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As contas obsoletas dos dois ferries

Osvaldo Cabral

Por Osvaldo Cabral

O governo regional parece apostado em bater com a cabeça na parede nesta teimosia de mandar construir dois ferries com capacidade para 650 passageiros e 150 viaturas, no valor de 85 milhões de euros.

Vítor Fraga continua a utilizar a cassete impingida por um estudo que já tem quase seis anos (!), mandado efetuar pela Atlânticoline, que é um autêntico «embuste» e que «esconde, intencionalmente, 5 milhões de custos anuais à Região».

Quem o diz é o deputado do PS Lizuarte Machado, o único especialista nesta matéria que o governo tem na sua área política, mas que, incompreensivelmente, não o ouve (como não ouve mais ninguém...).

E a verdade é que quem consulta o referido estudo, mesmo sem perceber da poda, chega à conclusão de que aquilo é muito confuso e que não responde a uma série de interrogações óbvias.

O documento foi encomendado em 2009 à empresa britânica BMT-Transport Solutions, tem 174 páginas e foi entregue ao governo em agosto de 2010.

É um documento já obsoleto, porquanto daí para cá verificaram-se grandes alterações no transporte marítimo de passageiros, tornando o estudo perfeitamente desajustado da realidade atual e que, como diz o Comandante Lizuarte, não tem viabilidade financeira e com opiniões que «roçam a indigência».

A faturação da Atlânticoline nos últimos anos é um desastre. Nem deu para pagar o combustível.

O número de passageiros tem vindo a diminuir de ano para ano – menos 70 mil em 2013 –, pelo que a região vai ganhar uma empresa onde o custo passageiro/milha «será, muito provavelmente, o mais caro do mundo» (Lizuarte Machado).

Não obstante, a semana passada, Vítor Fraga foi à comissão parlamentar de inquérito (aquela que à semelhança da SATA é tudo para ficar em águas de bacalhau), dizer que – pasme-se – os dois ferries vão gerar um impacto económico de 123 milhões de euros!...

Porque é que não colocam este Secretário a gerir os cacilheiros do Tejo?!

Atirar milhões pela boca fora sem saber o que se está a afirmar é tentar enganar todos nós, como aliás já aconteceu com um tal PIT, o Plano Integrado de Turismo, que inundaria o setor com milhões saídos de um maná descoberto nas profundezas arqueológicas das catacumbas fenícias da Serra do Cume da ilha Terceira...

O referido estudo – o tal do impacto de milhões – esconde o valor a pagar nas deslocações para as docagens e, mais grave, ignora os custos de amortização contabilística anual, havendo ainda contradições sobre os meses da operação – o estudo financeiro aponta para que os navios estejam parados 6 a 7 meses, enquanto o governo sugere uma exploração anual.

Num outro estudo efetuado por Lizuarte Machado aos números do «estudo da BMT», ele chega à conclusão de que o total anual destes custos não quantificados pela Atlânticoline, para os dois navios, ronda os 5 milhões de euros.

Em resumo, continuando a citar o especialista, estamos perante um estudo «com muito pouca utilidade, que faz uma razoável recolha de dados, afirma um extenso rol de lugares-comuns, entra em várias contradições e em piores conclusões».

Como é que se chegou até aqui e o governo não vê isto?

Ele explica: «Não era de esperar que fosse diferente já que foi elaborado em tempo recorde por técnicos que não conheciam a Região, os quais, aliás, foram acompanhados por elementos do Conselho de Administração da Atlânticoline que ao longo dos anos conduziram o processo de forma desastrosa, que é de todos conhecida e nunca foram capazes de apresentar uma única ideia útil».

Seis anos depois de um documento obsoleto e inútil, o governo regional continua a agarrar-se a ele porque não tem mais nada para justificar esta monstruosidade de milhões do nosso orçamento público que vão ser atirados para mais um grande buraco a que estes grandes políticos nos têm levado.

Pois tenham uma boa viagem em mais este afundanço.

Tirem o ministro deste filme

Passos Coelho revelou a composição do novo governo, que provavelmente não durará mais do que alguns dias.

Não importa agora o que é que irá acontecer após a apresentação do programa do governo no parlamento.

O importante é que a coligação não voltasse a apresentar ministros que foram, obviamente, de uma incompetência atroz.

Esperávamos todos, certamente, que o primeiro a levar guia de marcha fosse Rui Machete, esta nulidade que ocupou os Negócios Estrangeiros e que não soube gerir nenhum dossiê a favor de Portugal.

Este homem deixou que os EUA liderassem o caso da Base das Lajes sem que pestanejasse um assomo que fosse em prol dos Açores.

Enredou-se em jogos de diplomacia barata, curvou-se a Angola neste vergonhoso caso de Luaty Beirão e fica com o nome gravado, mais Cavaco Silva, naquela escandalosa adesão da Guiné Equatorial à lusofonia da CPLP.

Já tinha sido um desastre à frente da FLAD, onde prejudicou os Açores ao ignorar o significado desta Região na existência daquela Fundação.

Foi corrido pelos americanos, mas obteve o louvor do seu amigo Passos, um Primeiro-Ministro teimoso e arrogante, que o segurou em todas as «gaffes» cometidas a eito.

O único político que o PSD tem nas suas fileiras capaz de abraçar com integridade e competência os Negócios Estrangeiros está nos Açores, mas Passos Coelho e Duarte Freitas correram com ele.

Vamos gramar, de novo, esta nulidade à frente do Palácio das Necessidades.

Nem que seja por alguns dias, é um prémio demasiado elevado para quem não esteve à altura da exigência do cargo.

Crónica
O governo regional parece apostado em bater com a cabeça na parede nesta teimosia de mandar construir dois ferries com capacidade para 650 passageiros e 150 viaturas, no valor de 85 milhões de euros.
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