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rss  Vol. XIX - Nº 341         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
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Katia Guerreiro...

A médica que virou fadista!

Carlos de Jesus

Entrevista de Carlos de Jesus

De passagem entre nós para participar no espetáculo «Trilogia Andaluza» no âmbito do Festival Sefardita de Montreal, o LusoPresse teve a oportunidade de se encontrar com a grande dama do fado, Katia Guerreiro, que muitos consideram como a lídima sucessora de Amália Rodrigues.

Nascida na África do Sul pelos acidentes da história, seu pai, militar, por razões políticas tinha saído de Angola e procurado refúgio naquele país austral. Tinha 11 meses apenas quando a família resolve ir para Portugal e se fixar nos Açores. Hoje considera-se realmente açoriana, tanto mais que foi lá que deu os primeiros passos no mundo da música.

Começámos pour lhe perguntar se a devíamos tratar por Dra. Katia Guerreiro ou simplesmente Katia visto que é médica, tendo inclusivamente trabalhado no Hospital Distrital de Évora. Rapidamente nos retorquiu que estava em Montreal como fadista e não como médica.

Katia entrevista DSC_0377.JPG

Mas será que o fado é um «sideline» na sua carreira profissional? Não, respondeu ela veementemente. Comecei a cantar a brincar e hoje ele ocupa uma parte importantíssima na minha vida.

Contemplando o palmarés do seu percurso artístico, na verdade estamos na frente duma cantora profissional que veio encontrar no fado, como muitos jovens da sua geração, uma forma de estar no mundo, ou outra foram de cuidar das pessoas e dela própria…

Trouxemos à baila a opinião que muita gente do tempo «da outra senhora» tinha do fado. O fado que fazia parte da trilogia ideológica que sustentava a propaganda do Estado Novo – Fátima, Futebol e Fado.

«Isso não corresponde à verdade. O Salazar nem gostava de fado e nem gostava da Amália. Aliás até a tratava por “a criaturinha”» – esclareceu-nos ela. Depois do 25 de abril houve realmente muita gente que foi injusta para com a grande Amália até que compreendeu que afinal ela era uma artista extraordinária e que até tinha dado dinheiro para o Partido Comunista clandestinamente. Aliás foi ela quem ajudou muita gente a sair do país, através do poeta e compositor luso-francês Alain Oulman o qual chegou a ser preso pela PIDE. Hoje sabe-se que nos arquivos da Polícia de Salazar a Amália era descrita como simpatizante do Partido Comunista.

Felizmente que uma nova geração de jovens foi capaz de se sobrepor a essa controvérsia e soube inspirar-se da Amália, do seu repertório, das suas escolhas poéticas. E foi assim que nasceu este novo escol artístico que deu um novo sopro à canção nacional.

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Katia Guerreiro com o nosso diretor, Carlos de Jesus, depois da entrevista.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

Para a Katia, a sua entrada no mundo do fado deu-se exatamente no último ano da faculdade. Tinha ido com amigos a uma casa de fados, a Taberna do Embuçado. Um dos músicos que lá tocava achou que a voz dela era uma grande revelação do fado. Ela não deu importância àquela opinião, o que ela queria era ser médica.

Curiosamente, no dia em que se apanhou com o «canudo» de doutora, toca o telefone. A voz do outro lado pede que quer falar com a doutora Katia Guerreiro. Ela responde que é a própria e a brincar diz que não pode receber mais ninguém que as consultas já estão todas cheias…

Qual não é o seu espanto quanto se apercebe que está a falar com um produtor de discos, que mesmo sem a conhecer, só pela opinião do músico da casa de fados, a queira ouvir e organizou uma sessão com músicos que ainda hoje a acompanham. Foi assim que a Dra. Katia Guerreiro começou a ceder o lugar à fadista cuja estrela já brilha internacionalmente e que desta vez a trouxe até nós para participar num festival da comunidade sefardita unida de Montreal, como os nossos leitores poderão ler noutro local deste número do LusoPresse.

Entrevista
De passagem entre nós para participar no espetáculo «Trilogia Andaluza» no âmbito do Festival Sefardita de Montreal, o LusoPresse teve a oportunidade de se encontrar com a grande dama do fado, Katia Guerreiro, que muitos consideram como a lídima sucessora de Amália Rodrigues.
Katia Guerreiro em Montreal.doc
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