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rss  Vol. XIX - Nº 338         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 08 de Julho de 2020
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Vai começar a campanha para novas eleições

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

Há duas coisas que me parecem praticamente certas como resultado das eleições de 4 de outubro: vamos ter novo ato eleitoral a meio do próximo ano, marcado desta vez por Marcelo Rebelo de Sousa, e António Costa está morto politicamente, seja qual for o desfecho das suas insistentes negociações à direita ou à esquerda.

Costa procura no BE e no PCP dois balões de oxigénio para a sua sobrevivência política, mas suicidou-se durante o arrastar do jogo.

O líder do PS provou que é um político nada confiável, numa primeira perceção quando deu o golpe de misericórdia a António José Seguro.

Na altura o motivo era a vitória «poucochinha», coisa ignorada agora na clamorosa derrota de 4 de outubro.

Depois, Costa fez uma aproximação ao Livre antes das eleições, indo mesmo ao encontro daquele partido e recebende-o também de braços abertos no congresso do partido.

Agora que o Livre não teve nenhuma expressão eleitoral, Costa nem lhes passa cartão.

Costa chamou Sampaio da Nóvoa a discursar perante a plateia PS, fez-lhe os maiores elogios, colou-se ao candidato, até César trouxe-o a uma estapafúrdia comemoração na Câmara da Lagoa, mas agora faz-lhe a folha, atrapalhado com a candidatura de Belém.

Este homem não tem palavra e é um perigo político.

Hoje diz ou faz uma coisa, amanhã é exactamente o contrário.

Por mais que se agarre a todos os cenários possíveis para formação do novo governo, já está liquidado.

O eleitorado à sua esquerda não lhe perdoará se, depois de tudo o que fez nestes últimos dias, der o seu apoio a um governo da coligação.

O eleitorado ao centro, o tal com quem se ganham as eleições, também não lhe perdoará se se concretizar a aliança com o PCP e BE.

António Costa não tem futuro político num quadro à sua esquerda, porque é tudo tão distante daquilo que é o PS profundo.

O que os partidos à sua esquerda estão a fazer, não é mais do que esvaziar o eleitorado do PS, sabendo que «engordarão» à custa deste desvario do líder socialista e sua equipa.

Vejamos o que disse o PCP dias antes das eleições, acerca do PS:

"O secretário-geral do PCP acusou esta segunda-feira o homólogo socialista de alinhar com o Governo da maioria PSD/CDS-PP sobre a renegociação da dívida soberana portuguesa e de ambicionar »poder absoluto", criticando ainda as »lebres de corrida" a Belém. »Não é possível deixar de registar o alinhamento do PS e do seu secretário-geral com as posições do Governo, designadamente na recusa da renegociação da dívida e da consideração de que ela é sustentável".

Diz hoje numa entrevista António Costa: «se for primeiro-ministro farei regressar as 35 horas de trabalho semanal para a administração pública». Só que acrescentou mais uma coisinha: Se puder ser lá para 2016. Ou seja, para os trabalhadores da administração pública fica já claro: 2015 nem pensem, 2016 logo se verá, se puder ser», disse Jerónimo de Sousa, ironizando: »Se, se, se? Apetece-me dizer: se a minha avó não morresse ainda hoje era viva naturalmente".

»Agora fica mais claro o que é a leitura inteligente que António Costa (secretário-geral do PS) tem afirmado ser necessário fazer ao Tratado Orçamental", ironizou Jerónimo de Sousa, referindo-se aos estudos apresentados recentemente pelos responsáveis do largo do Rato.

Agora, vejamos o que António Costa disse do Bloco de Esquerda:

»António Costa acusou o Bloco de Esquerda de ser «um partido de protesto e de não estar preocupado com o país». O secretário-geral do PS respondia assim a Catarina Martins que esta manhã no Fórum TSF AFASTOU qualquer coligação com os socialistas."

O líder socialista afirma pensar na »maioria absoluta" e acusou o Bloco de Esquerda de estar »num concurso de sectarismo". »Não é uma forma construtiva de estar na política. Há quem esteja na política para vociferar, para estar na frente nas manifestações", disse, esclarecendo que está »na política para procurar soluções para os problemas do país". O líder do PS lamentou que um partido, como o Bloco, »que nasceu para muita gente com a esperança de poder ajudar à governabilidade da esquerda «se apresente às eleições com um programa escondido que é a saída do euro.

E a reacção de Catarina Martins:

»Desengane-se António Costa se acha que nos pode descartar por dizer que estamos no conforto do protesto. Nós não estamos no conforto das meias tintas, estamos na luta da alternativa contra a austeridade".

Como é que, de repente, esta gente de candeia às avessas, com posições ideológicas tão distantes, vai formar um governo »duradouro, consistente e estável"?

Só podem estar a brincar.

Seja qual for a solução, lá iremos novamente às urnas daqui a uns meses.

Crónica
Há duas coisas que me parecem praticamente certas como resultado das eleições de 4 de outubro: vamos ter novo ato eleitoral a meio do próximo ano, marcado desta vez por Marcelo Rebelo de Sousa, e António Costa está morto politicamente, seja qual for o desfecho das suas insistentes negociações à direita ou à esquerda.
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