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rss  Vol. XX - Nº 343         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Os debates Republicano e Democrata

O sexto Debate Republicano

Por António da Silva Cordeiro

Dois dias depois do discurso do Presidente de 14 de janeiro, teve lugar na Carolina do Sul o sexto debate do Partido Republicano. Foi talvez o melhor debate republicano e por duas razões: apenas sete participantes, o que permite mais tempo a cada um, e ter ocorrido apenas a duas semanas da primeira votação em Iowa. O debate caracterizou-se pelo rancor, mesmo ódio, entre alguns dos participantes, mas principalmente contra Obama, Hillary Clinton e os Democratas.

Começou com a disputa entre Donald Trump e Ted Cruz sobre o caso da legitimidade constitucional de Ted Cruz (nascido no Canadá de mãe americana e pai cubano) poder ser presidente dos EUA. Trump e alguns constitucionalistas dizem que o caso não está legalmente resolvido e que, sendo assim, os democratas poderiam levar o assunto a tribunal e isso seria muito inconveniente para o partido Republicano, caso Cruz ganhasse as primárias. Ted Cruz, bem familiarizado com a Constituição e com o Supremo Tribunal de Justiça, defendeu-se (ele e Marco Rubio são os melhores advogados a concorrer pelos Republicanos) indicando que, até há poucos meses, Trump especificamente dizia que os seus advogados lhe tinham garantido que a situação de Ted Cruz não era problema, mas agora que Trump desceu nas sondagens, ele levanta a questão legal. Gastaram imenso tempo neste assunto chegando ao cúmulo de Cruz afirmar que o próprio Trump talvez não seja legítimo cidadão americano porque a sua mãe, embora naturalizada cidadã americana, nasceu noutro país.

Depois de muito tempo perdido neste problema, finalmente mudou-se de assunto e os candidatos levantaram legítimas perguntas sobre o que Barack Obama fez e deixou de fazer para que os americanos se sintam seguros – todos têm a sua teoria, quase sempre terminando a advogar soluções militares. A discussão, a seguir, muito dura, foi sobre se a economia americana melhorou suficientemente e se está na direção correta. O tom do debate eclipsou a substância e foi, por vezes, demasiado sujo, chegando mesmo ao ridículo. Falando de economia, também se falou, longa e confusamente, sobre as reformas do sistema de impostos. Quando os republicanos discutem reformas de impostos, por mais que usem vocabulário diverso, querem no fundo reduzir os impostos a 1% e encontrar a melhor maneira de esconder essa intenção.

Com a primária de Iowa a três semanas de distância, e a de New Hampshire poucos dias depois, há vários candidatos que ainda não conseguem fazer rolar a sua campanha e por isso alguns deram tudo quanto podiam neste debate. Houve palavras exageradas, afirmações extremas, vozes demasiadamente altas, até peitos demasiado inchados. Trump está no centro de tudo isto e como que sobrevoa a cena política deste país espalhando escuridão, ruína e fanatismo. Mas ele não está sozinho.

Rubio e Cruz – ambos filhos de emigrantes cubanos – são, incompreensivelmente, tão anti-imigração como Trump, ou pior. A influência do estilo de Trump está a afetar todos os outros candidatos, mesmo os que, neste momento, parecem não ter hipóteses. Chris Christie, por exemplo, que se autoproclama como o mais efetivo adversário de Hillary Clinton, afirmou: «Se eu for nomeado, ela nem 10 milhas se aproximará da Casa Branca». Sobre Obama, qualifica-o como uma «criança petulante» e que no próximo outono «vamos pontapear-lhe o traseiro para fora da Casa Branca». Trump usa muito esta linguagem de arruaceiro. Marco Rubio abandonou o estilo dos debates anteriores para aprender de Trump o estilo de trovoada, medo/terror, ambiente apocalíptico e promessas de fletir o músculo americano à volta do mundo prometendo «muitos bilhetes, de ida somente, para Guantanamo Bay». Confrontando Ted Cruz acerca da imigração, chamaram-se várias vezes mentirosos um ao outro, o mesmo acontecendo a propósito de vários outros assuntos.

No fim do debate, veio à cena o comentário de Ted Cruz sobre os «valores de New York» que ele tentou usar contra Trump. Este contestou recorrendo à memória do 11 de setembro e como New York reagiu ao terrorismo. Ted Cruz ficou simplesmente sem fala, e acabou aplaudindo Donald Trump com a assembleia.

Embora muito possa ainda acontecer nesta campanha eleitoral, no momento presente os sobreviventes desta «guerra» republicana são Trump, Cruz e Rubio (estes últimos, membros do Tea Party). Os restantes parecem estar a mais e sem hipóteses: Ben Carson, John Kasich, Jeb Bush e Chris Christie.

Quarto Debate Democrata

Teve lugar em Charlotteville, na Carolina do Sul, o quarto debate dos Democratas. Hillary Clinton confrontou Bernie Sanders com as recentes mudanças políticas do Senador sobre a cobertura universal de saúde e sobre o controlo de armas. Com frequência, Mrs. Clinton alinhou com o Presidente Obama acusando o Senador Sanders de não ter sido grande aliado do Presidente Democrata e de não o ter acompanhado em assuntos importantes, como a regulamentação da Wall Street.

