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rss  Vol. XIX - Nº 338         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
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Um halloween português

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O polémico 20º Governo Constitucional tomou posse em vésperas do Halloween.

Num cenário político embruxado, este deverá ser o governo com a duração mais curta da história.

O país fica agora suspenso durante cerca de dez dias à espera que a Esquerda portuguesa encontre a poção mágica que a leve ao lugar de Passos e Portas.

No meio deste caldeirão, quem tem a varinha mágica para abrir as portas do poder à Esquerda é Cavaco Silva, uma espécie de Harry Porter aterrorizado com o desfecho da saga do fantasmagórico clima político português.

Mantém o governo em gestão ou nomeia António Costa?

O discurso na tomada de posse do novo governo, não deu indicação nenhuma.

Mas há uma coisa que já é certa: o Presidente da República agiu bem ao empossar este governo, ao contrário do que pretendiam o PS, PCP e Bloco de Esquerda, ao dizerem que era uma perda de tempo.

Ora, até aquele momento os três partidos ainda não tinham chegado a acordo, segundo os próprios confirmaram.

Então se não chegaram a acordo, se não têm nada para mostrar aos portugueses, como é que queriam ser já chamados ao poder?

De incongruência em incongruência, o PS vai-se afundando num pântano de descrédito, enquanto os outros dois partidos à sua esquerda vão beneficiando da desorientação ideológica dos socialistas liderados por António Costa.

Lá no fundo, Cavaco Silva estará tentado em manter o governo de Passos Coelho em gestão até à marcação de novas eleições, mas os cenários com este modelo são tão desfavoráveis que o mais certo é nomear António Costa, com uma série de exigências e condições, e deixar que o seu sucessor resolva o problema a partir de abril, altura em que já é possível dissolver o parlamento, se assim entender.

É claro que o país está dividido e ninguém se livra da crispação política.

Mas os partidos também não fazem nenhum esforço para um ambiente mais favorável.

A forma desbraguelada como Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, se tem insurgido contra as posições do Chefe de Estado, pressionando tudo e todos, numa ânsia de chegar ao poder a cavalo do PS, não ajuda nada à descompressão e ao bom senso que se quer na vida política.

Até na apresentação das moções de rejeição os três partidos não se entendem: o Bloco anuncia que a moção será conjunta e o PCP diz que nada está decidido...

O próprio facto das reuniões para a negociação do acordo entre os três decorrerem, afinal, apenas de forma bilateral, sem que os três se juntem, é outro sinal de que não há um entendimento profundo que os possa unir.

Se nas coisas mais comezinhas, como eles chamam, não se entendem, como é que se vão entender durante quatro anos com os problemas gravíssimos que vão enfrentar e decisões polémicas que vão ser necessárias tomar?

É verdade que a alternativa também não é duradoura.

Manter este governo, sem apoio maioritário no parlamento, seria um tiro no escuro, pelo que o cenário de eleições antecipadas é o mais certo, até porque, agora sim, os eleitores já sabem que poderão votar numa coligação de direita ou numa coligação de esquerda.

Um entendimento entre este PSD e este PS parece impossível.

António Costa não voltará atrás, porque está em jogo a sobrevivência da sua liderança e de todo o aparelho que o acompanha.

Perder esta oportunidade será perder a sua carreira política e a de outros que o rodeiam, como é o caso de Carlos César.

O atual núcleo duro de António Costa não tem nada a perder ao juntar-se ao Bloco e aos comunistas. É a única tábua de salvação, porque se ceder à coligação de Passos e Portas, sabe que tem morte certa no interior do seu partido.

O problema é que o custo desta aventura vai ser alargada a todo o país.

Deste Halloween político é que os portugueses não se livram.

Com ou sem pozinhos de «pirilim-pimpim», com ou sem «trick or treat», um dia vamos acordar todos com uma grande abóbora na cabeça.

Crónica
O polémico 20º Governo Constitucional tomou posse em vésperas do Halloween.
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