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rss  Vol. XIX - Nº 341         Montreal, QC, Canadá - sábado, 04 de Abril de 2020
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Festival Sefardita de Montreal

Katia Guerreiro, resplandecente

Vitória Faria

Reportagem de Vitória Faria

Em 1496 o rei D. Manuel I assinou um decreto que obrigava os judeus a converterem-se ao cristianismo ou a sair de Portugal. Um documento igual havia sido promulgado quatro anos antes em Espanha.

Para se redimir daquele erro histórico, o governo português, em 2014, aprovou uma lei que permite devolver a cidadania portuguesa aos descendentes das vítimas daquela expulsão. A Espanha aprovou uma lei semelhante este ano.

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Foi para sublinhar estes acontecimentos que a comunidade sefardita de Montreal decidiu convidar para o encerramento do seu festival, que teve lugar no Théâtre Outremont, no passado sábado, um artista espanhol cantor de flamengo, Marcos Marin, e uma fadista portuguesa, Katia Guerreiro. A eles veio juntar-se Amina Alaoui, uma artista de Marrocos, país onde um grande número de judeus fugidos da Península Ibérica encontrou refúgio.

Este espetáculo foi organizado sob o signo da «Convivência» para sublinhar o espírito de convivência que existia no tempo do emirado andaluz, com capital em Córdoba, onde conviviam em paz, muçulmanos, cristãos e judeus.

Foi para celebrar esta convivência e marcar que Montreal é hoje um símbolo da harmonia entre todos os grupos religiosos que habitam esta cidade que a comunidade sefardita de Montreal levou a efeito este evento, como sublinhou o presidente de honra do festival, David Birnbaum, deputado por D’Arcy-McGee.

O espetáculo batizado «Trilogia Andaluza» começou com a cantora Amina Alaoui, a qual sublinhou também a harmonia que reinava no tempo do emirato andaluz e que o «islão não são nem os barbudos nem as burcas» que o representam. A maior parte do seu repertório foi inspirada nos cantares andaluzes, tendo também interpretado alguns trechos em língua ladina, a língua falada pelos judeus da Península Ibérica.

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Amina Alaoui, a grande cantora marroquina.
Foto Jules Nadeau - LusoPresse

Depois duma curta apresentação do artista de flamengo Marcos Marin, seguiu-se a grande estrela da noite, Katia Guerreiro, que assim encerrou o festival com chave de ouro.

Pode dizer-se que Katia Guerreiro estava resplandecente e maravilhosamente bem acompanhada pelo guitarrista Pedro de Castro e pela excecional orquestra Oktoecho, exímia nos instrumentos de cordas e que nos arrebataram sentidas palmas.

No final, Katia Guerreiro e Amina Alaoui, em duo, interpretaram várias canções e entre elas o fado «A Voz do Vento» que a artista marroquina cantou em língua árabe.

Foi realmente um grande momento de convivência e de fado sobretudo.

Entres os convidados de honra estavam o Cônsul-Geral de Portugal em Montreal, a Embaixadora e o Cônsul de Marrocos.

Destaque
Em 1496 o rei D. Manuel I assinou um decreto que obrigava os judeus a converterem-se ao cristianismo ou a sair de Portugal. Um documento igual havia sido promulgado quatro anos antes em Espanha.
Festival Sefardita de Montreal.doc
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