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rss  Vol. XIX - Nº 338         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 13 de Julho de 2020
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Eleições no Canadá trouxeram…

O regresso da Trudeaumania

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar (jornal LusoPresse)

(Texto publicado no jornal Diário dos Açores, no passado dia 23 de outubro)

Montreal, Quebeque – As eleições de domingo passado, no Canadá, ditaram a vitória do Partido Liberal Federal, cujo líder é Justin Trudeau, filho mais velho do grande estadista canadiano que foi Pierre Elliot-Trudeau, já falecido.

Arredado do poder há cerca de 10 anos devido ao escândalo das «commandites» – forma de favorecimento de lóbis «amigos» do poder instalado –, o Partido Liberal Federal, contra todos os prognósticos venceu as eleições de domingo, com maioria absoluta, ao obter 184 lugares, num Parlamento que conta com 338 deputados.

Eleito chefe liberal num partido quase moribundo, que no momento de ir a eleições contava apenas 34 deputados, o pior score de toda a sua história, Justin Trudeau decidiu enfrentar o desafio de colocar o partido de seu pai, e de outros grandes primeiros-ministros do passado, como Wilfrid Laurier, no mais alto patamar da política federal canadiana. E assim sendo, percorreu o país de lés-a-lés para «ouvir o povo, saber das suas preocupações e anseios...». Nessa safra, Justin Trudeau teve tempo para criar a imagem de um político credível, apesar dos seus 43 anos. De resto, Justin Trudeau já havia impressionado o establishment nacional no dia da morte de seu pai, quando pronunciou um discurso considerado por todos como de um primeiro-ministro em potência.

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Cheio de carisma, Justin Trudeau por onde passa deixa rasto...

Beneficiando da usura e arrogância do primeiro-ministro Stephan Harper (Partido Conservador), neste último mandato forte de uma vasta maioria parlamentar, Justin Trudeau, paulatinamente e sem cometer erros, partiu para esta campanha de 78 dias, como terceiro candidato a primeiro-ministro, atrás do chefe conservador e de Thomas Mulcair, do Novo Partido Democrata e chefe da Oposição. Mas ora jogando à defesa, ora contra-atacando, para empregar uma metáfora futebolista, Justin Trudeau começou então a colher os frutos da sua «conversa» de meses com os canadianos, onde pôde reforçar a sua imagem e ao mesmo tempo forjar um programa de governo baseado nos desejos e ambições dos seus concidadãos. Essa sua pré-preparação, digamos assim, deu-lhe o estofo necessário para no decorrer da campanha eleitoral suster os ataques dos seus principais adversários – Harper e Mulcair –, que invariavelmente incidiam sobre a sua inexperiência...

Vieram, então, os grandes debates televisivos, que se diziam ser o «desmascarar» de um político sem conteúdo. E o que foi que acabou por acontecer? Justin Trudeau foi dado como o melhor tribuno de todos eles (debates)! Foi o render da guarda de todos os seus detratores, a começar por certos órgãos de comunicação social, parte da sua província natal (Quebeque) – os nacionalistas mais ferrenhos e que nunca perdoaram ao pai ter trazido de Londres, em 1982, a Constituição do Canadá sem a assinatura do Quebeque –, e alguma da franja mais conservadora do país.

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Como já vimos, de terceiro no início da campanha eleitoral, que começou em agosto último, depois tendo passado para segundo; mais tarde para possível chefe de um governo minoritário, eis que Justin Trudeau, na linha de chegada surpreende tudo e todos com uma vitória sensacional!

Passados três dias do seu coroamento, já se fala em dinastia e em «Trudeaumania»... Daquela não podemos prever o futuro. Mas desta última, o que se pode dizer é que, por estes dias, toda a gente quer ver e falar com o jovem primeiro-ministro, que na sua alocução de vitória prometeu governar «autrement» (de outra maneira). E querem ver como é fazer política de outro modo? No dia seguinte à sua espetacular vitória, Justin Trudeau saiu de casa e foi à hora em que as pessoas vão para os empregos cumprimentá-las à porta da estação de metro do seu círculo eleitoral de Papineau (em Montreal), por sinal com um grande leque de residentes de origem portuguesa.