Com o Senador a avançar nas sondagens já perto do 1 de fevereiro, primeira votação em Iowa, Hillary Clinton tem-se apresentado como defensora da lista de conseguimentos de Barack Obama, enquanto Sanders acaba por favorecer os Republicanos com propostas substituindo ObamaCare por Medicare para todos, que é um plano de pagamento único. Mrs. Clinton foi penetrante nas suas críticas, mas sempre relativamente controlada no tom e nas palavras para não ofender os liberais que apoiam Sanders. Em vez de o acusar de ser «vira-casacas» no referente ao controlo de armas, delicadamente confessou-se feliz por ele ter retrocedido. Usando este tom comedido, conseguiu levantar dúvidas sobre a consistência dele sem ofender os liberais seus apoiantes. Esta tática fez Sanders parecer frustrado com as acusações da sua política da reforma da saúde e sobre o controlo de armas.

O tema dominante da noite foi a competição para se ver quem dos dois herdaria o manto político de Obama. O Presidente continua muito popular entre os democratas do estado que Clinton necessita de vencer convincentemente, a Carolina do Sul, que vota a 27 de fevereiro. Se ela perder Iowa e New Hampshire – o que é possível – Hillary e a sua equipa estão convencidos de que podem recuperar ímpeto político em parte graças ao apoio que ela tem entre os afro-americanos do Sul.

A luta entre os dois, Hillary e Sanders, foi sempre muito animada, mas também correta. Quando o Senador criticou Hillary por ter recebido num ano honorários de mais de 600 000 $ dólares por discursos feitos na Goldman Sachs, ela lembrou-lhe que ele se tinha oposto a Obama no problema da regulamentação de Wall Street.

O terceiro candidato, Governador Martin O’Malley, tentou mostrar alguma vida, mas não aparenta hipótese de sobreviver. Não ultrapassará as primeiras duas primárias.

Quando Hillary tenta mostrar Sanders menos do que qualificado para ser presidente, ele volta ao princípio da campanha afirmando que ela estava acima dos 50% e ele entre 3 e 5 %. Agora em Iowa e New Hampshire a corrida está muito, muito apertada e ele também diz que, nas sondagens nacionais, no confronto com o Republicano nº 1, Donald Trump, ele vai à frente de Mrs. Clinton.

Bernie Sanders não ganhou terreno novo neste debate, mas tentou aprofundar as suas críticas a ela como aliada dos interesses dos ricos e poderosos do 1% do topo da população. Tentou concentrar o debate na Saúde e na posição dos candidatos em relação a Wall Street e ao dinheiro na política. Confessou com orgulho que não tem «super PAC», nem ricos doadores, como Mrs. Clinton tem. Para ele, o importante deste debate é ter-se coragem para enfrentar as companhias de seguros e a indústria farmacêutica mais todo o seu dinheiro.

Hillary Clinton tentou apresentar-se como a herdeira do Partido Democrata e a sua agenda tradicional na economia, nas redes de segurança social e na política externa. Perguntaram-lhe que papel terá o marido, Bill Clinton, como conselheiro na sua administração, se esse conselho será oficial ou apenas na mesa da cozinha. Ela respondeu que principiará por ser na mesa da cozinha e depois se verá.

Os dois candidatos estavam sob pressão excecional neste último debate antes de Iowa. Clinton pareceu cuidadosa, por vezes apaixonada, mas sem chegar a ser agressiva; Sanders foi sempre ele próprio no tom de voz, chegando por vezes quase a gritar e na sua típica gesticulação.

O debate teve lugar perto da igreja onde, no ano passado, aconteceu o massacre de nove pessoas às mãos de um jovem doente mental o que, naturalmente, trouxe à baila o tema das armas. Sanders tem um historial duvidoso por ter votado várias vezes a favor da National Rifle Association. O Senador mudou recentemente de posição, mas Clinton criticou-o várias vezes pelos seus votos em vária legislação sobre o controlo de armas. Clinton exaltou-se bastante sobre este assunto lembrando que, em média, morrem diariamente, neste país, noventa pessoas vítimas de armas, o que poderia ser evitado com razoável legislação sobre o controlo de compra e produção de armas.

Ao fim e ao cabo, os dois não chegaram a acordo sobre os tópicos mais discutidos: saúde, armas e economia.

Um dos melhores momentos do debate ocorreu no encerramento, quando Hillary Clinton descreveu a presente crise em Flint, Michigan, onde a população foi forçada e enganada a usar água dum rio contaminada com chumbo. Já há crianças mortas e outras muito afetadas devido ao chumbo. O Governador do Estado já estava ciente do problema desde fevereiro de 2015. Só agora, quando a situação se tornou crítica, pediu auxilio ao Governo Federal. Porque se trata dum estado rico, logicamente a Administração Obama em Washington, D.C. recusou o pedido de declaração de estado de emergência. Hillary terminou dizendo que «se os jovens dum subúrbio rico de Detroit estivessem a beber e a banhar-se em água contaminada, há muito teria havido atividade governamental». Notar que Flint é uma pequena cidade pobre e de maioria afro-americana.

Whiting, New Jersey

Crónica
Dois dias depois do discurso do Presidente de 14 de janeiro, teve lugar na Carolina do Sul o sexto debate do Partido Republicano. Foi talvez o melhor debate republicano e por duas razões: apenas sete participantes, o que permite mais tempo a cada um, e ter ocorrido apenas a duas semanas da primeira votação em Iowa. O debate caracterizou-se pelo rancor, mesmo ódio, entre alguns dos participantes, mas principalmente contra Obama, Hillary Clinton e os Democratas.
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