casgrain que, apesar de ter sido eleita teve de chamar o marido à cidade de Quebeque para ele lhe assinar o contrato de arrendamento do apartamento onde iria residir durante a sessão parlamentar. É que naquele tempo a mulher casada não podia assinar nem contratos nem sequer ter uma conta bancária em seu nome.

Que distância o movimento feminista percorreu nestes três quartos de século! Mas, como dissemos, ainda há muito por fazer para que uma justa igualdade se verifique. Por exemplo, no campo político, mesmo se o novo governo federal de Justin Trudeau conseguiu reunir um conselho de ministros paritário, metade homens e metade mulheres, a verdade é que nas instâncias políticas e decisionais da grande maioria das empresas as mulheres brilham pela sua ausência. E que dizer das trágicas estatísticas diárias das mulheres vítimas de abusos sexuais ou de violência conjugal? Das mulheres que não são pagas o mesmo salário pelo trabalho equivalente de um homem? Das mulheres monoparentais sem a menor ajuda dos pais? E assim por diante.

Mas, como diz o ditado – quando me olho me desolo, mas quando me comparo me consolo – a verdade é que a situação das mulheres fora do Ocidente é ainda muito pior. Sobretudo quando a tradição ou a religião – ou as duas juntas – as relegam a um papel de cidadãos de segunda classe.

É por exemplo o caso do Japão. Um país tecnologicamente moderníssimo, que já foi a segunda maior potência económica mundial e que continua definhar, com uma baixíssima taxa de fecundidade dos casais, uma população envelhecida, as fronteiras fechadas à imigração, mas, e sobretudo, porque metade da sua população está condenada ao desemprego devido ao peso da tradição. É verdade, a quase totalidade das mulheres casadas japonesas não tem uma atividade profissional. Está condenada a viver em casa para se ocupar do marido e dos filhos quando os há. E, no entanto, a mulher japonesa é instruída, educada, vai à universidade e trabalha enquanto solteira. Mas só em trabalhos temporários mal remunerados. Logo que se casa, a tradição manda que ela fique em casa. É malvisto que uma mulher casada trabalhe fora do lar.

Agora imaginem o que acontece quando a tradição se alia à religião. Aí temos uma situação explosiva. Aí temos não só a recusa da mulher no espaço público senão acompanhada de um membro masculino da família, mas temos sobretudo a recusa mesmo que a mulher se possa instruir, aprenda a ler e a escrever.

É o que se passa nos países de religião muçulmana tradicionalistas onde vigora a charia que considera um crime deixar a mulher ir à escola. A jovem tristemente famosa Malala Yousafzai, quase que pagou com a vida o querer defender o direito das meninas do Paquistão irem à escola. Os talibãs não lhe perdoaram a sua militância e enfiaram-lhe um tiro na cabeça!

Felizmente que ela sobreviveu. Menos sorte teve a primeira-ministra daquele país, Benazir Bhutto, que apesar de pertencer a uma das famílias mais poderosas do país, foi assassinada num atentado suicida durante um comício político em 2007.

Assim vai a condição feminina no nosso tempo. E enquanto assim vai, muitas e muitas mais iniciativas teremos que promover para sublinhar, melhorar e promover os direitos da mulher por toda a parte.

Editorial
Por ocasião da celebração do Dia da Mulher, que este jornal levou a efeito no passado sábado para homenagear 16 compatriotas que se têm distinguido pelo seu contributo à comunidade, vem a propósito falarmos da condição feminina dos nossos dias.
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