Alegria e deceção

Eram quatro (certos) os candidatos portugueses ao ato eleitoral de domingo passado. Dois pelo Quebeque, na pessoa de Alexandra Mendes (Partido Liberal) e Manuel Puga (Partido Conservador), e dois pelo Ontário, Peter Fonseca (Partido Liberal) e Carlos Oliveira (Partido Conservador). Um quinto candidato lusodescendente, que não pudemos confirmar, parece plausível. Trata-se de James Arruda, também do Ontário e que concorreu pelo Partido dos Verdes, que naturalmente perdeu, já que aquela força política só teve um eleito, na pessoa da sua chefe, Elizabeth May (Vancouver, Colômbia Britânica).

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Voltando atrás, os eleitos lusitanos foram Alexandra Mendes, pelo círculo eleitoral de Brossard-St-Lambert, a sul de Montreal, numa circunscrição de 83 587 eleitores, onde os portugueses devem andar à volta dos dois mil. A Alexandra volta assim a ser a deputada deste distrito, depois de ter sido derrotada há quatro anos por uma pequena margem. Agora houve «vingança» da nossa compatriota, que bateu o até agora deputado Hoang Mai (Novo Partido Democrata) por uma vantagem considerável de 14 753 votos!; e Peter Fonseca, também envergando a camisola liberal, ao concorrer pela circunscrição de Mississauga-Est-Cookville, de forte presença portuguesa.

Recorde-se que Peter Fonseca também perdeu há quatro anos, isto depois de ter deixado funções ministeriais no governo provincial do Ontário para se candidatar ao Parlamento de Otava. Agora, a «revanche», com o ex-atleta olímpico canadiano a vencer por uma maioria de 28 105 votos numa área que conta com 81 736 eleitores!

Manuel Puga, o único candidato de origem açoriana, que concorreu por Thérèse-de-Blainville (Quebeque), região com 79 547 eleitores, dentre eles, muitos portugueses, quedou-se por um fraco quarto lugar, com somente 7 013 votos, longe do liberal Ramez Ayoub, que contou com a adesão de 18 317 votantes.

Pior ainda foi a prestação de Carlos Oliveira, que concorrendo por Davenport (Toronto), o círculo eleitoral no Canadá com maior densidade de portugueses, não obteve mais que uns míseros 5 233 votos, muito aquém da liberal Julie Dzerowiez (21 947).

Vantagem para a Comunidade

A eleição de dois portugueses para o parlamento de Otava é já por si só um bónus para a nossa comunidade. E o facto de terem sido eleitos pelo partido que vai formar governo, ainda melhor... Junte-se a isto o facto dos portugueses serem vistos, com verdade, diga-se em abono da verdade, perto do Partido Liberal do Canadá, e logo a comunidade poderá beneficiar com a eleição dos liberais e do seu jovem chefe Justin Trudeau. Desta forma já há quem veja os problemas ligados à construção, onde os portugueses têm uma presença forte, e à imigração, trazidos para cima da mesa de maneira a serem discutidas e debeladas as suas dificuldades atuais...

Ouro sobre azul seria a chamada de um dos dois eleitos portugueses para o gabinete ministerial. Impossível? Olhem que não. Peter Fonseca foi ministro a nível provincial e Alexandra Mendes era até há pouco tempo presidente do partido, secção do Quebeque.

Justin Trudeau já anunciou que o seu primeiro Conselho de Ministros será divulgado no próximo dia 4 de novembro.

Eleições
Montreal, Quebeque – As eleições de domingo passado, no Canadá, ditaram a vitória do Partido Liberal Federal, cujo líder é Justin Trudeau, filho mais velho do grande estadista canadiano que foi Pierre Elliot-Trudeau, já falecido.
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