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rss  Vol. XIX - Nº 341         Montreal, QC, Canadá - domingo, 29 de Março de 2020
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Conto de Natal

O Pequeno Abeto

O Pequeno Abeto crescia no meio de uma clareira na floresta. Era um abeto muito pequeno, mas não gostava de o ser.

Suspirava à medida que olhava para as outras árvores ao seu redor. Elas cresciam tão rápido, enquanto ele crescia tão, tão devagar. O Pequeno Abeto estava infeliz, que não se apercebia de como o vento soprava através dos seus ramos, de como o sol aquecia as suas agulhas, da chuva a cair gentilmente em si.

Todos os invernos, quando havia uma camada espessa de neve no chão, os homens apareciam e cortavam os abetos altos. Carregavam-nos em carroças e levavam-nos embora. O Pequeno Abeto interrogava-se para onde iriam, e gostaria de ir com eles. Perguntou à cegonha: «O que é que acontece a essas árvores grandes?»

«Algumas são transformadas em mastros de barcos. Já as vi a velejar no mar» – respondeu a cegonha. O Pequeno Abeto não sabia o que eram barcos nem o que era o mar, mas desejou um dia poder ser um mastro. Isso soava maravilhosamente.

Ano após ano o Pequeno Abeto crescia na clareira – ficando aos poucos cada vez mais alto. Um dia de inverno, os homens vieram com carroças puxadas a cavalos. «Este servirá perfeitamente» – disse um homem, cavando à volta das raízes do Pequeno Abeto. «O que é que está a acontecer?» – interrogou-se o Pequeno Abeto.

Os homens levantaram o Pequeno Abeto, colocaram as suas raízes num grande vaso e encheram-no de terra. Depois colocaram o Pequeno Abeto numa carroça junto com outras árvores e partiram. «Para onde me levam?» – questionou-se o Pequeno Abeto.

Os homens conduziram a carroça através da floresta até chegarem a uma cidade. O Pequeno Abeto olhou admirado para as casas, as pessoas e as decorações de Natal nas ruas. A carroça parou diante de uma casa grande, e dela saíram a correr uma menina e um menino, seguidos por um homem. Todos rodearam a carroça para observarem o seu conteúdo.

O Pequeno Abeto abanou os seus ramos. Sentia-se tão alto e orgulhoso, no seu vaso. «Olhem para aquela árvore, é perfeita» – exclamou a menina. «Tem o tamanho perfeito. Podemos ficar com ela, papá?» – perguntou o menino. «Está bem, ficamos com essa» – respondeu o homem.

Ele entregou algum dinheiro ao condutor da carroça e o Pequeno Abeto foi levado para dentro da casa e colocado na esquina de uma grande sala.

Mais tarde, nesse dia a mãe das crianças entrou na sala com a avó e a tia. Colocaram luzinhas em cima do Pequeno Abeto. Depois penduraram bolas de vidro brilhantes, bonitos anjos e fitas coloridas nos seus ramos. A tia subiu um pequeno escadote e colocou uma estrela prateada no topo da árvore. Depois empilharam presentes por baixo do Pequeno Abeto e recuaram, observando-o. «Está maravilhoso. Esperem até as crianças o verem» – disse a mãe. «Agora estamos todos prontos para o Natal» – disse a avó. Elas acenderam as luzes e foram-se embora, deixando o Pequeno Abeto novamente sozinho. De repente, a porta abriu-se e várias crianças entraram pela sala dentro, gritando e rindo de entusiasmo. «Olhem para a árvore, olhem para a árvore» – exclamaram, dançando à sua volta. A sala estava cheia de barulho e gargalhadas, e o Pequeno Abeto ficou com as luzes a brilhar. Sentia-se tão orgulhoso e feliz. Sabia que estava lindíssimo.

Finalmente, as crianças saíram da sala. O Pequeno Abeto conseguia ouvi-las na sala de jantar com os adultos, comendo e bebendo, a conversar e a rir.

No início da noite, um senhor de idade sentou-se numa cadeira ao lado do Pequeno Abeto. Todas as crianças apareceram e rodearam-no, sentando-se no chão. Quando se fez silêncio, o senhor idoso começou a contar histórias às crianças. O Pequeno Abeto escutava; ele nunca tinha ouvido histórias tão maravilhosas.

Depois chegou a hora de ir para a cama. Antes disso, uma menina pequena voltou atrás, olhou novamente para a árvore e disse: «É a árvore de Natal mais maravilhosa de todas. Depois, silenciosamente, fechou a porta.

O Pequeno Abeto ficou sozinho no canto. As luzinhas tinham sido apagadas, mas as decorações e a estrela prateada brilhavam com o reflexo da luz do candeeiro da rua. O Pequeno Abeto suspirou, «Sou uma árvore de Natal. É muito melhor do que ser um mastro. Quem me dera que todas as árvores da floresta me pudessem ver agora» – pensou – «Este é o dia mais feliz da minha vida».

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O Pequeno Abeto crescia no meio de uma clareira na floresta. Era um abeto muito pequeno, mas não gostava de o ser.
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