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rss  Vol. XIX - Nº 336         Montreal, QC, Canadá - sábado, 28 de Março de 2020
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Eleições americanas – um debate-maratona

Por Dr. António da Silva Cordeiro

Registarei nesta minha crónica de hoje algumas notas sobre o comportamento dos vários candidatos neste segundo debate que durou mais de três horas. Além de um exercício de debate, foi também um exercício de preparação física dos participantes.

1 – Começo pela vencedora do debate, segundo as sondagems e a media – Carly Fiorina, que melhorou substancialmente a sua posição na corrida. Desmentiu a teoria/acusação democrata de que os Republicanos estão envolvidos numa «guerra contra a mulher». Os Democratas acusam o outro partido de estar surdo aos problemas da mulher. Interessante notar que os Republicanos estão a ameaçar «encerrar o governo» na Casa dos Representantes, se fundos governamentais forem concedidos à organização «Planned Parenthood», que protege o direito ao aborto. No Senado, de maioria republicana, os senadores mais conservadores estão tentando propor uma lei limitando o aborto às primeiras 20 semanas. O sucesso de Fiorina no debate e na corrida à Casa Branca é um sonho republicano que duvido chegue a realizar-se. Há que contar com a atitude antifeminista dos eleitores das primárias e também ter em conta a história pessoal de Carly Fiorina como business woman e que causou a sua derrota por 10 pontos quando concorreu a Senadora na California em 2014. Se Mrs Fiorina não for a candidata votada, terá a possibilidade de ser Vice-Presidente, o que atrairá muito voto feminino para o lado republicano. O candidato republicano nas presidenciais depende em grande parte do voto feminino e do hispânico.

2 – Donald Trump chegou ao debate com grande avanço sobre todos os outros candidatos. Esperava-se que surgisse um novo Trump, com pormenores, planos detalhados, com informações concretas do muito falatório que tem aparecido nos media. Grande desapontamento. Grande desilusão. Cedo se mostrou o mesmo Trump: sem humildade, falando só de si e dos sucessos em todos os seus negócios, o mesmo zaragateiro que diz que faz tudo, que sabe tudo e o resto é tudo estúpido, ignorante, incompetente. O mesmo caráter vazio, o mesmo charlatão, o mesmo mentiroso do primeiro debate, mas sempre subindo nas sondagens, não se sabendo como e porquê. O Outono está chegando e a campanha começará a aquecer ainda mais. Os candidatos que vão à frente começam a pensar e sonhar com a campanha presidencial: preparar a campanha em cada estado, constituir as equipas de peritos em todos os setores do governo: Economia, Defesa, Trabalho, Política Externa, Educação, etc.

3 – Outros candidatos: Dr. Ben Carson. Pessoa muito delicada, em extremo contraste com Trump, mas não é político e isso implica certas limitações. Trump fala muito, enquanto este doutor fala mansinho, dando a impressão de que tudo se resolve como se o Presidente fosse um Médico de Família. Todos os problemas têm solução com um reenvio para o especialista apropriado. Embora nas sondagens esteja acima dos candidatos com experiência executiva e legislativa, não creio que os conhecimentos médicos sejam suficientes para governar este país.

Jeb Bush – Finalmente parece ter acordado. Infelizmente pouco mais disse que era homem independente do pai e do irmão. No entanto, todos os seus conselheiros e peritos são do tempo do pai e do irmão.

Senador Ran Paul – Cada vez mais fraco, entra numa situação em que o melhor que pode fazer é arrumar as botas e, como ainda é novo, tentar a sua sorte na próxima corrida. Mas mesmo aí duvido que tenha sucesso.

Governador Mike Hackabee – Foi ministro evangélico, depois governador e é mais extremista do que o Tea Party e os mais extremistas evangélicos. Não tem possibilidade de sobreviver. Como já é a segunda vez que concorre, tem a sorte de poder ter emprego na Fox News.

Senador Marco Rubio – Melhor do que no primeiro debate, em que esteve muito nervoso. Jovem e com boa apresentação, não teve porém originalidade.

Senador Ted Cruz – Talvez tão extremista como Mike Hackabee. Neste momento muito ligado a Trump, talvez na esperança de aproveitar os votos dos seguidores de Trump no caso da desistência deste.

Governador Scott Walker – Tem-se apagado muito e parece já estar a desapontar os irmãos Koch, bilionários que apoiaram Mitt Romney em 2012 e apostaram desde o princípio da campanha neste jovem governador.

Governador John Kasich – Impressionou pela experiência de político, businessman e executivo depois de vários anos na Casa dos Representantes. Penso que, por ser moderado, o que é uma raridade no Partido Republicano do tempo presente, terá dificuldade com o Tea Party e os evangélicos (ele é católico). Como os votantes das primárias são de extrema-direita, dificlmente darão o seu voto a um moderado.

Governado Chris Christie – Subiu bastante neste debate, mas tem sérios problemas desconhecidos fora do Estado de New Jersey. É acusado de não ser de direita e de ser amigo de Obama. Imagine-se até onde chega a polarização partidária: ele é acusado do «crime» de ter dado um abraço ao Presidente Barak Obama durante uma visita do Presidente ao Estado de New Jersey, pouco depois do furacão Sandy. Até insinuaram que Chris Christie abandonou Mitt Romney durante o final da eleição de 2012. Mas o governador de New Jersey tem outros problemas muito sérios que estão a ser objeto de várias investigações estatais e federais ainda em curso. Gente muito próxima dele já está a ser julgada em vários tribunais de New Jersey e de New York, acusada de corrupção política e de violação de leis eleitorais, por exemplo.

Whiting, New Jersey

Crónica
Registarei nesta minha crónica de hoje algumas notas sobre o comportamento dos vários candidatos neste segundo debate que durou mais de três horas. Além de um exercício de debate, foi também um exercício de preparação física dos participantes.
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