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rss  Vol. XX - Nº 345         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 08 de Abril de 2020
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Campanha Eleitoral Americana

Hillary Clinton em linha reta para a Convenção e nomeação

Por António da Silva Cordeiro*

A morte inesperada de Antonin Scalia, Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, tornou-se subitamente um grande acontecimento político de suma importância. Acontecimento tão sério que, em menos de uma hora foi politizado pelo leader da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, de Kentucky, ao anunciar que «esta vaga não deveria ser preenchida antes de haver um novo Presidente». Há que ouvir o povo americano. Ao contrário desta declaração política apoiada automaticamente por todos os senadores e candidatos republicanos, o Presidente Obama tem a obrigação constitucional e o precedente histórico de nomear um candidato para preencher a vaga de um gigante da jurisprudência americana. A história americana mostra que, em 13 ocasiões – devido a morte, aposentação ou demissão – vagas do Supremo Tribunal foram preenchidas quer quando havia maiorias no Senado do mesmo partido quer da oposição. Sem dúvida Obama vai escolher alguém que os Republicanos razoáveis poderiam aprovar, mas razoabilidade não é uma qualidade do presente senado. Duvido que permitam uma votação. Triste. Muito se falou do homem, pai e jurista Antonin Scalia que entrou na história da jurisprudência americana como conservador, nativista, originalista, que apenas aceitou a Constituição como foi escrita há mais de 200 anos, sendo a única atualização possível uma emenda constitucional, processo dificílimo. É pena que a intenção do Senado seja somente humilhar o Presidente e quem for nomeado por ele para o Supremo Tribunal de Justiça. A política de obstrução está para continuar até ao fim.

Caucus Democrata em Nevada

No passado dia 20 de fevereiro, Hillary Clinton ganhou confortavelmente no estado de Nevada, quebrando o ímpeto que Bernie Sanders trazia da vitória confortável em New Hampshire. Em Las Vegas, os sindicatos (unions) dos casinos e, fora de Las Vegas, as comunidades hispânicas e negras votaram em massa na antiga Secretária de Estado, provando que ela poderia recuperar da derrota de New Hampshire, onde Sanders jogava em casa. Os Democratas estão a ter um problema que pode ser sério na campanha presidencial: o afluxo às Primárias e aos caucuses tem sido relativamente baixo. É de notar que os Republicanos e, principalmente Donald Trump, apoderaram-se da técnica inexcedível de Obama, que o fez ganhar as últimas duas eleições presidenciais – a corrida às urnas da juventude abaixo dos 30 anos.

No discurso de vitória, a Senhora Clinton afirmou que «os americanos têm razão para estarem zangados (angry), mas também estamos famintos (hungry) de soluções reais» – usando um interessante jogo de palavras possível em inglês. Clinton ganhou bem entre hispânicos e afro-americanos; Sanders esteve melhor entre jovens e adultos brancos, o que significa que terá dificuldades na Carolina do Sul e na Super-Terça-feira.

Primária Republicana na Carolina do Sul

Enquanto os Democratas se batiam em Nevada, os Republicanos lutavam na Carolina do Sul. Donald Trump venceu com facilidade, enquanto os outros candidatos se preparavam para o duro trabalho dos caucuses de Nevada e da Super-Terça-feira. Houve pressão para que as figuras importantes do partido declarassem o seu apoio a Marco Rubio, segundo lugar na Carolina do Sul (afirmou que «a noite passada foi o verdadeiro princípio das reais primárias republicanas») e visto como a possível alternativa a Trump. Ted Cruz, por seu lado, diz que ele foi o único que derrotou Trump em Iowa. Donald é tido como favorito em Nevada – não esquecer que ele tem um Trump Casino em Las Vegas e sabe utilizar como ninguém os media a seu favor, principalmente a TV.

Um candidato republicano necessita de 1237 delegados para ser nomeado candidato presidencial na primeira votação da Convenção do seu partido. Depois da Carolina do Sul, Trump tem cerca de 65 delegados. Nenhum outro candidato tem mais do que uma dúzia. Há pressão do establishment do partido para que personalidades republicanas adiantem o seu endosso a favor de Rubio - principalmente Mitt Romney e Jeb Bush, que suspendeu a sua campanha depois de conseguir apenas o quarto lugar na Carolina do Sul. Não é de crer que Jeb apoie Rubio tão cedo – as dores das ofensas mútuas ainda não desapareceram. Por seu turno, Romney não se decide porque espera que talvez o impossível possa acontecer: Trump chegar à Convenção com menos de 1237 delegados, o que forçaria a uma segunda votação na Convenção, permitindo-lhe assim oferecer-se como candidato. Os dois sobreviventes, Ben Carson (não se sabe porquê, continua) e John Kasich não têm hipóteses. O Governador do Ohio, que poderá derrotar Trump no seu estado, não tem hipótese a não ser numa convenção brokered. John Kasich continua a ser o republicano mais sensato e moderado, mas parece não poder ir mais longe do que um quarto lugar. É um candidato que não vinga no partido republicano de hoje.

Depois desta eleição e da desistência de Jeb Bush, houve uma corrida aos generosos doadores a fim de os convencer a apoiar economicamente Marco Rubio. A maioria deles está a respirar fundo por algum tempo e a ver o que acontece na Super-Terça-feira. Por seu lado, o establishment republicano está seriamente preocupado por duas razões: os candidatos sobreviventes esperam que Trump caia por si – não o atacam; uma vitória de Trump pode significar uma derrota na corrida à Casa Branca e uma diminuição grande na maioria de que os republicanos gozam presentemente no Congresso. Não esquecer que em novembro a Casa dos Representantes e um terço do Senado também vão a votos.

