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rss  Vol. XIX - Nº 340         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 05 de Junho de 2020
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Quarto Debate Republicano: alguma calma

Por António da Silva Cordeiro

O debate foi organizado pelo canal de Business, da Fox News. É forçoso compará-lo com o debate anterior: os moderadores deste foram muito melhores – bons profissionais que conseguiram alguma disciplina e até alguma ordem. As regras do Comité Nacional Republicano mudaram um pouco e assim só qualificaram oito candidatos para o debate principal (desceram Mike Huckabee e Chris Christy) e quatro para o debate secundário: George Pataki e Lindsey Graham foram eliminados. Esta eliminação apenas significa que não participam neste debate; continuam a participar na campanha até quererem e poderem. Se subirem o suficiente nas sondagens, poderão ser readmitidos aos debates no segundo ou no primeiro escalão.

Mesmo numa atmosfera mais calma e amigável do que no debate anterior, continuou a haver apreciável falta de disciplina da parte dos candidatos no que respeita ao tempo de microfone. Alguns estavam demasiadamente ansiosos de ter uma oportunidade de falar e expor as suas opiniões.

Novidade neste debate foi o facto de todos os candidatos (um pouco ajudados pelos moderadores da Fox News) terem o cuidado e a oportunidade de atacar Hilary Clinton. Começaram a instilar fortemente na base primária republicana o medo duma possível vitória democrática, pois teria consequências trágicas para os Estados Unidos.

Gerou-se uma luta muito renhida e não se vê possibilidade de compromisso no assunto da imigração ilegal. Donald Trump não cede absolutamente nada: tem de se construir o muro na fronteira Sul e há que deportar os 11 a 12 milhões de pessoas ilegais, mesmo que isso afete negativa e desumanamente milhares de famílias que já vivem e trabalham neste país há 10, 15, 20 anos, ou mais. Os ex-Governadores Jeb Bush e John Kasich com experiência executiva têm opinião mais razoável; mas até a sala não os apoiou, antes pelo contrário. Ben Carson calou-se porque é seu hábito calar-se e parece saber pouco sobre o assunto. O Senador da Florida, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, também se calou. Depois de ter aprovado e votado no Senado uma lei de reforma da imigração que até passou com certa facilidade, agora, para agradar aos extremistas da base republicana, tem de abandonar a lei em que acreditava e em que tanto trabalhou. Rand Paul e Carly Fiorina insistem na posição tradicional republicana: fortalecer e guardar as fronteiras e depois melhorar a imigração legal esquecendo convenientemente o problema dos 11 a 12 milhões de ilegais.

Outro assunto discutido com entusiasmo foi a reforma do sistema dos impostos. Cada um tem o seu plano, mas a maior parte dos planos são ilógicos e não cobrem pormenores. Quando os profissionais destes assuntos analisam esses planos, chegam sempre à mesma conclusão: não funcionam no sistema existente. De notar que, tanto na reforma dos impostos como na economia em geral, continua-se na linha de sempre: reduzir os impostos aos 1% dos cidadãos mais ricos. Nem vale falar ou discutir o problema da desigualdade de compensação. Vale sim eliminar agências reguladoras, cortar departamentos governamentais que ajudem ou assistam aos pobres, e há sempre o acordo de aumentar substancialmente o orçamento militar.

No campo de política externa, falou-se muito sem grande conhecimento e, naturalmente, tentou-se meter medo com o fantasma de Hilary Clinton, que continuará a política de Barak Obama. E nem pensar que o país possa sobreviver a tragédia duma vitória de Clinton.

Ao fim e ao cabo, quem ganhou o debate? Nada mudou. Marco Rubio e Ted Cruz devem ter vencido. Jeb Bush fez o que devia fazer – parar a hemorragia com que entrou no debate. Rand Paul portou-se bem, embora não tenha hipóteses. John Kasich ainda tem possibilidades. Carly Fiorina, interrompendo todavia quase todos e não se tendo portado mal, também não tem possibilidades. Trump e Carson não mudaram. Procuram falar o mínimo possível, esperando ter a sorte de bater nas urnas os candidatos do establishment republicano.

Quando se vai finalmente reduzir o grupo de candidatos? O editorial de The New York Times tem uma teoria interessante. Há quatro fações entre os votantes na base republicana:

– evangélicos muito conservadores

– seculares muito conservadores

– «algo» conservadores (estes são 40 % da base)

– moderados ou liberais

O grupo mais importante é o dos «algo» conservadores. Tendo esta divisão em conta, o desafio para Jeb Bush e John Kasich, se quiserem ir além de fevereiro de 2016, é ganhar a maioria deste grupo. Chris Christy, Carly Fiorina, Lindsey Graham e George Pataki não durarão muito mais. Depois do terceiro debate, os números de Christy nas sondagens desceram muito, tanto que baixou de divisão. Graham e Pataki têm os números tão baixos que já nem entram nos debates. Fiorina tem contra si o facto de ter sido despedida quando era chefe executiva da Hewllet-Pacard. Mike Huckabee, Bobby Jindal e Ric Santorum esperam o apoio dos religiosos conservadores, mas não há número suficiente destes votantes para os três. Ted Cruz está em semelhante situação: as fações de extrema-direita poderão apoiá-lo, mas ele precisa de uma base nos «algo» conservadores. Ben Carson não terá o apoio dos «algo» conservadores porque estes não aceitam a sua falta de experiência política. Donald Trump é tão antipático que perderá para Ben Carson ou Marco Rubio.

No entanto pode haver surpresas porque este é um ciclo eleitoral louco.

Whiting, New Jersey

Crónica
O debate foi organizado pelo canal de Business, da Fox News. É forçoso compará-lo com o debate anterior: os moderadores deste foram muito melhores – bons profissionais que conseguiram alguma disciplina e até alguma ordem. As regras do Comité Nacional Republicano mudaram um pouco e assim só qualificaram oito candidatos para o debate principal (desceram Mike Huckabee e Chris Christy) e quatro para o debate secundário: George Pataki e Lindsey Graham foram eliminados. Esta eliminação apenas significa que não participam neste debate; continuam a participar na campanha até quererem e poderem. Se subirem o suficiente nas sondagens, poderão ser readmitidos aos debates no segundo ou no primeiro escalão.
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