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rss  Vol. XIX - Nº 339         Montreal, QC, Canadá - terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020
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Terceiro Debate Republicano: Tanque de Tubarões, Combate de Box

Um combate de box com os candidatos confrontando os moderadores

Por António da Silva Cardoso

Longe vão os dias áureos da TV americana dos anos 60 a 80 do século XX. Homens como Walter Cronkite (que o povo americano considerava a pessoa mais respeitável do país), Dan Rather, Tom Brokaw e vários outros desse tempo. Os noticiários da ABC, CBS e NBC observavam a regra de independência e equilíbrio. O mesmo acontecia na rádio e nos jornais de categoria. Hoje, com dezenas e centenas de canais televisivos disponíveis, esse respeito pela independência e pela opinião contrária quase desapareceu. As companhias de TV deram-se ao luxo da especialização. As grandes companhias de TV têm canais dedicados a notícias, a desportos, a economia, à juventude, etc.

O que acima vai dito explica o ambiente do terceiro debate republicano: um autêntico combate de box, ou um espectáculo de demolição de carros em que ganha o último a ficar de pé ou o último carro ainda a rodar. Não se respeitaram pessoas e foi-se desencadeando o debate segundo a «receita» republicana: acabar e eliminar as regras impostas pela autoridade, neste caso os moderadores do debate que – concorde-se – talvez não tenham sido dos mais felizes e dos mais bem preparados. Mas há que notar a regra seguida nos debates anteriores segundo a qual, quando qualquer candidato tem problemas em responder à pergunta feita, ataca a media ou ataca o interrogador.

Impressões sobre alguns dos candidatos.

Donald Trump, que ao tempo do debate estava em segundo lugar nas sondagens de opinião pública, impressionou mostrando-se humilde ou humilhado simplesmente por já não estar em primeiro lugar. Até conseguiu não ser indelicado exceto para com os moderadores, queixando-se das perguntas feitas. A impressão geral é que os seus planos, repletos de sonhos faraónicos mas ainda e sempre sem pormenores, são tidos apenas como fantasias. Mostrou a sua consistência ao repetir sempre as mesmas coisas, o que leva muita gente a acreditar nelas.

Ben Carson tem defesa pessoal e explicação para todas as perguntas e para todos os problemas que tem tido na vida. Estudou Medicina, mas na vida prática é seriamente influenciado pelos estudos exegéticos da Bíblia dos adventistas, de que é ativo praticante. O seu plano de reforma do sistema de impostos é baseado na teoria do «dízimo» recomendada na Bíblia e praticada pelos adventistas: toda a gente pagaria o mesmo; não 10 por cento, como na Bíblia, mas 15 por cento. Não há excepções. E que cada qual resolva por si as dificuldades pessoais.

Jeb Bush esperava recuperar das fracas perfomances dos debates anteriores, todavia afundou-se mais ainda, e já lhe dão 60 dias para recuperar ou desistir. Preparou-se para o debate, mas as sugestões que lhe foram dadas foram infelizes. Atacou Marco Rubio, da Florida como ele, acusando-o da sua ausência das votações no Senado. Que devia estar no Senado, ou então demitir-se. Bush ficou engasgado e não teve resposta para a defesa do jovem senador filho de cubanos.

Marco Rubio, que na opinião de muitos analistas terá ganho o debate, aproveitou muito bem o direito de resposta, que lhe mereceu fortes aplausos da assistência, maioritariamente republicana. Os republicanos colocam neste jovem a sua esperança de ganharem o voto hispânico e minoritário. O problema é que ele foi um dos apresentadores no Senado da lei da Reforma da Emigração. Pouco depois, deixou de concordar com ela e, por isso, caiu no descrédito público hispânico.

Paul Rand está arrumado e já devia ter suspendido a sua campanha para presidente e passado a concentrar os seus esforços nas eleições para Senador, pelo estado de Kentucky.

Ted Cruz foi violento para com a media e principalmente para com os moderadores do debate, que talvez não tenham sido os melhores e mais bem preparados. Cruz é uma pessoa muito inteligente, um ótimo advogado, e parece ser também o homem mais odiado por todos os senadores dos dois partidos. No entanto, o Senador tem grandes limitações em economia. Tem um plano muito simples, segundo ele, para a reforma do sistema de impostos. Atualmente esse sistema tem cerca de 40 000 páginas de legislação e regras. Ele reduziria tudo isso a 3 (TRÊS) páginas. O contribuinte, todos, poderiam preencher a sua folha de impostos ao estado num simples cartão postal. Imagine-se a poupança que adviria da eliminação do IRS por desnecessário.

Mike Huckcabee é outro que não se sabe por que razão continua na campanha. Novamente a explicação é o apoio evangélico e o muito dinheiro disponível.

John Kasich, governador do Ohio, tem uma boa experiência de vida: foi político, Representante no Congresso em Washington, homem de negócios após deixar o Congresso, e é neste momento executivo – governador de um grande e rico estado. Tem ideias muito interessantes que têm sido bem sucedidas no seu estado com consenso bi-partidário. É um dos raros republicanos que acredita em compromisso e consenso, qualidades estas que não são muito aceitáveis na base do partido republicano.

Chris Christie, governador de New Jersey, devido ao ambiente arruaceiro que se criou no debate contra os moderadores, estava em sua casa. Mais um que já deveria ter desistido, todavia continua porque há muito dinheiro nesta campanha de 2016. Hoje, o The New York Times, em editorial, pede-lhe que desista e regresse a tentar tomar conta do estado de New Jersey.

Depois do ciclo eleitoral de 2012, o Comité Nacional Republicano fez um «exame de consciência» para resolver o problema da péssima escolha dos candidatos das mais recentes eleições presidenciais em que foram escolhidos Mitt Romney, John McCain e Bob Dole – tudo candidatos que nunca poderiam ganhar e ser presidentes. Uma das sugestões desse exame de consciência foi diminuir o número de debates. Esta série de debates planeados para o ciclo 2016 foi sugerida para funcionar como uma peneira que iria eliminando os mais fracos. Porque não tem acontecido isso? Porque há muitíssimo dinheiro disponível para os candidatos continuarem até que esses bilionários decidam reencaminhar os seus contributos para outro candidato. Tudo isto é resultado duma decisão do Supremo Tribunal de Justiça há cerca de quatro anos: as corporações, porque são pessoas legais, têm, perante a constituição, direitos e liberdade de expressão gastando o seu dinheiro em política ou contribuindo para ela. Se isto for levado até às últimas consequências, será lógico as corporações terem direito de voto de acordo conforme o dinheiro que têm. Não será isto o que se chama oligarquia? Será isto que servirá a sociedade americana num futuro não muito longínquo?

Whiting, New Jersey

Crónica
Longe vão os dias áureos da TV americana dos anos 60 a 80 do século XX. Homens como Walter Cronkite (que o povo americano considerava a pessoa mais respeitável do país), Dan Rather, Tom Brokaw e vários outros desse tempo. Os noticiários da ABC, CBS e NBC observavam a regra de independência e equilíbrio. O mesmo acontecia na rádio e nos jornais de categoria. Hoje, com dezenas e centenas de canais televisivos disponíveis, esse respeito pela independência e pela opinião contrária quase desapareceu. As companhias de TV deram-se ao luxo da especialização. As grandes companhias de TV têm canais dedicados a notícias, a desportos, a economia, à juventude, etc.
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