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Eleitores do PS votam PSD?

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

A grande questão que se vai colocar nas eleições regionais deste ano é saber se a oposição, especialmente o PSD, conseguirá retirar a maioria absoluta ao PS, já que a hipótese de vencer as eleições é coisa praticamente remota para os sociais-democratas.

Para isso é preciso que o PSD – com a ajuda do Bloco de Esquerda? – consiga atrair eleitores do PS.

A imprensa nacional destacou nas presidenciais o facto do PS estar a perder eleitorado de eleição em eleição, dando o exemplo da soma dos votos de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém (1 254 779 votos), o que resulta em menos 492 906 votos que o PS obteve nas legislativas de 4 de outubro passado (1 747 685 votos).

É verdade que são eleições diferentes, mas dá para perceber que muitos eleitores do PS não obedeceram aos apelos dos dirigentes socialistas, para que votassem num dos dois candidatos conotados com o partido.

Muitos votaram em Marcelo, mesmo que apoiado pelo PSD e CDS, e alguns optaram por Marisa Matias.

Se transpusermos esta lógica para os Açores, a fuga de eleitores socialistas é mais profunda.

Somando os votos de Sampaio da Nóvoa (14 768 votos) aos de Maria de Belém (3 041 votos) obtém-se 17 809 votos, muito longe dos 39 811 de Marcelo, que praticamente não fez campanha nos Açores e teve a oposição do Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, do Presidente Honorário do PS, Carlos César, e de quase todos os principais dirigentes locais da oposição.

A diferença entre os 52 827 votos, que o PS dos Açores obteve nas últimas legislativas regionais de 14 de outubro de 2012, e os 17 809 votos dos dois candidatos apoiados pelos líderes do PS açoriano, indica que mais de 35 mil eleitores que costumam votar no PS, fugiram para Marcelo e Marisa.

É dentro desta faixa de eleitores voláteis, que costumam dar a maioria absoluta ao PS-Açores, que reside a esperança do PSD.

O problema é que, quando se trata de eleições regionais, o eleitorado socialista que fugiu dos candidatos presidenciais da área deste partido, volta a fixar-se no PS.

Ou seja, os eleitores estão dispostos a votar em candidaturas nacionais afetas ao PSD, mas quando é cá dentro, parece que não dão grande credibilidade aos sociais-democratas.

O mesmo aconteceu em 2011, num cenário muito mais tenso, com a reeleição de Cavaco Silva.

Certamente que todos se recordarão que, antes das eleições presidenciais de então, Cavaco Silva fez aquela desastrada comunicação ao país, em plenas férias de verão, contra o Estatuto dos Açores, depois declarou-se contra a compensação remuneratória decidida pelo governo de Carlos César e quando visitou os Açores, em campanha, nem se dignou cumprimentar as autoridades regionais.

Tudo isso foi aproveitado por César e pelos apoiantes de Manuel Alegre, que recebeu ainda o apoio do BE e do PDA.

Chegados ao dia das eleições, o candidato do PS-Açores foi simplesmente humilhado na região.

Cavaco obteve 56% dos votos (mais 4% do que o resultado nacional) e Alegre apenas 25%.

O balde de água fria nas estruturas locais do PS (alguém chegou mesmo a dizer que era uma «indignidade» por parte dos açorianos) animou o PSD, que partia para as legislativas regionais de 2012.

Ora, o que se veio a verificar nas regionais foi outro balde de água fria, mas desta vez para o PSD, que via o estreante Vasco Cordeiro arrecadar uma maioria absoluta maior do que a que César obteve em 2008.

Ou seja, o eleitorado do PS que voltou a «desobedecer» ao partido nas presidenciais e que já tinha «desobedecido» nas nacionais, regressou em massa ao PS nas regionais, deixando mais uma vez o PSD a falar sozinho.

É aqui que o PSD se tem de interrogar onde é que está a falhar.

Um eleitorado que corre para os candidatos sociais-democratas a nível nacional, mas que, quando se trata da contenda cá dentro, foge a sete pés, é porque alguma coisa está mal nas propostas e na credibilidade dos candidatos do PSD de cá.

Já aqui escrevi, por mais de uma vez, que tirar a maioria absoluta ao PS é um caso muito sério, na medida em que os socialistas têm na mão um vasto setor do eleitorado dependente do orçamento regional.

O PSD até poderá aumentar o número de votos nas próximas eleições, mas pode acontecer que o PS também beneficie do mesmo efeito.

Não seria inédito.

Nas últimas regionais o PSD conseguiu mais 8 mil votos do que em 2008, mas o PS alcançou a mesma proeza, indo buscar exactamente mais cerca de 8 mil votos.

Os sociais-democratas até conseguiram um bom resultado em S. Miguel, com um aumento significativo de votos (mais do que o aumento do PS), mas o PSD tem problemas sérios com o eleitorado de várias ilhas, a começar pela Terceira, que tem sido uma dor de cabeça para as lideranças do PSD.

Virar tudo isso do avesso até outubro próximo não é tarefa fácil.

Por isso, quando me perguntam se o resultado das presidenciais é um prenúncio para uma reviravolta do eleitorado, respondo que não é bem assim.

Basta olhar para o passado e constatar que o eleitorado sabe diferenciar, muito bem, os atos eleitorais.

Daí o condicional: se a oposição açoriana conseguir retirar a maioria absoluta ao PS, já se pode dar por contente pelo grande feito.

Aspirar a mais do que isso... só um milagre.

Crónica
A grande questão que se vai colocar nas eleições regionais deste ano é saber se a oposição, especialmente o PSD, conseguirá retirar a maioria absoluta ao PS, já que a hipótese de vencer as eleições é coisa praticamente remota para os sociais-democratas.
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