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rss  Vol. XIX - Nº 340         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
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Editorial

Guerra sem nome

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Na história da Europa ninguém fica indiferente àquele período dramático que antagonizou dois grandes países europeus, a França e a Inglaterra, e a que se deu o nome da Guerra dos Cem Anos.

Quando se ouve dizer cem anos – um século – parece difícil acreditar que possa ter havido um conflito assim tão longo, opondo seres humanos uns contra os outros, como se a razão e o bom senso tivessem desertado o espírito das nações e dos seus líderes.

Hoje não falta quem pense o mesmo da guerra entre os jihadistas e o resto do mundo. Uma guerra que vai durar muitos, muitos anos, talvez um século como já se ouve dizer da parte de gente bem informada.

Porque ninguém sabe como é que esta guerra vai acabar nem como é que ela vai ser feita.

Para começar é uma guerra muito pouco tradicional. Isto é, não se trata de um estado contra outro. De um exército contra outro exército. Esta é uma guerra onde o inimigo não é conhecido. Vive escondido no meio da população civil e, atacá-los frontalmente, equivale a matar muitos inocentes. Coisa que nenhum país civilizado quer assumir.

Depois, é pior que uma guerra de guerrilha. Na guerrilha o atacante quer tirar proveito da surpresa para atacar e fugir. Neste caso o atacante não quer fugir. Quer matar o maior número de vítimas e depois matar-se a si mesmo convencido que vai para o paraíso e que lá tem 72 virgens à sua espera.

Para se poder encontrar um começo de compreensão deste conflito é preciso ir às origens do islão. Porque na verdade é de uma guerra religiosa que se trata Não dos muçulmanos contra o resto do mundo, mas dos muçulmanos entre eles. Ou seja, uma guerra entre os sunitas e os xiitas. Os atentados cá fora fazem parte do arsenal da propaganda jihadista.

Com a queda do império otomano no fim da primeira Grande Guerra, a terra do islão foi retalhada numa manta de patchwork, segundo os interesses geopolíticos do Ocidente. Em cada novo estado foi colocado um ditador para manter a coesão política do estado, sem ter em conta as diferenças étnicas e religiosas dos seus habitantes.

Resultado, tanto os sunitas como os xiitas (concentrados sobretudo no Irão) querem assumir a liderança do mundo islâmico.

Os sunitas, devido ao vazio criado pela queda do regime dos talibãs no Afeganistão, de Saddam Hussein no Iraque e à guerra civil na Síria, procuraram criar uma nova identidade política, à semelhança dum califado, a que dão o nome de Estado Islâmico. E são estes que agora procuram alastrar a sua guerrilha ao ocidente para mostrar aos xiitas que são eles a verdadeira religião do islão e os únicos que podem falar em nome de Maomé.

Até há bem pouco eram os xiitas, sob o impulso dos aiatolas, depois da queda do Xá do Irão, que procuravam fazer essa demonstração. Criando o Hezbollah no Líbano e atacando-se ao ocidente em geral e a Israel em particular.

É preciso dizer-se que o Estado Islâmico (EI) se tem inspirado muito das técnicas de infiltração e de controlo territorial praticada pelo Hezbollah – sobretudo através de uma rede de apoio sanitário, educativo e financeiro junto das famílias dos territórios ocupados. Resultado, essas populações são o melhor escudo que eles têm contra os ataques externos.

Com a mentalidade militar-religiosa dos combatentes jihadistas, este estado de sítio de guerra lavrada, pode realmente vir a resistir durante décadas, a não ser que o mundo muçulmano decida, de uma vez por todas acabar com todos os tiranos e divisões e criar um novo califado aberto, à imagem do que foi aquele período da história do islão que dá pelo nome de «Idade de ouro islâmica».

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