logo
rss  Vol. XIX - Nº 341         Montreal, QC, Canadá - domingo, 29 de Março de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

O Futuro depende da Educação

A lição de Arnando Niskier em Florianópolis

Por Lélia  Pereira Nunes

«Educação é o maior desafio do Brasil do presente e do

futuro, o impulso objetivo para a redenção nacional...»

A. Niskier

O auditório Antonieta de Barros, da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, foi pequeno para acolher um público, predominantemente de jovens estudantes, ávidos para ouvir o escritor e educador Arnaldo Niskier a palestrar com propriedade absoluta sobre o tema «O futuro depende da Educação». Este foi o jeito que escolheu para comemorar o seu aniversário de 80 anos em Florianópolis – esparramando sabedoria e muita simpatia. Ouso afirmar que o aniversário foi de Niskier. Mas, o presente foi nosso, dos que tiveram o privilégio de ouvir sua magistral fala no Seminário «O nosso futuro depende da educação». Um grande evento promovido pelo CIEE/SC – Centro de Integração Empresa-Escola do Estado de Santa Catarina, entidade modelar de assistência social e de formação profissional que muito tem feito pela educação dos nossos jovens, sendo que sua profícua gestão está nas mãos de Aníbal Dib Mussi, Superintendente Executivo e Mércio Felsky, Presidente do Conselho de Administração do CIEE/SC.

Quem melhor para falar de um tema que tanto aflige o nosso País? Falar de educação da «Pátria Educadora» que apresenta um dos piores índices de desempenho escolar de acordo com dados da ONU, que corta 9 bilhões de reais do orçamento do Ministério da Cultura, que dos 60 milhões de alunos cerca de 15 milhões não têm acesso à Biblioteca?

O Educador e Presidente do CIEE/RIO, o Acadêmico, o Jornalista Arnaldo Niskier, que é, sem qualquer dúvida, uma das maiores autoridades do País em Educação. Uma vida dedicada à causa desde a juventude, quando elegeu e abraçou as carreiras do jornalismo e do magistério para sempre. Sua extensa e rica biobibliografia comprova ser Arnaldo Niskier, reconhecidamente, um apaixonado pelo magistério – o ensinar. Considerado um dos ícones da educação brasileira, comparável aos grandes educadores Anísio Teixeira e Paulo Freire. Do conjunto de sua obra destaco o fundamental Educação brasileira: 500 anos de história (1500-2000), Ed. Melhoramentos, publicado em 1989 e A Educação da Mudança. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2003. Entretanto, não posso deixar de chamar a atenção para a sua intensa produção literária infanto-juvenil. Publicou mais de trinta livros, alguns dos quais adaptados posteriormente para o teatro, com grande êxito. O mais recente: O rei do Circo foi lançado em setembro, durante a 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, Cadeira 18, afilhado de Rachel de Queiroz. Jornalista, por 37 anos fez parte da redação da revista Manchete e ainda continua escrevendo e colaborando muito em jornais de todo o Brasil como O Globo, Folha de São Paulo, Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, Jornal do Commércio do Recife e também em jornais de Portugal. É Diretor Responsável pelo Jornal de Letras do Rio de Janeiro desde 1998, quando o jornal voltou a circular, tendo ao seu lado o escritor Antônio Olinto, o editor-chefe desta nova fase. A propósito, durante sua fala reverenciou amigos que fazem parte da história cultural brasileira, citando o Acadêmico Antônio Olinto de saudosa memória.

Arnaldo Niskier lembrou que «vivemos um tempo de transição, quando é necessário considerar a existência de novos valores e a presença de crianças que são nativas digitais». Ou seja, as escolas já não dominam os conteúdos, não são donas do saber. A crescente inovação tecnológica, a internet, a conexão com o mundo em tempo real veio para ficar. Isso é inegável. O verdadeiro professor mais que ensina, ele inspira. Deve-se considerar como fator prioritário o preparar os professores para este novo tempo, o futuro que já chegou. É preciso melhorar sempre mais e o papel da leitura, insiste o conferencista, é fundamental para que este processo ocorra. A falta de bibliotecas públicas, o enorme déficit nacional de alunos adolescentes fora da escola é intolerável e precisa ser corrigido. É preciso valorizar a língua pátria, patrimônio cultural intangível, a base cultural do povo, a identidade nacional. Fomentar a leitura, a difusão da produção literária, estimular a distribuição do livro e o conhecimento dos nossos escritores. Estes são vetores vitais que fortalecem a cultura do país, reitera Neskier.

No caminhar em direção ao futuro, Arnaldo Niskier fez uma tomografia da Educação do Brasil e retratou a realidade do PNE – Plano Nacional de Educação – na implantação de vinte metas quantitativas sem qualidade, falta de recursos financeiros e operacionais. Uma esperança que levou 3 anos para sair do papel. Nossa «Pátria Educadora» abriga 14 milhões de analfabetos adultos. Não podemos nos conformar. É preciso investir. Não existem soluções milagrosas. Na Educação, afirma, milagre é trabalho e mudança. Destaca programas de excelência na área da formação e inovação em países de referência como a Suécia e Finlândia e, também, boas e positivas práticas no Brasil. Acima de tudo, defende a escola como propulsora da inteligência reflexiva, da ética e da formação de líderes para o nosso país. Esta é a missão do professor formador do aluno pensante. O crescimento do País depende de «Educação + Educação + Educação».

O imortal Arnaldo Niskier encerrou sua conferência prometendo trabalhar pela Educação até os 100 anos. Alguém duvida? Deixou-nos seu exemplo, deu-nos conselhos e cobrou o nosso compromisso com o futuro. Ficou a certeza de que a idade se mede pelo que produzimos e inspiramos. Pois, como reza o provérbio latino: «Só começamos a dar bons conselhos quando a idade nos impede de dar maus.»  Arnaldo Niskier, o educador, ainda tem muitas lições para ensinar ao Brasil e aos brasileiros.

Crónica
«Educação é o maior desafio do Brasil do presente e do
Arnaldo Niskier.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020