logo
rss  Vol. XIX - Nº 339         Montreal, QC, Canadá - sábado, 28 de Março de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

A dívida dos Açores como herança

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Os próximos dias vão ser interessantes com a discussão do Plano e Orçamento da região para 2016.

E posso dar já o meu prognóstico em relação aos discursos do Governo Regional: está tudo sob controlo, as contas da Região são um mar de rosas...

Ora, analisando com atenção aqueles dois documentos e somando-os ao que o INE acaba de publicar sobre os procedimentos dos défices excessivos (2ª notificação, 2015), temos um caldo escaldante e bem entornado.

Aliás, não é por acaso que Sérgio Ávila já se apressou, anteontem, a esclarecer que o aumento dos avales do governo às empresas públicas, de 145 milhões de euros para 236 milhões (um aumento de 62%!), é para «refinanciar empréstimos contraídos anteriormente», para «reduzir custos» e assegurar uma «poupança efetiva» das contas públicas.

Tudo muito bonito, mas trocado por miúdos o que isto quer dizer é que as entidades do perímetro da administração regional vão continuar a endividar-se, agravando as contas da Região, como está a acontecer nestes últimos anos.

O INE veio dizer-nos nestes dias que os Açores tiveram uma dívida bruta de 1 057,6 milhões em 2011, aumentou em 2012 para 1 146,5 milhões, voltou a aumentar em 2013 para 1 262,1 milhões e deu novo pulo em 2014 para 1 404,8 milhões. Sempre a subir...

Isto quer dizer que a dívida direta refletida na conta da região é de cerca de 400 milhões de euros.

Analisando todos os documentos, conclui-se que, durante a vigência do acordo com a Troika, a Região endividou-se, no Orçamento, ao ritmo de 25 milhões de euros por ano, e fora da vigência do acordo com a Troika, o endividamento, no orçamento, ronda os 50 milhões de euros.

Usando o critério dos défices excessivos, impostos pela União Europeia, o agravamento do endividamento dos Açores foi de 3,1% do PIB em 2013 e 3,8% em 2014.

Decompondo ainda mais as contas, seguindo o método dos défices excessivos, temos que o endividamento público vem crescendo de 86,6 milhões em 2011, de 88,9 milhões em 2012, de 115,6 milhões em 2013 e de 142,7 milhões em 2014.

Quanto à história dos avales às empresas do setor público regional, no ano passado eles atingiram 611 milhões de euros.

Se as dívidas dessas empresas fossem todas incluídas no Orçamento Regional, teríamos lindas contas para mostrar à Troika.

Mas a «limpeza» que é varrida para as entidades do perímetro da administração regional fazem com que se apresentem orçamentos cheios de floreado.

E não são poucas as empresas ou serviços e fundos criados nesta região: já vão em 75, contando com 45 fundos escolares e 9 unidades de saúde.

Ou seja: uma bela herança que vamos deixar aos nossos filhos e netos.

A SATA ENTALADA – A SATA encaminha-se para mais um ano de prejuízos. Provavelmente menores do que os 35 milhões do ano passado, porque teve que pôr os «flaps» a fundo.

Mas como temos eleições regionais no próximo ano, o governo regional já começou – mais uma vez – a entalar a empresa e a sua administração.

Vítor Fraga veio dizer, alto e bom som, que «deu instruções» à SATA para reforçar os voos para o Faial, cedendo às fortes críticas que vinham daquela ilha, sobretudo das cúpulas locais do partido.

Afinal quem manda na SATA?

Claro, para as boas notícias é o governo, para as más é a administração...

Para quem deve mais de 40 milhões à SATA, não custa nada dar mais umas ordens para prejuízos.

Mas não é só.

Vem aí mais borrasca.

Como prevíamos, os novos donos da TAP anunciaram que querem pôr a companhia a competir com as low-cost.

Significa que nas rotas liberalizadas para os Açores, a SATA vai ter mais uma concorrente de peso, onde já tinha perdido, até agora, 50 mil passageiros.

Sabendo-se que David Neeleman possui uma companhia nos EUA, a JetBlue, com uma frota fortíssima de baixo custo, não custa nada prever que a rota de Boston, monopolizada pela SATA, será cobiçada pela nova TAP.

Será mais um rombo na transportadora regional, já que é à custa dos emigrantes que as administrações da SATA e o Governo Regional vêm cobrindo as contas da empresa.

É que a rota de Boston vai render este ano à volta de 30 milhões de euros, quando no ano passado tinha ficado pelos 24 milhões.

Basta David Neeleman olhar para estas contas, para ficar de olhos em bico.

Crónica
Os próximos dias vão ser interessantes com a discussão do Plano e Orçamento da região para 2016.
A divida dos Acores como heranca.doc
no
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020