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rss  Vol. XX - Nº 343         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 01 de Abril de 2020
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O Sétimo Debate Republicano

Por António da Silva Cordeiro

Quando estas notas chegarem ao leitor, já se saberá os resultados das primárias de Iowa e talvez também de New Hampshire. A 26 de janeiro enviei, via e-mail, a um grupo de amigos, uma pequena nota sobre o Town Hall Democrata do dia anterior. Convém explicar que a TV tem vários modelos de debates eleitorais, a saber: Forum – basicamente um moderador entrevista os candidatos individualmente, um depois do outro; Town Hall – encontro de um candidato ou vários consecutivamente com um moderador a apresentar as perguntas que os cidadãos fazem pessoalmente, ou por escrito à entrada, ou por outros meios como Facebook, e-mail, Tweeter, Skype, etc.; Debates – o primeiro tipo de debate é a nível mais baixo; até lhe chamaram «a mesa dos miúdos», para acomodar os candidatos acima de 10 (inicialmente) ou 7 candidatos (presentemente) e usa o mesmo formato do Debate Formal: 10 reduzido para 7 candidatos no partido Republicano e 5 reduzido a 3 candidatos no partido Democrata. Este último formato é o mais usado. Depois desta explicação, que espero útil, aqui vai o que enviei aos meus amigos:

«Não vou dizer nada de especial sobre o «Town Hall» de ontem entre os três candidatos democratas. Foi uma conversa muito interessante, bastante bem dirigida por Andy Cuomo, irmão do Governador de New York. Organização da CNN que aconteceu num auditório duma Universidade de Iowa. Havia muita gente jovem. A maioria das perguntas escolhidas foi apresentada por votantes que ainda estão indecisos, mas, pareceu-me, todos democratas. Perguntas interessantes e com valor. As respostas, principalmente por parte de Bernie Sanders e Hillary Clinton (já quase ninguém presta atenção a Martin O’Malley) foram muito boas, com os candidatos a revelarem-se entusiasmados, muito interessados e ativos. Basicamente já não dizem nada de novo, mas com a aproximação da primeira votação, o ardor da batalha aquece. Por isso estão os dois candidatos basicamente empatados. Recentemente Hillary Clinton mostrou muita coragem declarando-se absoluta seguidora da orientação e política de Barack Obama. Afasta-se cada vez mais da possibilidade de compromissos com os Republicanos, mas também aponta a sua distância do Tea Party.

À última da hora, nesta campanha presidencial aparece um independente muito respeitado e respeitável: o bilionário ex-mayor de New York City, Mike Goldenberg que, diz-se, no caso de Sanders ganhar a Clinton, se apresentaria a concorrer como independente. Conseguiria mais votos do que qualquer outro independente que tenha corrido anteriormente, mas duvido muito que consiga chegar à Casa Branca. Só se o Partido Democrata abandonasse Sanders para o apoiar. Isso parece-me impossível; seria acabar com o partido.

Vamos a ver o que acontece.»

Acrescentarei outra nota, antes de me dedicar ao Sétimo Debate Republicano, agora sobre a decisão de Donald Trump se recusar a participar no debate, alegando que foi maltratado pela Fox News. Trump queria e exigia que a moderadora, Megyn Kelly, fosse retirada do debate porque ele não gostou duma pergunta dela num debate anterior (creio que no primeiro de todos). Ele queixa-se de ter sido maltratado por ela, uma jornalista sem categoria e que o terá classificado como antifeminista. Obviamente a Fox News nunca poderia aceitar essa proposta porque nenhum candidato poderá controlar ou violar a liberdade de imprensa duma cadeia de televisão. Tendo falhado essa tentativa, e como Trump está convencido que é o melhor negociador do mundo, terá ameaçado não participar se Fox News não oferecesse 4 ou 5 milhões de dólares para organizações de veteranos de guerra, que ele afirma estão a ser muito maltratados por Obama. Supõe-se que a lógica da negociação de Trump seria a seguinte: se ele não participar no debate, Fox News terá menos alguns milhões de telespectadores, o que daria um prejuízo de 5 a 6 milhões de dólares. Portanto, se querem que ele participe, deverão dar a organizações de veteranos esse lucro de, pelo menos, 4 a 5 milhões de dólares. Se não aceitarem essa proposta, ele não participará e organizará uma grande festa para angariar dinheiro a favor dos veteranos à mesma hora do debate. Foi precisamente o que aconteceu. Diz-se que ele angariou os tais 6 milhões que agora vai distribuir por várias organizações de veteranos. Momentos antes de se iniciar o debate, Rupert Murdoch, fundador e dono da Fox News, enviou o seguinte Tweet: «Os candidatos Republicanos devem estar ansiosos pelo debate desta noite. Poderão falar sem Donald receber toda a atenção». O facto é que o resultado final desta decisão é que ele conseguiu ganhar com ela. Como nas sondagens ele está à frente de todos, seria o bombo da festa, atacado pelos moderadores e por todos os outros concorrentes. Assim, libertou-se da possibilidade de erros e de prejuízos para si próprio. Trump, que tem dito à boca cheia, no seu estilo sempre exagerado, que tem ganho todos os seis debates anteriores, na manhã seguinte afirmava que, mesmo ausente, ganhou o sétimo debate.

