logo
rss  Vol. XX - Nº 347         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Campanha eleitoral americana (4)

«Punir a América»

Por António da Silva Cordeiro

Nas eleições realizadas na terça-feira, 22 de março, Hillary Clinton e Donald Trump ganharam muito à vontade as Primárias do Arizona. Os dois líderes esperam com essas vitórias não prolongar muito a chegada à respetiva nomeação. No mesmo dia, Bernie Sanders destroçou Hillary Clinton nos caucusus de Idaho e de Utah. Ted Cruz venceu em Utah ganhando 40 delegados, porque a contagem final foi superior a 50%. A margem da vitória de Clinton em Arizona foi tão grande que, em número de delegados, quase compensou a vitória de Sanders em Idaho e Utah. É de notar que o Senador Sanders tem ganhado em quase todos os estados que fazem caucusus em vez das Primárias.

No seu discurso de aceitação da vitória, Clinton referiu-se mais aos acontecimentos de Bruxelas e aos comentários feitos pelos dois líderes republicanos: «A última coisa de que precisamos... são líderes que incutam mais medo. Perante o terror, a América não entra em pânico. Não construímos muros ou voltamos as costas aos nossos aliados. Não podemos atirar fora tudo o que sabemos acerca do que funciona e do que não funciona e [não vamos] começar a torturar. Este é o momento para a América liderar, não se agachar. Vamos liderar, derrotaremos o terrorismo e defenderemos os nossos amigos e aliados».

Clinton mostrou o apoio que tem dos idosos e dos não-brancos democratas; Trump aumentou os seus números com os votos dos anti-imigração que constituem um bloco grande nos estados da fronteira sul. As duas vitórias de Sanders deram-lhe uma grande dose de ímpeto para as eleições seguintes. Os bons números de Trump no Arizona anulam as tentativas do establishement republicano de o impedir de chegar à convenção republicana, já com o mágico número de 1237 delegados. Trump seguiu a sua regra desta campanha: muito mais fraco nos estados que usam caucusus. Estes estados foram os últimos, para os republicanos, a usar caucusus. A concorrência às urnas, principalmente por parte da juventude, tem sido altíssima, o que favorece tanto Trump como Sanders.

No processo eleitoral do Arizona aconteceu algo muito estranho e que deverá ser investigado pelo Departamento da Justiça. Os dois maiores distritos eleitorais são maioritariamente hispanos e afro-americanos. Acontece que houve alterações nas leis eleitorais que causaram sérios problemas. As filas para votar chegaram a ter esperas de cinco horas (algo condenável em qualquer país do terceiro mundo). Houve, nesses dois distritos eleitorais, gente que votou cinco horas depois da hora legal do fecho das urnas. Isto autorizado por juízes, uma vez que os funcionários estaduais quereriam simplesmente fechar as portas e acabar com a extensão do prazo de voto. Como em muitos outros estados, há milhares e milhares de pessoas que votam pelo correio ou votam antecipadamente, isto é, vota-se em certos lugares com 30 dias de antecedência. Tudo isto aconteceu porque em muitos estados há tentativas de dificultar o sistema de votação e de registo para votar. A pessoa com a responsabilidade das eleições é escolhida pelo governador. No caso do Arizona, foi uma senhora que decidiu que, no maior distrito eleitoral (incluindo Phoenix), com cerca de 230 postos de voto, fosse reduzido a 60 lugares de votação, o que significa uma redução de cerca de 70 por cento. Esta senhora já admitiu o seu erro e pediu desculpa, aceitando toda a responsabilidade, mas não pedirá a demissão. Só na América.

Outra nota interessante: as eleições em novembro não são limitadas à escolha do Presidente. Também se elegem todos os membros da Câmara dos Representantes (têm um mandato de apenas dois anos) e um terço do Senado, que este ano é de 24 Republicanos e 10 Democratas (têm mandatos de seis anos). O establishment republicano está muito preocupado porque, se o partido perder a Presidência, será muito possível perder por arrasto 5 a 7 lugares no Senado, o que significa perder também o atual controlo do Senado.

Em 26 de março, o Senador Bernie Sanders obteve uma grande vitória em três estados: Washington, 73 por cento; Alasca, com 82 por cento; e Havaí, com 73 por cento. A vitória em Washington, com 101 delegados, foi muito importante para Sanders, mas Clinton, no sábado, ainda mantinha uma diferença a seu favor na contagem de cerca de 280 delegados regulares e 440 super-delegados (estes são escolhidos/convidados à convenção, não são eleitos).

Foram três os estados com caucusus onde Sanders se tem desempenhado muito bem. Além disso, a participação das populações, principalmente no estado de Washington, foi enorme. O grande benefício destas vitórias para Sanders é o significativo aumento das doações para a sua campanha permitindo-lhe manter-se na luta e preparar-se para a publicidade caríssima dos mercados de New York e Pensilvânia. Ele também aproveita para continuar a desafiar Clinton relativamente às suas ligações com a Wall Street e ao seu record de política externa, de que ele discorda. Estas vitórias não eram inesperadas: os três estados têm relativamente baixas percentagens de negros e latinos.

Clinton tem que lutar muito para conseguir o voto jovem, que frequentemente tem problemas com as fontes de angariação de fundos para a sua campanha (Wall Street e gente ligada às indústrias fósseis). No entanto, e apesar dos problemas de Hillary Clinton, neste momento das Primárias ela tem mais votos do que qualquer outro candidato, incluindo Trump. Ela obteve mais 2,6 milhões de votos que Sanders, e um avanço no número de delegados maior do que Obama tinha nesta altura da campanha de 2008.

Gostaria de partilhar um simples comentário de um leitor de The New York Times: «Não é de admirar que Putin abertamente e a China secretamente gostem de Trump. Se Trump for avante com o seu plano «América Primeiro», eu prognostico que os Europeus farão a sua paz com a Rússia. Putin ficará feliz por acomodar os Europeus a fim de afastar os Americanos definitivamente do continente. A NATO deixará de existir. A China também aproveitará a oportunidade de afastar o poder militar americano da Ásia, fazendo aberturas amigáveis ao Japão e à Coreia do Sul. Os árabes do Golfo muito provavelmente voltar-se-ão para a China (que já é o seu maior consumidor) como seu protetor. The icing on the cake? A OPEC, liderada pelos Saudis, fixará o preço do óleo em Yen ou Euro a fim de punir a América. Concluindo, Trump diminuirá grandemente a influência da América no mundo».

Nota final: como poderá Trump ganhar com 73% das mulheres do país contra ele? Mesmo que consiga ganhar na Convenção, não pode ganhar as Presidenciais com tais números. Conseguir fazê-lo mais presidencial é como esperar que um gato ladre.

Whiting, New Jersey

Crónica
Nas eleições realizadas na terça-feira, 22 de março, Hillary Clinton e Donald Trump ganharam muito à vontade as Primárias do Arizona. Os dois líderes esperam com essas vitórias não prolongar muito a chegada à respetiva nomeação. No mesmo dia, Bernie Sanders destroçou Hillary Clinton nos caucusus de Idaho e de Utah. Ted Cruz venceu em Utah ganhando 40 delegados, porque a contagem final foi superior a 50%. A margem da vitória de Clinton em Arizona foi tão grande que, em número de delegados, quase compensou a vitória de Sanders em Idaho e Utah. É de notar que o Senador Sanders tem ganhado em quase todos os estados que fazem caucusus em vez das Primárias.
Campanha Eleitoral Americana 4.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020