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rss  Vol. XX - Nº 347         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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De Onde Vimos e Quem Somos

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Prefácio – Soajo no início dos anos 900 estava sob a tutela do Mosteiro da Diocese de Tui.

Contudo, pertencia à fundadora do Mosteiro de Guimarães, a condessa Mumadona, que pelo que se sabe Soajo era também sua propriedade. A quando do problema entre mãe e filho sobre a independência (a influência dos Cruzados guerreiros prevaleceu!), a dita condessa teria doado Soajo a pastores e caçadores. Ora Soajo, só mais tarde passou para o controle da Diocese de Braga. Este prefácio é datado de 13/10/1995.

Devido à encruzilhada de povos que foi a Península Ibérica, pouco se sabe da origem dos primeiros habitantes da pré-história de Soajo.

Contudo, aventuramo-nos a dizer que há em Soajo gentes com características nórdicas. E nisso a arquitectura granítica da terra soajeira pode testemunhar de elementos dessa influência nórdica dado que Visigodos, Suevos e Celtas habitaram o norte de Portugal.

Para aqueles que não conhecem Soajo, encontra-se entre duas serras ao longo do Rio Lima, uma com o mesmo nome, com 1 442 metros de altitude, e a outra, que é a Serra da Amarela.

Geograficamente Soajo começa na margem direita do Rio Lima e acaba no alto da Pedrada. Como raianos estamos aproximadamente a sete quilómetros da vizinha Galiza.

Esturdia do Soajo copy.jpg

Soajo foi, outrora, como outras aldeias portuguesas, recanto ignoto de Portugal. Foi e é uma terra de partidas e regressos como muito bem o pinta o nosso poeta soajeiro Luís Barbosa no seu poema «Hino à Terra Mãe». Estas partidas começaram talvez depois da primeira República e da Guerra de 1914-1918, mas foi durante a implantação florestal e a Guerra Colonial que começou «o salto», rasgando novos horizontes para a liberdade do povo da «Terra Mãe».

Voltando à história, o que se conheceu até à data sobre Soajo é que o seu nome teria surgido pela primeira vez no testamento da condessa Mumadona, datado de 997, no Mosteiro de Guimarães.

Mais adiante, as Inquirições promulgadas por D. Afonso III, em 1258, dão-nos conta da criação de Santi Martini de Soaji (hoje Soajo).

Finalmente, para os que não conhecem Soajo, foi nos forais entre o Douro e o Minho, promulgados em 1514 por D. Manuel I, que Soajo acedeu a concelho, e que manteve até 1852 o que hoje nos é devido.

Soajo possui um património cultural nacional do qual fazem parte monumentos nacionais tais como o Pelourinho, os Espigueiros e muitas casas de granito hoje restauradas.

A propósito dos Espigueiros, não podemos deixar de mencionar o Espigueiro de segunda classe, que era o canastro de vara-verga, e que desapareceu sem ser carta postal. Aqueles que o Joaquim Lopes fazia para ajudar os mais pobres da terra.

Antes da emigração, a subsistência dos soajeiros deve-se à agro-pastoril comunitarista, que teve nos costumes e na alimentação uma função determinante.

Alguns dos exemplos comuns como modo de vida da aldeia eram: a eira do Penedo (para secar o milho), a parteira, o caminho de rega, as alfaias agrícolas, o fermento para a levedura do pão, o forno, o lagar para o vinho, o moinho, o boi do povo, assim como a entreajuda nos trabalhos da terra.

Pode dizer-se que o «comunitarismo» em Soajo esteve e está duma certa maneira enraizado na família, deixando quase de maneira visceral um apego aos bens herdados dos familiares.

Visto de fora, Soajo é para várias freguesias do concelho uma comunidade solidária na defesa dos seus interesses. E nisso os soajeiros têm dado provas. Construíram nos anos 40 uma das melhores escolas primárias daquele tempo. Construíram nos anos 50 uma das melhores casas do povo do país. Rasgaram, em 1954, uma estrada que ligou Soajo à Central Elétrica do Lima, implicando o carreto de pedra feito por carros de bois onde cada familiar da aldeia participou de maneira diferente.

Fundaram em 1975 um jornal que hoje enaltece a freguesia. Revindicaram para Soajo a restauração de casas de valor arquitetural, que hoje podem acolher um certo número de turistas. Arranjaram caminhos públicos.

Existe também em Soajo um certo respeito mútuo quando se trata de prestar homenagem aos mortos. Assim, quando alguém da terra morre, um familiar de cada casa presta homenagem ao defunto, na sua casa, ou então acompanha-o até ao cemitério. Antigamente, depois do enterro, havia o chamado «nicho», ou seja, pão e vinho e por vezes algum conduto que distribuíam aos mais necessitados que acompanhavam o funeral.

Um dos exemplos de solidariedade dos soajeiros é a atividade desta noite. Esperemos que não seja a última (mesmo se por certas razões fui excluído da organização). Esperemos que este encontro não seja o último. Em 1997 Soajo fará mil anos de existência. Faço aqui em Montreal apelo a todos os soajeiros do mundo que gestos como este se repitam.

Ref.: A. Lopes de Oliveira: Soajo uma aldeia diferente.

Luís Polanah, n-8 Comunidades Camponesas do Parque Nacional, S. Gerês.

António Lourenço Fontes, Etnografia Transmontana, comunitarismo Barroso.

Câmara Municipal de Valdevez, Boletim Cultural, Gepa, junho 1983.

Crónica datada de Montreal, 13 de setembro de 1995.

Crónica
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