É este o homem que tem possibilidades de ser o candidato Republicano à Presidência dos EUA. Quer se queira quer não, é ele que representa a maioria da base do Partido Republicano e o partido nada pode fazer. É caso de se perguntar se esta decisão acabou por ser suicídio político, ou foi um golpe de génio. O futuro responderá.

Algumas observações sobre o debate. Sim, a Fox News teve muito menos audiência, não há dúvida. Também é certo que havia, na sala, o elefante de que pouquíssimo se falou. Foi com esta intenção com que o debate se iniciou, mas acabou-se falando dele e, mesmo sem se ver, ele estava lá. Como é norma, os candidatos todos atiraram-se a Ted Cruz porque, entre os presentes, está em primeiro lugar. Um dos momentos mais interessantes foi a luta entre Ted Cruz e Marco Rubio em todos os assuntos, mas principalmente sobre imigração. Chamaram-se mentirosos um ao outro várias vezes. Pela primeira vez os moderadores – que, há que concordar, comportaram-se bastante bem, não só controlando o tempo e decidindo, com força suficiente, quem falava e quem tinha que ficar calado – usaram uma técnica interessante: no início das perguntas a Ted Cruz e Marco Rubio, mostravam na TV o que eles tinham dito anteriormente no Senado, ou mesmo na campanha eleitoral. As contradições e as mudanças de opinião eram evidentes na sala e na transmissão. Tática interessante e efetiva. É de esperar que seja usada com frequência nos debates seguintes.

Tive a impressão de que Rubio, muito aguerrido, falando muito alto e excitado, terá ganho votos para a próxima segunda-feira, 1 de fevereiro. Quando não tinha mais que dizer, voltava sempre ao Estado Islâmico e a garantir que iria destruí-lo e encher de novo Guantanamo Bay.

Esta sede de guerra por parte de Trump, Cruz, Rubio e Christie é assustadora. Que eles tenham esta ideia na sua cabeça, respeita-se; mas que estejam a espalhá-la cada vez mais por esta América é perigosíssimo, não só para o país, mas para todo o mundo.

Jeb Bush teve talvez o seu melhor debate, possivelmente por não estar lá Trump. Todavia, está muito longe de poder recuperar. Tem gasto mais dinheiro do que ninguém e tudo chega ao seu fim. Tenho o hábito de dizer que sou religioso, mas na verdade, não acredito muito em milagres e Jeb Bush precisa de um grande milagre.

Ben Carson deu a impressão de estar no debate porque parecia não ter outro lugar para estar. Não deve durar muito, até porque o dinheiro deve estar chegando ao fim.

Ron Paul, chamado à última da hora para ocupar o lugar de Trump, não fez mais do que isso: ocupar o lugar vazio. Esteve calmo e, porque não tem hipóteses presidenciais, é tempo de se concentrar na campanha senatorial em Kentucky.

John Kasich esteve calmo e moderado como sempre. Tem uma experiência interessante e variada: foi Congressista vários anos, depois envolveu-se em negócios trabalhando num grande banco como executivo, sendo governador de Ohio com sucesso. O jornal The New York Times acaba de declarar-lhe apoio oficial como o melhor candidato Republicano. Todavia penso que, precisamente por ser moderado, não será eleito pela base do partido Republicano.

Chris Christie está a repetir-se dando a impressão de que iria para Washington apenas para manter Hillary Clinton a, pelo menos, 10 milhas da Casa Branca. Declara-se o melhor Procurador-Geral para investigar Hillary até conseguir levá-la à cadeia por muitos anos. Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho.

Whiting, New Jersey

Política
Quando estas notas chegarem ao leitor, já se saberá os resultados das primárias de Iowa e talvez também de New Hampshire. A 26 de janeiro enviei, via e-mail, a um grupo de amigos, uma pequena nota sobre o Town Hall Democrata do dia anterior. Convém explicar que a TV tem vários modelos de debates eleitorais, a saber: Forum – basicamente um moderador entrevista os candidatos individualmente, um depois do outro; Town Hall – encontro de um candidato ou vários consecutivamente com um moderador a apresentar as perguntas que os cidadãos fazem pessoalmente, ou por escrito à entrada, ou por outros meios como Facebook, e-mail, Tweeter, Skype, etc.; Debates – o primeiro tipo de debate é a nível mais baixo; até lhe chamaram «a mesa dos miúdos», para acomodar os candidatos acima de 10 (inicialmente) ou 7 candidatos (presentemente) e usa o mesmo formato do Debate Formal: 10 reduzido para 7 candidatos no partido Republicano e 5 reduzido a 3 candidatos no partido Democrata. Este último formato é o mais usado. Depois desta explicação, que espero útil, aqui vai o que enviei aos meus amigos:
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