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rss  Vol. XX - Nº 346         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 03 de Abril de 2020
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Campanha Eleitoral Americana

A Super-Terça-feira

Por António da Silva Cordeiro

Embora talvez um pouco tarde, gostaria de dizer algo sobre as eleições Primárias da terceira Super-Terça-feira, 15 de Março. Na véspera dessa data, um apreciado analista dizia que esta era uma eleição clarificadora para os dois partidos.

Hillary Clinton ganhou nos cinco estados – Florida, Carolina do Norte, Ohio, Illinois e Missouri - tendo aumentado 363 delegados à Convenção Democrática. Dois estados – Missouri e Illinois – terão de fazer uma recontagem geral porque a diferença entre o primeiro e segundo lugares foi inferior a dois por cento. A sua campanha passou de um ponto de interrogação a um ponto de exclamação.

Bernie Sanders, profundamente desapontado, continuará até à Convenção Democrata.

Entre os republicanos, Donald Trump ganhou quatro estados e John Kasich ganhou Ohio, onde é Governador. Ted Cruz não ganhou em nenhum dos estados, e Marco Rubio venceu na Florida, onde tinha de ganhar para se manter na corrida, porém, só atingindo o terceiro lugar. Logicamente Rubio suspendeu a sua campanha e, ao que parece, deixou a política. Manter-se-á mais um ano ou dois no Senado e regressará à vida privada.

Donald Trump teve uma semana bastante difícil devido à violência ocorrida nos seus comícios e, principalmente, devido ao cancelamento, à última hora, do comício na Universidade de Illinois, em Chicago. Ele nega que haja violência ou incitamento à violência nos seus comícios porque eles são, como diz, «Lovefests». Os factos e os vídeos da TV mostram o contrário: ele tem semeado medo não só entre os hispanos, mas também entre os muçulmanos e todos os estrangeiros. Tem muita razão o dito popular quando afirma que sempre se colhe o que se semeia.

Breves Notas

Os democratas deveriam entrar em pânico face à possibilidade de Trump entrar na eleição geral. Ele chegará à convenção republicana com o número de delegados de que necessita. Clinton e os democratas têm que entender que Trump não é, apesar de tudo, simplesmente uma anedota.

***

O establishment republicano está a tentar, por tudo, bater Donald Trump, que muito provavelmente chegará à convenção republicana com a maioria dos delegados, ou pelo menos com o número mínimo de 1237. Basicamente, a burocracia do partido não está a ouvir a voz do povo. Por outro lado, e mudando de assunto, a vaga no Supremo Tribunal de Justiça aberta pela morte súbita de Antonin Scalia e que o Presidente Obama tem a obrigação constitucional de nomear um substituto depois de avaliado e recomendado pelo Senado, não está a seguir os seus trâmites normais no Senado, de maioria republicana. O líder republicano, Senador Mich McConnell, quer ouvir a voz do povo e, portanto, acha que tem de se esperar pelas eleições de Novembro. A realidade é que, sobre esse assunto, o povo já falou elegendo, em 2012, Barack Obama por mais quatro anos, não por três anos e alguns meses. Há aqui uma estranha incoerência: deve-se ouvir o povo, mas só quando convém politicamente. No fundo, a voz do povo não conta quando não interessa.

***

A página editorial do The Washington Post notou há pouco que parece que os republicanos finalmente começam a acreditar que Trump será o candidato presidencial do Partido Republicano. Basta notar a mudança editorial do Wall Street Journal e a mudança de opinião de peritos em matéria eleitoral e política, como Karl Rove e outros que se opunham a Donald Trump.

Os democratas facilmente poderão cometer o erro de assumir que vencerão confortavelmente por Trump não ser político, mas apenas um outsider. A campanha presidencial não será fácil, embora seja evidente que os republicanos, até este momento, com a sua forte campanha anti-Trump, já forneceram aos democratas a melhor matéria para ser usada depois da convenção.

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David Brooks, um excelente colunista conservador do The New York Times, escreveu o seguinte, que traduzo:

«Donald Trump é uma afronta aos padrões básicos da honestidade, virtude e cidadania. Ele polui a atmosfera em que as nossas crianças são criadas. Ele já estilhaçou as regras não codificadas da civilidade política que torna possível a conversação. No seu regime selvagem, a vida pública é apenas uma luta de cães (ou galos) de todos contra todos. (...)