Caucus Republicano de Nevada

Donald Trump conseguiu a terceira vitória consecutiva em Nevada a caminho de 1 de março, Super-Terça-feira, em que haverá Primárias e caucuses em mais de 10 estados. Na Terça-feira, 23 de fevereiro, Trump ganhou em Nevada com uma diferença de 22% sobre Marco Rubio e Ted Cruz, que agora tem que tentar ganhar algum dos estados grandes na Super-Terça-feira, 1 de março. A burocracia republicana está cada vez mais preocupada com o avanço de Trump. Nenhuma das fações – republicanos, evangélicos, Tea Party, Latinos, etc. – mesmo unidas, consegue dominar e controlar Trump. Os concorrentes que ainda sobrevivem não se unem para atacar e parar o bilionário da dianteira. Os dois últimos, Ben Carson e John Kasich, só roubam votos a Rubio e a Cruz. Há algumas sugestões que ajudariam a vencer Trump. Uma seria os bilionários doadores republicanos poderem juntar-se para salvar o partido de um homem que é visto por eles como uma catástrofe. Outra alternativa, embora difícil, seria depois de 1 de março haver apenas um adversário. O problema é como e quem escolhe esse único opositor de Trump. Os debates têm sido desastrosos para Trump, mas o grande número de candidatos tem-no favorecido. Este número já devia ter sido reduzido. Se nos estados grandes, com número elevado de delegados, os concorrentes conseguirem vitórias nos seus respetivos estados – Cruz no Texas, Rubio na Florida, e Hasich no Ohio – ele ficaria altamente enfraquecido. O pior inimigo de Trump é ele próprio – o seu destempero e incompetência. Um erro grosseiro dele poderia ser o fim. Mas o partido continua a esperar. Poderá acontecer mais tarde ou mais cedo; ou talvez em novembro, o que já será tarde.

Décimo Debate Republicano

Finalmente no último debate antes de 1 de março, Marco Rubio e Ted Cruz decidiram não se destruir mutuamente, mas atacar Trump e conseguiram-no com resultados positivos. Ted Cruz atacou-o intelectualmente. Marco Rubio usou ferocidade e a mesma técnica usada por Chris Christie que o humilhou no debate anterior. Rubio usou uma ladainha decorada das infrações de Trump: ele contratou imigrantes ilegais para muitas das suas obras; as ações legais contra ele pela falsa Universidade Trump, que durou 10 anos e não produziu nada; as várias declarações de bancarrota legal ligadas a ele; «se construir o muro na fronteira com o México como construiu as Trump Towers, usará imigrantes ilegais para o construir». Rubio chamou-o mentiroso várias vezes – parecia um miúdo zangado. Talvez tenha sido tarde, mas finalmente atacaram-no dura e diretamente. Marco Rubio fez o que Chris Christie lhe fez, mas é de notar que o resultado acabou por ser contrário a Christie e favorável aos sobreviventes. Marco Rubio foi longe e receberá o pago, mas os dois conseguiram pôr em dúvida o apregoado conservadorismo de Trump que, por várias vezes, estava mais vermelho que um tomate. Os dois pediram repetidamente pormenores – como será feito isto e aquilo – e Trump respondia com insultos e fanfarronices, porque não tem detalhes nem programas.

Foi pena os moderadores não controlarem a ordem do debate que atingiu confusão absoluta e, por vezes, mais parecia uma briga de feira. Pena que a distribuição do tempo não tenha dado mais lugar a John Kasich e a Ben Carson.

Última Hora

Sábado, 27 de fevereiro, na Carolina do Sul, Hillary Clinton teve uma vitória definitiva e retumbante sobre Bernie Sanders. Os números são melhores do que os de Barack Obama em 2008 e 2012. Clinton está numa linha reta para a Convenção e nomeação.

Whiting, New Jersey

* Texto escrito antes da Super-Terça-feira.

Crónica
A morte inesperada de Antonin Scalia, Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, tornou-se subitamente um grande acontecimento político de suma importância. Acontecimento tão sério que, em menos de uma hora foi politizado pelo leader da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, de Kentucky, ao anunciar que «esta vaga não deveria ser preenchida antes de haver um novo Presidente». Há que ouvir o povo americano. Ao contrário desta declaração política apoiada automaticamente por todos os senadores e candidatos republicanos, o Presidente Obama tem a obrigação constitucional e o precedente histórico de nomear um candidato para preencher a vaga de um gigante da jurisprudência americana. A história americana mostra que, em 13 ocasiões – devido a morte, aposentação ou demissão – vagas do Supremo Tribunal foram preenchidas quer quando havia maiorias no Senado do mesmo partido quer da oposição. Sem dúvida Obama vai escolher alguém que os Republicanos razoáveis poderiam aprovar, mas razoabilidade não é uma qualidade do presente senado. Duvido que permitam uma votação. Triste. Muito se falou do homem, pai e jurista Antonin Scalia que entrou na história da jurisprudência americana como conservador, nativista, originalista, que apenas aceitou a Constituição como foi escrita há mais de 200 anos, sendo a única atualização possível uma emenda constitucional, processo dificílimo. É pena que a intenção do Senado seja somente humilhar o Presidente e quem for nomeado por ele para o Supremo Tribunal de Justiça. A política de obstrução está para continuar até ao fim.
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