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rss  Vol. XIX - Nº 338         Montreal, QC, Canadá - domingo, 09 de Agosto de 2020
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Editorial

Novo Governo

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

O novo governo canadiano dirigido por Justin Trudeau acaba de ser empossado. Finda a cerimónia da apresentação dos ministros, seguiu-se um encontro com a imprensa nos jardins do Governador-Geral do Canadá que estiveram abertos ao público, no qual ele reiterou as suas promessas eleitorais e o desejo de criar um governo mais próximo dos cidadãos, transparente e responsável.

Uma nova página da história canadiana acaba de se virar. Um novo capítulo vai começar com todas as expectativas que a campanha eleitoral e a juventude de Justin Trudeau deixam adivinhar.

Ao contrário do que nos fizeram crer durante toda a campanha, sobretudo os comentadores, cronistas, caricaturistas e uma boa parte da classe artística do Quebeque que o consideravam uma linda casca vazia, Justin Trudeau acabou por fazer mentir todas as previsões negativas que pesavam sobre ele.

Se os ditos comentadores fossem menos incultos e menos ideólogos, se tivessem dado mais atenção ao discurso e à ação deste herdeiro de Pierre Eliot Trudeau, teriam certamente reparado que o objetivo hoje alcançado foi o resultado duma longa, paciente e tenaz luta.

Se se tivessem lembrado do discurso que ele pronunciou em outubro de 2002 por altura do funeral de seu pai, deveriam ter reparado que estava ali já o germe dum homem de estado.

Se se tivessem dado ao cuidado de analisar o desafio que ele se impôs a si mesmo ao decidir brigar o seu primeiro lugar de deputado numa das circunscrições mais pobres do Canadá e maioritariamente francófona, deveriam ter notado que ele não tinha escolhido a via mais fácil.

Se se tivessem dado ao cuidado de julgar a equipa que ele soube juntar à sua volta para ganhar a liderança do Partido Liberal do Canadá, deviam concluir que ele tinha realmente todas as condições de um líder político.

Se se tivessem posto a observar como os candidatos foram escolhidos em todas as circunscrições, sem ele nunca ter imposto nenhum preferido e deixando uma total confiança nos militantes para a escolha do melhor, era já uma prova de ruptura com as velhas tradições políticas.

Se se tivessem posto a observar a sua ação política parlamentar deveriam ter tomado nota que uma das primeiras medidas que tomou, como líder do partido, foi o de «expulsar» os senadores liberais, dando assim o primeiro pontapé de partida para a renovação do Senado.

Agora, com a constituição da nova equipa ministerial, ele veio uma vez mais dar prova do bom senso e do faro político que o tem animado desde que entrou na política ativa.

Atendendo às suas declarações durante a campanha eleitoral, já sabíamos que iríamos ter um gabinete de ministros mais reduzido que o do anterior governo conservador, já sabíamos que ele iria nomear um número igual de homens e mulheres como ministros, já sabíamos que ele iria buscar ministros que fossem representativos de todas as regiões do Canadá, dos canadianos ingleses e dos canadianos franceses.

Mas ele foi mais longe. Além de cumprir com todas aquelas promessas eleitorais, reparamos que ele até foi ao ponto de escolher também membros da velha guarda e das novas gerações, gente de tendências de esquerda e de direita, representantes das primeiras nações e das comunidades emigrantes, como o vermelho turbante sique nos lembrava constantemente durante a cerimónia da tomada de posse. Mas ele foi ainda mais além ao delegar duas pastas a deputados com deficiências físicas – Kent Hehr que se desloca em cadeira de rodas e que ficou com o cargo de Ministro dos Antigos Combatentes e Adjunto da Defesa Nacional e Carla Qualtrough, deficiente visual de nascença, que ficou com a pasta do Desporto e dos Deficientes.

Mas não se pense que esta distribuição de cadeiras ministeriais foi feita de forma matemática para completar bem o galhardete. Quem se der ao trabalho de olhar para o curriculum dos novos ministros não pode deixar de aclamar a escolha judiciosa do novo dirigente canadiano e inclinar-se diante da solidez e competência de que eles têm dado provas na sua vida pessoal, académica e profissional.

Havia nomes que corriam, sobretudo na deputação do Quebeque, como foi o caso de Mélanie Joly para o ministério do Património Canadiano a quem compete decidir do orçamento de CBC-Rádio-Canada, de Stéphane Dion que alguns viam no ministério do meio ambiente mas que ficou com a pasta dos Negócios Estrangeiros, e de Marc Garneau, o antigo astronauta, que ficou com a pasta dos Transportes, assumindo assim a responsabilidade da construção da ponte Champlain.

Mas para além da simbólica que representa o sexo, a origem, a idade, a etnia ou a deficiência física dos novos ministros, o que vai ser importante é de ver como é que o novo governo entende por em prática os objetivos que se fixou durante a campanha eleitoral.

Como por exemplo a legalização da marijuana, a abolição da prevista portagem sobre a nova ponte Champlain, o aumento dos orçamentos de CBC-SRC, a anulação da promessa de compra dos aviões F-35, o fim da missão militar na Síria contra o Estado Islâmico, a reforma da lei sobre o acesso à informação, o voto livre no parlamento e a reforma do sistema eleitoral. De todos eles foi a baixa de impostos para a classe média e o aumento de impostos para os altos rendimentos que ele declarou como sendo a primeira prioridade do seu governo. Todo um programa que os eleitores terão em vista à medida que o governo se irá executando. Porque, quer os eleitores tenham ou não votado nos liberais, todos esperam que eles mantenham a palavra dada e a cumpram.

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O novo governo canadiano dirigido por Justin Trudeau acaba de ser empossado. Finda a cerimónia da apresentação dos ministros, seguiu-se um encontro com a imprensa nos jardins do Governador-Geral do Canadá que estiveram abertos ao público, no qual ele reiterou as suas promessas eleitorais e o desejo de criar um governo mais próximo dos cidadãos, transparente e responsável.
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