Os apoiantes de Trump merecem respeito. Eles são deixados fora desta economia. Mas o próprio Trump? Não, Trump não, nunca.»

***

Donald Trump foi recebido há dois dias pelo corpo editorial do The Washington Post. O jornal, em concordância com o próprio Trump, deu acesso ao acontecimento via Internet. Atrevo-me a traduzir uma passagem. Antecipadamente aviso que é muito confusa:

«Como o tempo estava a chegar ao fim, eu queria forçá-lo um pouco a saber se tenciona concorrer e/ou governar seguindo uma política de inclusão racial.

TRUMP: Bem, antes de mais, se você vê alguma das sondagens que têm saído (a público), eu estou muito bem com os afro-americanos. Eu estou, se realmente vê as sondagens, muitas das sondagens que saem, das, uh, como se chamam? Sondagens à boca das urnas, como em Nevada e outros lugares, eu estou muito bem com os hispânicos.

ATTIAH: Eu penso que algumas das sondagens dizem que você está nos negativos.

TRUMP: Sim, se são ilegais, por outras palavras, se é toda a gente, mas gente que vive aqui legalmente, eu estou muito bem. Por outras palavras, gente que está aqui, por exemplo hispânicos que estão neste país, eu estou muito bem. Gente que vota. Como gente saindo das urnas de voto e todos, eu estou muito bem com eles. Eu quero ser inclusivo, mas ao mesmo tempo, gente deve vir para aqui legalmente, eles devem estar aqui legalmente. E eu penso que a razão para eu estar a ser bem sucedido e que eu serei bem sucedido, especialmente quando eu começar, não esqueça: eu ainda não me foquei em Hillary. E, como sabe, você sabe que eu tive sondagens que são contra mim, mas eu tenho muitas sondagens que dizem que ainda vencerei Hillary, mas elas não são isso, isso, elas não significam nada agora porque ainda é muito cedo. Porque eu ainda não a ataquei. Eu só a atingi uma vez. Só a atingi uma vez, e isso foi há oito semanas, mas, eu ainda não comecei na Hillary, e quando começar eu penso que apresentarei os meus pontos de vista. Quero dizer, sabe, mas, mas penso que apenas para tentar responder à sua pergunta: uh, eu sou a pessoa menos racista que você alguma vez encontrará. OK. Isso posso dizer-lhe.

ATTIAH: Mas você não acha que as suas mensagens, a sua retórica, são perigosas e divisivas para este país? O que pensa sobre isso?

TRUMP: Não penso assim. Não, não penso assim. Sobre o assunto muçulmano, eu penso que é um problema sério. Eu tive muçulmanos que me chamaram e me disseram: «Tu estás certo sobre o problema muçulmano; eu penso que é um problema sério. E é um problema que tem de ser confrontado. Quero dizer, há tremendo ódio. Até o, até o tipo que eles apanharam em Paris. Ele estava escondido por outros muçulmanos, e toda a gente estava à sua procura, e ele vivia próximo do lugar em que crescera. É um sério, sério problema com os muçulmanos e tem que ser confrontado. É temporário e tem que ser enfrentado. E você sabe, você pode pensar que é negativo, muita gente pensa que é positivo».

Duas pequenas notas sobre esta tradução: 1) sou português, medianamente educado e vivendo nos EUA há quase 50 anos. Julgo saber o inglês suficiente para traduzir e mostrar o modo de pensar deste homem que pretende ser Presidente dos Estados Unidos. Qualquer aluno do terceiro ao quinto grau da escola primária raciocina e exprime-se melhor do que isto; 2) as perguntas feitas por uma jornalista do The Washington Post, negra, do Curaçao. Ela contou que, à saída, se reencontrou com Trump e ele lhe disse: «Espero ter respondido à sua pergunta e você é bonita.» Em termos americanos, trata-se de uma grande falha protocolar.

Whiting, New Jersey

Crónica
Embora talvez um pouco tarde, gostaria de dizer algo sobre as eleições Primárias da terceira Super-Terça-feira, 15 de Março. Na véspera dessa data, um apreciado analista dizia que esta era uma eleição clarificadora para os dois partidos.
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