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rss  Vol. XIX - Nº 338         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 16 de Julho de 2020
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Debate Democrata – Zaragata Republicana

Por António da Silva Cordeiro

Quase uma semana depois do primeiro debate do Partido Democrata, não é possível tentar uma ligeira análise sem ter que comparar com a zaragata dos dois debates do Partido Republicano. A diferença no comportamento e apresentação dos vários intervenientes dos dois partidos é enorme. Nos debates republicanos, quase se insultaram, chegando a verdadeiras ofensas à aparência física das pessoas. No debate democrata, todos se portaram como adultos numa discussão civil e civilizada.

O número reduzido – cinco – dos participantes foi razoável e manejável. Os dois mais classificados e lançados, Hilary Clinton e Bernie Sanders, mostraram-se bem preparados e discutiram ideias e assuntos sérios da política americana e da corrida à Casa Branca.

Os três candidatos «menores» eram Jim Webb, militar e político, assim como Lincoln Chafee, também político e executivo (ambos convertidos do Partido Republicano ao Partido Democrata) e Martin O’Malley, que foi mayor da cidade de Baltimore e Governador do Estado de Maryland. Os dois primeiros desaparecerão cedo; O’Malley poder-se-á manter mais algum tempo para adquirir por agora alguma prática com vista ao ciclo eleitoral de 2020 ou 2024. Estes três entraram na campanha forçados pelos seus princípios éticos, insinuando alguma falta desses princípios em Hilary Clinton (pela «roupa suja» que acarreta às costas); e Bernie Senders, por se declarar democrata-socialista (inaceitável para muitos democratas mais conservadores).

No fundo, e por detrás de tudo, está o candidato de que não se fala e que ninguém esquece: Joe Biden, Vice-Presidente de Barak Obama. Cada vez é mais generalizada a opinião de que se está a tornar mais e mais tarde e difícil a declaração da possível candidatura (organizar a campanha, limites de tempo, limites de datas, angariação de fundos, etc.). Quanto mais tarde, mais fraco se revelará. Ele não quererá nem deverá tomar qualquer decisão antes de Hilary Clinton ser ouvida na Casa dos Representantes pelo Comité Especial que está a investigar os acontecimentos de Bengazi (em que morreram quatro americanos, incluindo o embaixador americano na Líbia) e dos problemas dos emails de quando era Secretária de Estado. Joe Biden, que é considerado um bom Vice-Presidente, é um homem fragilizado pela história da sua vida pessoal: a morte, num acidente de carro dirigido por ele, da esposa e filha bebé quando, muito jovem, acabara de ganhar um lugar de Senador; e, por outro lado, a morte recente do filho mais velho, vítima de cancro cerebral, que se tinha salvo no acidente em que a mãe morreu. Além disso, já concorreu a duas Primárias presidenciais e teve de suspender ambas as campanhas.

Bernie Sanders, com a sua honestidade e coerência, apresentou-se como «socialista-democrático» ou «democrata-socialista» e à partida perdeu todas as hipóteses de ser bem sucedido na campanha. A razão é simples: para a maioria do povo americano, «socialismo» é o mesmo que comunismo. Uma pessoa que se apresente como socialista cometeu suicídio político. Sanders poderá fazer milagres, andar sobre as águas, mas não conseguirá ganhar uma eleição presidencial nos EUA. É de admirar a sua coerência: hoje vêem-se imagens dele quando era mayor duma pequena cidade e já dizia o que hoje diz e com o mesmo entusiasmo e convicção. Este debate foi visto por 15,3 milhões de telespectadores, a maior assistência a um debate democrata. Os dois debates republicanos foram vistos por 25 e 24 milhões.

Hilary Clinton, sem dúvida, ganhou o debate e subiu nas sondagens distanciando-se do segundo lugar, Bernie Sanders. Foi evidente que Hilary esteve sempre muito confortável, muito ativa (sem ser ativista), dominou todos os assuntos que foram tratados: armas nas mãos de privados, alteração do clima, política externa (neste assunto, nenhum candidato, democrata ou republicano, chega perto dela), a influência de Wall Street nos democratas, emigração, sistema do seguro de saúde, até à legalização de marijuana.

Em geral, temos de aceitar que foi um debate bem gerido, vivo, sem ataques pessoais. Bernie teve a grande frase do debate quando, confessando que não ia ser politicamente correto, disse que ele e o povo americano estavam fartos e cansados dos seus (de Hilary) emails. Foi fortemente aplaudido pela assistência e mesmo cumprimentado por Hilary Clinton. Todo o debate manteve-se à altura de uma discussão entre adultos. Agora há que aguardar o comportamento de Hilary ao enfrentar o Comité Especial sobre o que aconteceu em Benghazi e sobre os seus emails enquanto era Secretária de Estado. Espera-se que Joe Biden decida dentro de poucos dias se vai ou não concorrer.

PS - Última Hora: Jim Webb suspendeu a sua campanha e deixou em suspenso a possibilidade duma campanha independente, sonho que não tem possibilidade de realização.

Joe Biden escolheu a melhor decisão possível: não entrar nas Primárias e esperar para a Convenção Democrata para indicar quem apoiará na campanha presidencial.

Whiting, New Jersey

Crónica
Quase uma semana depois do primeiro debate do Partido Democrata, não é possível tentar uma ligeira análise sem ter que comparar com a zaragata dos dois debates do Partido Republicano. A diferença no comportamento e apresentação dos vários intervenientes dos dois partidos é enorme. Nos debates republicanos, quase se insultaram, chegando a verdadeiras ofensas à aparência física das pessoas. No debate democrata, todos se portaram como adultos numa discussão civil e civilizada.
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