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rss  Vol. XX - Nº 343         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 30 de Março de 2020
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Obama: o discurso sobre o Estado da União

Por António da Silva Cordeiro

O Presidente Barack Obama pronunciou, na terça-feira, 12 de janeiro passado, o seu último discurso sobre o «Estado da União». Não foi ainda a sua despedida da Presidência nem foi o usual tipo de discurso em que o Presidente apresenta ao Congresso o programa que pensa executar no ano que agora começa. Obama apresentou, antes, um retrato do país cheio de esperança, depois dos sete anos da sua presidência, com uma economia em contínua melhoria e com uma mais fortalecida posição dos EUA no mundo, apesar da desigualdade doméstica e do terrorismo no estrangeiro e no país.

Obama aceitou a sua parte da responsabilidade por não ter conseguido o que prometeu quando foi eleito em 2008: «É um dos pesares da minha presidência o rancor e a desconfiança entre os partidos terem piorado em vez de melhorado; (...), um presidente com os dons de Lincoln ou Roosevelt talvez tivesse podido melhorar esta ponte sobre a divisão».

O Presidente tomou nota dos americanos que se sentem medrosos e afastados do sistema político e económico, que pensam estar voltado contra os seus interesses. Repetidamente constatou a sua visão da Nação com a oposição republicana que insiste em menorizar a posição do país, descarregar ódio sobre os imigrantes, os muçulmanos e os estrangeiros em geral – referências claras a Donald Trump e Ted Cruz.

O Presidente expressou-se com muito à vontade e até com algum humor. Soube aproveitar bem o simbolismo da ocasião: no camarote da primeira-dama, havia uma cadeira vazia representando as vítimas da violência das armas; os outros lugares foram ocupados por uma mistura significativa, incluindo um refugiado sírio. Anunciou um esforço tipo moonshot para se encontrar a cura do cancro nomeando Joe Biden para liderar esse esforço. Apontou os quatro assuntos mais importantes no futuro da nação: como assegurar a oportunidade para cada cidadão; como usar e organizar a contínua mudança da tecnologia; como manter o país seguro; e como reparar as falidas políticas nacionais.

Como em todos os anos anteriores, Obama apelou a que se termine com gerrymandering – a delimitação artificial dos distritos eleitorais; que se facilite a todos o processo de votação; e que todos os cidadãos participem e se envolvam na política. Também pediu diálogo com os Republicanos na reforma do sistema da justiça criminal, aprovação do acordo de comércio livre com países do Pacífico, e nas iniciativas dirigidas à pobreza e à crise dos opioids nos Estados Unidos. Lamentou situações em que o compromisso tem falhado: salário mínimo, reforma da imigração e restrições na compra de armas.

Não podia terminar o discurso sem recordar o que tem conseguido na sua presidência: o colapso e recuperação da crise económica de 2008; a passagem do Affordable Care Act - Obamacare no sistema de saúde; pactos sobre comércio livre e alteração do clima, e as tentativas, embora falhadas, da reforma da imigração e da legislação sobre as armas. Obama defendeu a sua tática de enfrentar o Estado Islâmico – é uma ameaça muito séria mas não existencial e não força a necessidade de militares americanos no terreno, mas leva a alianças com outros países afetados.

Não posso deixar de acrescentar uma breve nota pessoal sobre o comportamento de Paul Ryan, o novo «Speaker of the House» que, como os restantes Republicanos, nunca aplaudiu o Presidente. Na TV, dava a impressão de que estava a fazer um grande frete a presidir, com Joe Biden, que é o Presidente do Senado, à Sessão Solene do Congresso. O seu sorriso sarcástico ofende qualquer pessoa, muito mais tratando-se de um discurso do Presidente. É sempre uma sessão muito solene quando se juntam as duas Câmaras: Congressistas e Senadores. Não há dúvida que os Republicanos têm, neste momento, a maioria nas duas câmaras, mas boas maneiras não têm partido.

A reposta oficial do partido Republicano foi feita pela Governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, que se desempenhou muito bem e demonstrou que poderá ter futuro no partido.

Whiting, New Jersey

Crónica
O Presidente Barack Obama pronunciou, na terça-feira, 12 de janeiro passado, o seu último discurso sobre o «Estado da União». Não foi ainda a sua despedida da Presidência nem foi o usual tipo de discurso em que o Presidente apresenta ao Congresso o programa que pensa executar no ano que agora começa. Obama apresentou, antes, um retrato do país cheio de esperança, depois dos sete anos da sua presidência, com uma economia em contínua melhoria e com uma mais fortalecida posição dos EUA no mundo, apesar da desigualdade doméstica e do terrorismo no estrangeiro e no país.
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