logo
rss  Vol. XIX - Nº 336         Montreal, QC, Canadá - sábado, 28 de Março de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContactos arrowÚltima hora arrowClima arrowEndereços úteis
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Siza Vieira em Montreal

«A Arquitetura serve para acomodar, reunir, partilhar...»

Vitória Faria

Reportagem de Vitória Faria

A fim de sublinhar a doação duma parte do seu espólio ao Centro Canadiano de Arquitetura (CCA), o arquiteto português Siza Vieira veio a Montreal no passado dia 24 de setembro e o público montrealense teve a oportunidade de o ouvir numa bastante concorrida palestra sobre a sua experiência profissional. Para acomodar o excesso de espectadores foi instalado um ecrã na biblioteca para que todos pudessem beber as palavras do mestre.

Com esta conferência foi também inaugurada a exposição «Coin, îlot, quartier, villes. Álvaro Siza à Berlin et à La Haye» onde se encontram expostos vários exemplares da sua obra, desde maquetas, esboços, planos e fotografias dos seus trabalhos.

Alvaro Ciza.jpg

Álvaro Siza Vieira é um dos maiores arquitetos portugueses de envergadura internacional, laureado com os maiores prémios, entre os quais o Prémio Pritzker, considerado como o Nobel da arquitetura mundial.

Natural de Matosinhos, onde nasceu em 1933, Siza Vieira, como é conhecido internacionalmente (embora aqui no CCA o tenham nomeado por Álvaro Siza) começou a sua carreira como aluno de Fernando Távora, seu conterrâneo e amigo, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, tendo com ele colaborado em vários projetos urbanísticos.

São incontáveis as obras deste inspirado arquiteto espalhadas por todo o mundo, da Ásia à América, passando por quase todos os países europeus, o Brasil e Bogotá.

2015-09-24 19.24.09.jpg

Na conferência da semana passada falou-nos mais em pormenor da sua participação na construção dum aglomerado urbanístico, na Holanda, em Haia e outro em Hamburgo onde havia uma forte componente populacional de religião muçulmana e das dificuldades que teve em impor a sua visão. No início, os promotores estavam dispostos a fazer tipos de casa específicos para os muçulmanos, ideia que o repugnava. Para ele a arquitetura deve servir para acomodar, reunir, partilhar e não isolar, separar, confrontar. E levou a sua avante. Muitos anos depois, quis ver como é que os muçulmanos tinham tirado proveito da disposição das casas mas, lamentou-se, não o deixaram passar além do hall de entrada.

Uma grande parte da assistência a esta conferência era composta de jovens, que pelo interesse com que seguiam o que ele dizia e pelas perguntas que formularam no final da palestra, davam a ideia de serem estudantes em arquitetura.

SIZA-promo-card-e-vite-fra.jpg

Siza Vieira, falou-nos também dos seus primeiros tempos em Portugal. Das dificuldades que teve com o regime, até «ao dia em que o homem caiu da cadeira abaixo» e dos novos horizontes que se lhe abriram. Falou também do período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril em que participou nas Brigadas do SAAL, um projeto que teve como objetivo melhorar as condições de habitação dos portugueses.

Apesar dos seus 82 anos, e de alguma dificuldade auditiva, Siza Vieira continua entusiasmado com a profissão que escolheu e com a herança que deixa. A outra parte do espólio deixou-o à Fundação Gulbenkian de Lisboa e à Fundação Serralves, do Porto.

No dia seguinte voou para Toronto onde foi dar também outra conferência sob o patrocínio do CCA.

Destaque
A fim de sublinhar a doação duma parte do seu espólio ao Centro Canadiano de Arquitetura (CCA), o arquiteto português Siza Vieira veio a Montreal no passado dia 24 de setembro e o público montrealense teve a oportunidade de o ouvir numa bastante concorrida palestra sobre a sua experiência profissional. Para acomodar o excesso de espectadores foi instalado um ecrã na biblioteca para que todos pudessem beber as palavras do mestre.
Siza Vieira.doc
yes
O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020